Turismo e Lazer

Brasília do alto: ônibus de City Tour na capital é difícil de encontrar e custa caro

Baixa temporada e poucos eventos na cidade explicam a pequena oferta

O casal de Porto Alegre, Nayara e Henrique, aprovaram o passeio

O casal de Porto Alegre, Nayara e Henrique, aprovaram o passeio

As capitais mundiais podem ser conhecidas de muitos ângulos e formas quando se fala em turismo, mas são os ônibus de City Tour que mais chamam atenção nesse aspecto. Com dois andares e guias em diversos idiomas, esses veículos passam por pontos turísticos clássicos. Contudo, há entraves na rota quando se refere à capital brasileira. Há poucas opções de fácil acesso ao turista e o serviço costuma ser caro.

A reportagem do Portal de Jornalismo IESB pesquisou as diferentes empresas que oferecem o serviço na cidade. Embora a Secretaria Adjunta de Turismo do Governo do Distrito Federal informe que 400 agências estão cadastradas para esse fim e que 20 tenham frota própria, não é fácil encontrar. Pela internet, o serviço de City Tour costuma ser voltado para grupos fechados de turistas, famílias ou hóspedes de hotéis. O preço é salgado, chegando a R$ 70 por adulto (ou meia-entrada para idosos e crianças). Sem “quórum”, o ônibus não sai da garagem.

Motorista Francisco Leão, de 55 anos, trocou as estradas pelo roteiro de City Tour.

Motorista Francisco Leão, 55 anos, trocou as estradas pelo roteiro de City Tour.

A saída pode ser optar pelos passeios das empresas mais famosas, com pontos de venda físico na cidade. Elas seguem rotas similares, partindo da Torre de TV, na zona central do Plano Piloto, passando pelo Estádio Mané Garrincha, o Museu JK, a Catedral de Brasília, o Congresso Nacional, a Ponte JK, os palácios do Alvorada e do Planalto. A viagem se encerra geralmente no ponto de partida, muitas das vezes no setor hoteleiro norte.

A experiência pode render bons cliques e dar um panorama bem resumido da cidade para o visitante. Em duas horas, o casal de médicos residentes Nayara Chaves (28) e Henrique Saboia (29), moradores de Porto Alegre (RS), participou de um desses passeios: “O serviço é interessante. Dá pra perceber, de modo geral, que a cidade é bem organizada”, disseram. O auxiliar administrativo carioca Isan Junior, de 25 anos, gostou do serviço e da Praça dos Três Poderes: “Bem legal, dinâmico e rápido”, garantiu.

A guia de turismo e gerente da Catedral Turismo, Marlene Gonçalves, destaca que o serviço de City Tour em Brasília vem sofrendo com a baixa temporada e, por conta disso, menos opções ficam disponíveis ao turista: “A cidade vive de eventos. Sem essa estratégia, é complicado ter o City Tour em boa forma. A demanda caiu muito”, explica.

Ainda segundo ela, na Copa do Mundo, sua empresa chegou a vender mais de 30 mil ingressos. Nos últimos meses, não passa de 600: “A modernidade impacta também. Muita gente que participa desses serviços está de passagem pela cidade e precisa conhecer tudo rápido. Só que as reuniões e os encontros viraram conversas por videoconferência”, lamenta.

A relação demanda e oferta fica clara com o diagnóstico do relatório do Conselho Mundial de Viagens e Turismo publicado no fim de 2016. Apesar do “boom” na Copa de 2014, a cidade não conseguiu manter o fluxo de turistas ao longos dos anos. Ruim para quem depende do turismo para o negócio, como a Marlene, e péssimo para quem quer ver a capital de todos os ângulos, de modo prático e sentado no segundo andar de um dos famosos ônibus de City Tour.

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