Meio Ambiente

Aposentado planta no quintal de casa mudas de Ipê para doação

A iniciativa começou há 11 anos e já distribuiu mais de 70 mil mudas da planta

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#Ipês #mudas #planteumaárvore preservação

Branco, roxo, rosa e três tipos de amarelo. Estas são as espécies de ipês que o aposentado Rodolfo Prado cultiva no quintal de casa, no Lago Sul. A produção das mudas faz parte do projeto criado por ele há quase 11 anos, e já espalhou por todo DF mais de 70 mil plantinhas. A ideia é levar a árvore para fora da região central de Brasília.

Para receber a planta, a pessoa assume o compromisso de cuidar e garantir o crescimento da árvore. “Eu não quero doar para qualquer pessoa, preciso conversar, e ter a certeza de que ela vai plantar e acompanhar o crescimento”, afirma o aposentado. Além da muda, o “cuidador” também ganha uma plaquinha, na qual é possível registrar um nome a quem quer homenagear.

O processo de cultivo das mudas começa lá atrás, com o recolhimento das sementes. Prado passa pessoalmente em cada ipê e coleta favas, parte da planta que origina as sementes, no chão de árvores florescidas. A partir deste momento ele leva o material colhido e coloca em uma geladeira até serem plantadas. Depois, dependendo da demanda do aposentado, as mudinhas vão para uma estufa de 70 metros quadrados , feita por ele, para germinar as sementes.

Rodolfo já distribuiu mudas para eventos, colégios, e igrejas. Doações chegam a mais de 70 mil mudas

Rodolfo já distribuiu mudas para eventos, colégios, e igrejas. Doações chegam a mais de 70 mil mudas

 “A estufa tem capacidade para 25 mil mudas, mas hoje tenho plantadas só 3 mil”, diz. Rodolfo trabalha por meio de encomendas feitas e referências vindas de amigos. “Eu trabalho a partir do que vai chegando, já tive um casal que entregou de lembrancinha de casamento uma muda para cada convidado”, explica.

A cada dois meses é preciso trocar o saquinho com areia adubada para um maior até a muda ser plantada definitivamente pela pessoa que acolheu a planta. Tudo isso, Rodolfo faz questão de explicar para as pessoas em um cartão entregue junto com o presente.

O aposentado, mineiro de Belo Horizonte, diz que começou a se interessar pelo tema depois de chegar a capital em 1961 e se encantar pela beleza dos ipês. Rodolfo afirma que sempre quis fazer a diferença na sociedade, e encontrou na doação das plantas uma forma de contribuir para preservação do meio ambiente, além de construir um legado para as gerações futuras. “Eu costumo brincar com um frase de ‘O Pequeno Príncipe’ – você é responsável por aquilo que cultivas – então, para colher coisas boas no futuro, temos que trabalhar agora”.

Outro ponto que Rodolfo deseja implementar na capital é a arborização de mais áreas administrativas do DF. De acordo com o aposentado, as cidades mais distantes do centro possuem pouca ou quase nenhuma área verde. “Eu tento focar as doações para fora do Plano Piloto, vou em lugares como São Sebastião e Taguatinga, porque a gente caminha lá, e não encontra nada arborizado”, afirma.

Na estufa o aposentado é capaz de produzir cerca 25 mil mudas

Na estufa o aposentado é capaz de produzir cerca 25 mil mudas

A pedagoga Gisele Gonçalves foi uma das pessoas que já adotou e plantou uma mudinha. Ela diz que ações como a de Rodolfo ajudam a preservar mais o ambiente e evitar desastres naturais. “Em tempos em que é comum escutar sobre o aumento na temperatura da terra, iniciativas como essa me faz acreditar em um futuro mais verde”, afirma.

O psicólogo Rogério Ayres complementa que plantar uma árvore é ajudar no processo de reflorestamento. “É um dever nosso como cidadão, lemos muito sobre desmatamento, então dar vida a uma árvore é muito importante.”, diz.

Serviço

Projeto Ipês do Cerrado

Valor: Gratuito

Responsável: Rodolfo Prado

Contato: (61) 3272 7078

Email: minimudas@sagres.org.br

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