Cultura

Escola Rafael Rabello faz 20 anos

Em passagem por Brasília, Morais Moreira diz sentir orgulho do trabalho realizado no espaço

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A Escola Brasileira de Choro Rafael Rabello faz 20 anos em abril e se tornou o maior centro de aprendizado e difusão do gênero no Brasil. Em 2011, essa área no Setor de Divulgação Cultural passou a se chamar Espaço Cultural do Choro, um complexo onde hoje funcionam a Escola Rafael Rabello e o Clube do Choro. O cantor e compositor Moraes Moreira, que se apresentou  em Brasília em  fevereiro,  disse que o Clube do Choro e a Escola Rafael Rabello são um exemplo. “Em um momento em que a música brasileira se deteriora, poeticamente e musicalmente, e ainda faltam investimentos em música, esse trabalho que formou mais de mil excelentes músicos é inquestionável”.

Patrimônio Imaterial de Brasília, a Escola tem o projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Entusiasmado com o chorinho, durante a elaboração do projeto ele chegou a aprender cavaquinho.  O objetivo da escola é manter a memória musical do gênero, um dos mais significativos do Brasil. O conhecimento da história e da técnica de consagrados compositores, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Ary Barroso, Garoto, Radamés Gnatalli e Chiquinha Gonzaga é considerado fundamental para a formação de novos músicos.

No final do ano passado, o bandolinista Henrique Neto e o professor Eduardo Maia lançaram o livro “Manual do Choro”,  fruto de 19 anos de fundação da escola. O objetive é manter a tradição mas, de outra parte, permitir a modernização. Henrique Neto, formado em música pela Universidade de Brasília, foi professor e coordenador da escola. Ele toca desde os 13 anos e é filho de Reco do Bandolim, fundador da instituição.

Além dos dois, Fernando César, Sérgio Morais e Ivaldo Gadelha, mestres de instrumentos tão diversos, também têm em comum o ensino do chorinho.Fernando César é um dos mais antigos professores de violão da escola. Ele vem de uma família de músicos e, ainda menino, já se apresentava no Clube do Choro com o grupo o Dois de Ouro, integrado também pelo  irmão Hamilton de Holanda, bandolinista conhecido no Brasil e exterior. No fim do ano, Fernando César lançou um novo disco com a banda Regional, “Tudo Novamente”, em comemoração aos 35 anos de carreira.

Flautista com formação erudita, Sérgio Morais deixou a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro quando se apaixonou pelas possibilidades do chorinho. Há 17 anos, ele se dedica ao ensino. “O Chorinho é um dos gêneros mais agregadores da música brasileira. Capaz de promover socialização entre pessoas de diversas idades e formações”, diz Sérgio. “É fácil encontrar nas rodas de choro um mestre do violão de 7 cordas tocando com um menino de 12 anos no cavaquinho e um empolgado pandeirista iniciado há um mês”, completa. A lista de professores e alunos renomados é gigante e inclui mestres como Ivaldo Gadelha, Sivuquinha e Gabriel Carneiro. Reco do Bandolim não esconde o orgulho com os professores da escola. “São altamente qualificados”.

A história

Jornalista e músico, Henrique Filho, conhecido como Reco do Bandolim, conta que ouviu o instrumento pela primeira vez no início dos anos 70 no Teatro ICBA – Instituto Cultural Brasil Alemanha, apresentado por Moraes Moreira e Armandinho Macedo, em Salvador. Quando chegou em Brasília, em 1974, deslumbrado pelo estilo, ainda não se ouvia falar em chorinho e não havia cursos específicos para a prática. Com a ajuda do amigo Ney Rosauro, compositor e percussionista, que deu a ele o primeiro bandolim, e um tio que emprestou a coleção de Jacob do Bandolim, Reco se tornou autodidata, como famosos chorões. Ele conta que sofreu para entender a afinação do instrumento, que era completamente diferente, igual a do violino.

Em 1993, assumiu a presidência do Clube do Choro, já conhecido como Reco do Bandolim e consagrado como músico. A primeira ação dele foi elaborar o projeto da escola com os também jornalistas Rui Rabello e Carlos Henrique Santos. Foram quatro anos trocando ofícios com várias instituições do governo. A Escola de Música de Brasília já oferecia diversos cursos, mas não tinha um núcleo específico para ensinar o chorinho. Foram meses indo à Câmara Legislativa diariamente para visitar um a um dos deputados, até conseguir a aprovação para a criação da escola. Rafael Rabello foi dos mais importantes violonistas do país. Ele morreu em 1995, de insuficiência respiratória, três anos antes da inauguração da  escola. “Ele era um amigo inestimável, a escola receber seu nome é uma homenagem mais que justa”, conclui Reco.

Serviço

No primeiro sábado de cada mês, a partir das 10h, há sempre uma grande roda de choro na escola. Todos são bem-vindos.

Cursos: bandolim, violão de seis e sete cordas, cavaquinho, pandeiro, saxofone, flauta transversal, e ainda aulas teóricas, como a musicalização infantil, música e cultura popular brasileira, apreciação e história do choro e prática em conjunto.

Inscrições: dezembro e julho.

Contato: Setor de Divulgação Cultural, Lote 3, telefone 61 3226-3969

 

 

 

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