Cidadania

Projeto social oferece treinamento para alunos paraplégicos

A modalidade de paracanoagem é ministrada gratuitamente no Clube da Aeronáutica

O projeto social Psmultiesportes tem o objetivo de treinar gratuitamente atletas paraplégicos na modalidade de paracanoagem. O projeto oferece aulas gratuitas todos os dias da semana para a equipe de oito para-atletas.

O instrutor e idealizador do projeto, Paulo Cabral Salomão, 37 anos, é morador da Colônia Agrícola de Vicente Pires e professor formado em Educação Física. “É um projeto de alto rendimento. Sempre tentamos buscar pessoas com potencial para disputarem campeonatos internacionais, regionais, brasilienses e a Copa Brasil. Vamos correr atrás da nossa vaga nas olimpíadas de 2020”, afirma o professor.

O projeto

O projeto está em vigor há 2 anos como escola e há 3 anos fornecendo treinamento de para-atletas. A equipe é composta também por alunos não portadores de necessidades especiais que possuem nome na canoagem brasileira, dando, então, mais visibilidade ao projeto e à marca. Grande parte dos alunos representam o DF em competições nacionais e internacionais. No total, o Distrito Federal conta com 12 para-atletas nessa modalidade.

Instrutor Paulo Salomão preparando os alunos para remar

Instrutor Paulo Salomão preparando os alunos para remar

Os alunos contam com dois caiaques oficiais, provenientes de um contrato de comodato com a Confederação Brasileira de Para-Canoagem (CBCA), e os outros não oficiais são utilizados para treinar os alunos iniciantes. O projeto conta também com o apoio do Clube da Aeronáutica, fornecendo o espaço à beira-lago para a equipe.

“Recebemos ligações todos os dias de pessoas com potencial e interesse atrás das aulas. Se nós tivéssemos uma ajuda financeira, teríamos facilmente mais de 20 alunos”, afirma o instrutor.

A reabilitação

A maioria dos alunos da escola de para-canoagem passou por reabilitação no hospital Sarah Kubitscheck, referência no tratamento de lesões na medula óssea. No próprio hospital, já existe um primeiro contato com a paracanoagem. Depois de  serem incentivados a experimentar vários outros esportes, os pacientes podem se identificar com um deles e seguir na prática.

Aluno Uilian Ferreira

Aluno Uilian Ferreira

O aluno Uilian Ferreira Mendes, 25 anos, morador do Vale do Amanhecer, sofreu uma lesão de moto há 3 anos, quando perdeu o movimento total das pernas. Após o acidente, Uilian relata que entrou em depressão,  tornou-se usuário de drogas e acabou indo morar na rua. Meses depois, foi internado no Sarah Kubistchek, local onde conheceu o projeto. “Comecei a remar não para ganhar dos outros e, sim, para ganhar de mim mesmo. A sensação de liberdade e força é muito intensa quando estamos praticando o esporte. Quando tenho dinheiro, venho treinar todo dia”, afirma Uilian.

Outro integrante da equipe, Rodrigo Aparecida, 36 anos, morador do P Sul, perdeu o movimento das pernas devido a um acidente automobilístico. Rodrigo faz aula de caiaque profissional há um mês, mas teve seu primeiro contato com a modalidade também no hospital Sarah Kubitschek. “As portas meio que se fecham quando você fica nessa situação. A única luz que a gente consegue ver é a força de vontade que o professor Salomão transmite para a gente, dispondo o tempo dele para poder nos ajudar”, explica o aluno com felicidade.

Aluno Rodrigo Aparecida

Aluno Rodrigo Aparecida

Segundo o instrutor, o primeiro ano após a lesão é o mais complicado. “Eles descreditam da vida, perdem sua identidade, a vontade de viver. Quando saem de suas casas para vir treinar com nossa equipe, passam a ver e a acreditar novamente que podem se tornar campeões neste mundo. Os treinos melhoram muito a auto-estima, não só no esporte, como na vida também”, finaliza.

 

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