Cidadania

Clube do Ledor convida voluntários a compartilhar conhecimento

O projeto busca o apoio da comunidade para ajudar deficientes visuais a ganhar autonomia

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#ceedv #voluntariado Clube do Ledor Deficientes visuais

O Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), na Asa Sul, transforma a vida dos alunos. A escola foca em ensinar não apenas o currículo escolar, mas também a sobrevivência em casa e na sociedade. Uma das iniciativas do colégio é o Clube do Ledor, criado em 1992, localizado na biblioteca Elmo Luz, dentro da escola. O projeto trabalha contra o preconceito e busca o apoio de pessoas que desejam ser voluntários para auxiliar os estudantes seja em suas matérias acadêmicas ou na preparação para concursos públicos.

Thiago Fernandes, aluno no Clube do Ledor, desenvolveu seu hobbie. Possui um grupo de samba chamado visão do samba onde todos os integrantes são deficientes visuais.

Thiago Fernandes, aluno no Clube do Ledor, faz parte do Visão do Samba, grupo musical formado por integrantes deficientes visuais

O método utilizado pelo voluntário para dar aulas requer cuidados como leitura pausada e clara, ter boa dicção e ler sinais gráficos. As dicas não favorecem só os estudos, o voluntário deve ter cuidados na forma de tratamento pessoal, ou seja, ao se aproximar da pessoa com deficiência visual se identificar e verificar se a mesma precisa de ajuda. Também é preciso combater o uso de nomes pejorativos ou diminutivos, como “ceguinho”.

As aulas ministradas pelos voluntários podem durar até duas horas e, segundo os estudantes, ajudam na autonomia. Eles aprendem a conhecer os perigos escondidos em casa e na rua, além de fortalecerem os métodos para locomoção e redução de  acidente. Entre as atividades oferecidas pelo projeto estão  leitura, braille, gravação sonora de textos e prática.

Ana Carolina Pradela, 38 anos, é aluna há 16 anos no Clube do Ledor e hoje estuda psicologia no Centro Universitário IESB. Ela comemora o que aprendeu no clube. “Na rua tive diferenças boas porque agora posso me locomover sozinha, antes eu dependia muito da minha mãe, de outras pessoas. Agora posso ir ao mercado, voltar do mercado, ir pra faculdade a pé, pegar ônibus até a minha casa, coisas que eu não fazia”. Carol, como é conhecida, ressalta também a importância do voluntário em sua rotina: “além de ser muito amigo, ele me ajuda. Toda gentileza e proteção”.

O trabalho do voluntário é muito importante ao aluno, mas também beneficia quem está ajudando. É a opinião de Claudio Falcão, voluntário há 3 anos no Clube do Ledor. Ele ainda defende o respeito às diferenças. “Eu acho que a sociedade precisa olhar mais pelos deficientes, saber a importância disso aqui, se disponibilizarem pra ver nosso trabalho”, avalia.

Voluntário Carlos Falcão e aluna Ana Carolina. As aulas duram em média de duas horas e ja possuem três anos de relacionamento.

As aulas duram em média de duas horas,com uso de notebook, tablet ou livros

Além do aprendizado, o Clube do Ledor recebe muitas parcerias mesmo sendo pertencente à Secretaria de Educação do Distrito Federal. A presidente do Associação Amigos dos Deficientes Visuais, Maristela Batista, destaca a importância do CEEDV para os estudantes e voluntários: “Eu costumo falar que aqui abre portas pra gente conhecer o outro lado da vida. É ruim ser cego? É, mas não é impossível de você lutar pelos seus ideais”.

Participe!

O Clube do Ledor recebe doações de materiais acadêmicos e livros em braille. Qualquer pessoa pode ajuda com doações e também participar com voluntário. O horário de funcionamento é de 8h00 às 18h00, de segunda-feira a sexta-feira, na 612 Sul, no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais- CEEDV. Mais informações pelos telefones (61) 3345 1631, 3901 7607 e (61) 99984 1568.

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