Entrevistas

‘Nossa música é a realidade que a gente vive na periferia’

Atitude Feminina, grupo de rap do DF, retrata a realidade da violência contra a a mulher e as consequências

Tags:
atitude DF feminina feminino rap

Formado em 2000 por quatro amigas de São Sebastião, o grupo de rap Atitude Feminina é o primeiro do Distrito Federal. Atualmente com duas integrantes, ele surgiu de um episódio de preconceito contra a mulher no rap. Desde então, representa a luta contra a violência contra a mulher, por meio das letras, que tratam da conscientização em busca das consequências do crime. As canções Rosas, Enterro do Neguinho, De que vale o crime? acumulam mais de 10 milhões de visualizações no youtube. O sucesso atravessou o DF e hoje o grupo se apresenta em vários estados. O Atitude Feminina foi atração principal em evento Hip Hop Mulher 2018 – a ocupação. As rappers Ana Cecília Silva, a Aninha, e Hellen Rosa Silva, ambas com 35 anos, contam a trajetória do grupo, a seguir, a entrevista exclusiva ao Portal de jornalismo do IESB.

- Portal de jornalismo do Iesb. Como surgiu o grupo?

-Hellen: O grupo Atitude Feminina surgiu de um preconceito. A Jane (ex-integrante) queria cantar rap com o irmão dela. Eles já tinham um grupo, e os meninos não aceitaram que ela entrasse, por ser menina. A gente estudava no mesmo colégio e ela ficou muito chateada com isso, e a gente falou: vamos montar um grupo só de mulher. Aí me chamaram, a Jane e a Giza (ex-integrante). Sentamos nós três e começamos a discutir as ideias do grupo.

-Como o rap feminino impactou o rap aqui do DF?

- Aninha: O rap feminino tem ganhado espaço, cada dia que passa a gente realmente tem metido o pé na porta, e mostrado que nós somos capazes. A gente está conquistando nosso espaço, mas tem muito que conquistar ainda. Muitos eventos  contam com quase 100% da presença masculina. Então as mulheres tem que ser mais inseridas, sim.

- As canções da Atitude falam das consequências do crime, vocês veem alguma relação com a realidade do entorno do DF?

-Aninha: Eu acho que sim. A violência no Distrito Federal está muito alta. Todos os dias há homicídio. Pelo jornal sai que uma mulher foi agredida a cada cinco minutos no Brasil. A nossa música é a realidade que a gente vive na periferia. A gente tem medo agora até de sair de casa.

-Vocês exercem outra profissão além de cantar?

-Aninha: Sou funcionária do GDF, trabalho no setor de cadastro de artistas.

-Hellen: Sou apenas cantora.

-Como o grupo divulga o trabalho? É difícil se manter?

-Hellen: Nós não temos gravadora, “é nós por nós”, e é bem difícil. Não é só por ser mulher, em si. É bem difícil aqui no DF, realmente ainda tem que muito  que se melhorar.

-Como é vista a questão do empoderamento feminino? As mulheres conquistando mais espaço? Como isso impactou?

-Aninha: A mulher tem que invadir tudo, eu acho que essa palavra é muito forte: Empoderamento.  Acho que é quando você coloca para você: eu sou mulher. Aí você se impõe, na sociedade, na escola… Vai estudar, vai correr atrás dos sonhos. Significa não a gente querer, ninguém toma espaço. O espaço é do mundo e não só de uma pessoa só.

-Há falta de reconhecimento do rap local no DF?

Hellen: Sim, existe sim. Apesar de que anos atrás o rap explodiu aqui no DF, mas eu acredito que sim, como nós ainda estamos distantes das grandes emissoras  de TV. Os grupos de São Paulo e do Rio são os mais beneficiados. Eu acho que Brasília não valoriza muito a cultura, ainda falta reconhecimento. Ainda tem a questão mais enraizada, aqui a gente tem que batalhar muito pela cultura.

-Quais os lugares que o Atitude já se apresentou?

-Hellen: Nós já rodamos o Brasil inteiro, inclusive já fizemos shows no exterior, a gente cantou em Cabo Verde, na África, mas em todos os estados a gente já passou.

-Como foi a influência para as meninas, um grupo de mulheres no rap?

-Hellen: As meninas dizem “escuto você desde os meus onze anos”, “vocês são referência no rap”. Então é muito gratificante a gente escutar isso, eu acho que é isso que motiva a gente a continuar até hoje na batalha.

-As músicas de vocês falam sobre a violência contra a mulher, em especial a música Rosas, vocês têm algum projeto para divulgar a causa?

Hellen: A música Rosas veio numa época muito difícil da nossa vida, de todas nós, quando éramos quatro. A gente não tinha um projeto, mas é aquela coisa: todo projeto tem início, meio e fim. A gente ia muito em colégios, falar sobre violência, fazer campanha contra a violência, alertar o tempo todo.

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Cultura
O taxidermista César Leão em seu ambiente de trabalho Brasília conta com dois museus de taxidermia
Ciência e Tecnologia
Telescópio do Planetário de Brasília Descubra qual a possibilidade de um meteoro atingir a Terra
Esporte
IMG_4988 Distrito Federal pode ser representado no skate na próxima Olimpíada

Mais lidas