Saúde

Sem especialistas em áreas isoladas do País, Telemedicina cumpre desafio em atendimento

Modelo move mais de U$ 20 bilhões e chega a 7 milhões de pacientes no mundo

Quando as contrações no útero chegaram a um estado enlouquecedor, Valdirene Alves da Silva, de 35 anos, estava em Valparaíso (GO). Com uma gravidez de risco, era impossível se deslocar ao Hospital Municipal Céu Azul, que fica a poucos quilômetros de onde mora. Isolada demais para ter seu parto numa unidade pública de saúde, coube a um grupo de policiais militares do batalhão local acudir a gestante. E com um detalhe curioso: a ajuda de um médico por telefone, orientando todos os passos, no serviço que se conhece por Telemedicina.

Na prática, o modelo da Telemedicina rompe barreiras físicas e espaciais ao “transportar” o profissional de saúde para perto do paciente. Entre os recursos utilizados estão comunicação por videoconferência ou aparelhos mais modernos, com transmissão em tempo real de cirurgias e braços robóticos como extensão do especialista. Esse expediente tem sido usado até para diagnósticos, com médicos avaliando exames em tempo real e a distância. Mas a regra é clara: na ponta receptora do serviço tem de que haver um médico ou profissional de enfermagem capacitado para dar conta do recado.

A Telemedicina já existe no Brasil desde a década de 90, mas só foi regulamentada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 2011, através da Lei 12.551. Em Brasília, o governo estabeleceu parceria com o Hospital do Coração, em São Paulo. Milhares de exames de eletrocardiograma chegaram a ser feitos a distância, nos quais cardiologistas paulistas avaliavam doentes candangos. Atualmente, a Secretaria de Saúde do GDF diz que o modelo de Telemedicina só é praticado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A média é de 60 mil atendimentos por mês.

Mas será que um procedimento de saúde como esse pode ser feito sem riscos para o paciente? O médico sanitarista Pedro Tourinho avalia que sim: “A Telemedicina não traz precariedade ao atendimento, pelo contrário, consegue dar mais qualidade à Atenção Básica, à saúde da ponta, que é onde começa a bola de neve do SUS”, diz.

O médico Michael Kapps, do programa Tá Na Hora Saúde Digital, faz coro ao colega: “Os argumentos contra a Telemedicina são fracos. É verdade que há um problema potencial de fraude médica e riscos de segurança de dados, mas esses riscos existem no mundo físico também. Não há com ir contra a tecnologia”.

O mercado da Telemedicina também é um filão. Segundo dados da empresa Morsh, o serviço movimenta mais de 20 bilhões de dólares no mundo. No estudo de 2016, “Mercados Globais para Tecnologia em Telemedicina”, do instituto de pesquisa BCC Research, os hospitais e clínicas dominam a maior parte do faturamento: U$ 8 bilhões. O resto se divide em empresas de Tecnologia da Informação e de desenvolvimento de equipamentos. Só em 2018, pelo menos 7 milhões de pacientes passarão por uma consulta de Telemedicina. Possivelmente, em breve, um deles será você.

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