Ciência e Tecnologia

Pesquisadores do DF desenvolvem tecnologia de ponta para área espacial brasileira

Alunos e professores da UnB trabalham em projeto com propulsor Hall para aumentar vida útil de satélites

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pesquisa espacial plasma propulsão UnB

Bilhões de estrelas e galáxias. Astros, gases e, ainda, muita coisa desconhecida. Este é o espaço. Quantas vezes pensamos nele? Alunos e professores da Universidade de Brasília (UnB) não só pensam, mas pesquisam sobre o tema diariamente. Um exemplo disso é o projeto PHall, que busca aumentar a vida útil dos satélites por meio do uso de propulsores a plasma por efeito Hall – motor para espaçonaves e satélites que utiliza um feixe de íons para a propulsão.

Câmara de vácuo utilizada para desenvolvimento e teste do propulsor Hall

Câmara de vácuo utilizada para desenvolvimento e teste do propulsor Hall

A pesquisa, desenvolvida no Laboratório de Física de Plasmas desde os anos 2000, é coordenada pelo professor José Leonardo Ferreira. Segundo ele, o estudo é o mais avançado do Brasil neste tipo específico de propulsor. Orgulhoso do trabalho em conjunto com os estudantes, Leonardo diz que o ponto principal, além de avançar as pesquisas espaciais, é capacitar os alunos. “Nosso objetivo é formar gente. Então, o que fazemos é desenvolver um projeto e colocar nossos estudantes para trabalhar nele”, afirma.

Lá, os alunos podem colocar em prática o que veem nos cursos, fazer experimentos e, enquanto isso, impulsionar novas descobertas na área espacial. Um deles é Helbert Júnior, 28 anos, aluno da Engenharia Eletrônica. Ele participa das atividades do laboratório desde 2014.

O estudante relata que conseguiu fazer trabalhos de diversas disciplinas com conhecimentos adquiridos no laboratório. Dentre eles, a aplicação do plasma na indústria e uso para esterilizar equipamentos médicos, que se mostra mais eficiente do que autoclave – aparelho que usa calor úmido sob pressão para limpar os materiais. “Aqui, a gente tem outra realidade. O curso é muito teórico. É como fazer um estágio obrigatório, onde você faz algo que é de fato da sua área. E acho que nós aprendemos ainda mais por não ter um rigor de empresa. Nós podemos errar e sempre vai ter alguém orientando”, conta.

O estudante Helbert Júnior diz nunca ter pensado em trabalhar com plasma e, hoje, faz parte do projeto PHall

O estudante Helbert Júnior diz nunca ter pensado em trabalhar com plasma e, hoje, faz parte do projeto PHall

O professor explica que o plasma não levanta foguete, como os propulsores a combustão, mas “para controle de posicionamento, órbita, e altitude de satélites de comunicação, é muito mais eficiente”. Ou seja, para que usemos serviços de telefonia e internet no nosso dia a dia, esses satélites precisam estar precisamente posicionados e há muita gente trabalhando para isso com o uso do plasma.

Plasma

O plasma é o quarto estado da matéria e está numa temperatura muito maior que os outros estados – sólido, líquido e gasoso. Para José Leonardo, o estudo com o material é tão atraente e relevante porque podemos conhecer mais sobre o espaço e a maior parte do universo visível é plasma. “O sol, as estrelas, parte da atmosfera terrestre é plasma. 99% da matéria do universo está sob forma de plasma, e a importância dele para área espacial é total”, completa.

Ele explica, ainda, que o plasma impacta outras áreas além da espacial. Como exemplo, o professor cita as lâmpadas – que possuem em seu interior plasma de argônio e mercúrio.

Professor de Física da UnB há mais de 20 anos, José Leonardo Ferreira é fascinado por estudos com o plasma

Professor de Física da UnB há mais de 20 anos, José Leonardo Ferreira é fascinado por estudos com o plasma

PNAE e dificuldades

O projeto tomou força mesmo em 2004, quando o laboratório recebeu o primeiro recurso da Agência Espacial Brasileira, pelo programa Uniespaço. Desde então, pesquisam como utilizar o plasma de forma eficiente, com consumo menor de energia dos satélites. O fomento da área espacial brasileira faz parte do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Porém, para José Leonardo, o investimento na área espacial no Brasil ainda é muito baixo. “Para se ter uma ideia, nos últimos anos, investiu cerca de 100 milhões de reais por ano. Os Estados Unidos, 20 bilhões. Índia e China 4 a 5 bilhões/ano. Isso explica por que aqui é tão difícil colocar as coisas no espaço”, comenta.

Tabela disponibilizada no site da Agência Espacial Brasileira mostra que em 2014 foram investidos pouco mais de 109 milhões reais.

Tabela disponibilizada no site da Agência Espacial Brasileira mostra que em 2014 foram investidos pouco mais de R$ 109 milhões no setor

A falta de investimento na área acaba por levar talentos do Brasil para outros países. “Enquanto não investirem nessa área, ou a gente fica na área acadêmica, ou vai embora. Nós não temos muita perspectiva”, lamenta Gabriel Frazão, aluno da Engenharia Aeroespacial da UnB. Helbert Júnior, por sua vez, não se vê feliz fazendo outra coisa e, por isso, já enumera as possibilidades para o futuro: “Sempre gostei do espaço e não queria sair dessa área. Eu posso tentar mestrado aqui no Brasil, mas há mais oportunidades no Canadá, na China… Se você estuda espaço não tem como ficar aqui”.

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