Economia

Franquias são desafios para empresas e empresários

Especialistas apontam que pesquisa de mercado é fundamental para um negócio lucrativo

Aplicar em franquias tem sido cada vez mais comum para quem busca evitar riscos. No entanto, há desafios para franquias e franqueados. No atual cenário, esse tipo de investimento aposta na interiorização, crescendo em pequenas localidades. Apesar de seguir a regra, a empresária Waleska Oliveira Rezende se decepcionou com uma franquia de sapatos. Por orientação da empresa, ela investiu na loja em um shopping fora do Plano Piloto. O valor do produto era alto para a região e ela não conseguiu manter a loja. “Foi uma frustração”, comenta.

A aliança da franqueadora e franqueados é apontada como a principal virtude que qualquer marca pode ter, na avaliação do diretor de expansão do Giraffas, Eduardo Guerra. “Em contrapartida, também pode ser considerada uma das grandes dificuldades de um franqueador, já que estamos falando de algo que é gerado com base nos vários desafios do dia a dia”, completa Eduardo. O Giraffas foi fundado em Brasília em 1981, e hoje é a maior rede de fastfood com capital 100% nacional. A rede possui 395 unidades. Em 2017, terminou o ano com saldo positivo de abertura de 24 lojas.
Em geral, os principais riscos para o franqueado são: investimento em uma marca com pouco tempo de mercado; existência de custos adicionais não previstos no planejamento e contrato, como surpresas na obra; distanciamento do franqueador; e a falta de exclusividade territorial. A maioria dos contratos prevê um acordo de preferência, mas não de exclusividade. Esse é o quesito de maior ocorrência judicial.

Para os franqueadores, o problema é a descaracterização do layout da loja ou a quebra de contrato por venda de mercadorias não licenciadas. Além disso, a falta de experiência, sociedade recém constituída, e, principalmente, quando o investidor não se dedica ao negócio. Dedicação não foi o que faltou a Waleska, franqueada também da marca Morana, de bijouterias. Segundo ela, o valor do produto é justo e o suporte do grupo é ótimo. A Morana faz parte do Grupo Ornatus, do sul coreano Jae Ho Lee, que atua há 30 anos no mercado e possui também marcas como a Balonè, acessórios infantis, e o restaurante Little Tokyo. Um dos aspectos considerados fundamentais para sobrevivência desses operadores é, antes de tudo, uma boa formação empresarial. “Uma  boa opção para quem está começando é o curso Empretec, de capacitação do Sebrae”, diz Waleska.

O  economista e consultor Felipe Guarçoni observa que existem ótimas franquias, mas, ainda assim, é preciso fazer um estudo de viabilidade do negócio com um profissional isento. “Muitas vezes os números apresentados por um franqueador, ou uma pesquisa, representam apenas um dos índices que devem ser analisados”. Além disso, há um universo de custos que o novo empreendedor precisa estar ciente, como nas locações de shopping, que em dezembro o aluguel é dobrado. “As franquias querem expandir e vender. Faz parte do planejamento delas. Quem entra no ramo precisa estar preparado para ganhar a longo prazo”, completa.

Alguns contratos de franquia estabelecem uma cláusula de arbitragem, coisa que muita gente desconhece. Uma delas prevê que, em caso de conflitos, eles serão resolvidos nas Câmaras de Arbitragem que são mais rápidas. No entanto, é mais caro e dificulta que o franqueado entre na justiça comum.

Normas do setor

A Lei 8.955 de franquias tem como objetivo garantir a transparência, obtida por meio da COF (Circular de Oferta de Franquia), desenvolvida pelo franqueador. No documento devem constar todas as condições, aspectos legais, obrigações, deveres e responsabilidades das partes.

Os consultores do ramo de alimentação Luciana Felix e Márcio Mazolla da Cazarrara sugerem aos investidores que procurem informações sobre a marca. Segundo eles, são importantes dados financeiros, contatos com outros franqueados e, principalmente, os que se desligaram do negócio. Essas informações obrigatórias fazem parte da COF, fornecido pelo franqueador. A Associação Brasileira de Franquias (ABF) é a entidade que promove ações para o desenvolvimento do sistema no Brasil. Os associados devem observar o Código de Conduta e Princípios Éticos da instituição. A diretora da ABF Centro-Oeste, Claudia Volpato, explica que embora a associação não seja um órgão regulador, estabelece parâmetros mínimos de qualidade para se associar.

A instituição oferece às melhores franquias um Selo de Excelência em Franchising, no qual as redes são avaliadas anualmente. “Os franqueados respondem perguntas básicas sobre o índice de satisfação do negócio e principalmente a atenção recebida do franqueador. Só recebem o selo os que atingirem as maiores notas”, detalha Cláudia.

Pesquisa

A ABF divulgou em janeiro os números das pesquisas e estudos que fazem um perfil do mercado. Os segmentos de maior participação são: alimentação, 34%; serviços educacionais, 18%; saúde, beleza e bem estar, 16%; e moda, 14%.

São Paulo é o estado que lidera como origem das franquias nacionais com 72 % , sendo que a região centro oeste tem 6% dessa distribuição. As franquias com mais de dez anos chegam a 66%. Entre os empreendedores, 82% são homens.

As franquias com maiores números de lojas no Brasil são: O Boticário, com 3.762, AM PM Mini Market, loja de conveniência dos Postos Ipiranga, 2.415, seguida pela Cacau Show com 2.081, e Mc Donald’s ,com 2.009 unidades.

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