Ciência e Tecnologia

Tecnologia criada por estudantes de Brasília ajuda autistas a reconhecerem expressões faciais

Software Expressar é um apoio pedagógico com dezenas de imagens que retratam sensações de sorriso, raiva, medo e choro.

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Os estudantes de Ciência da Computação (CIC) da Universidade de Brasília, Diego André Santos e Wellington Sousa, desenvolveram como trabalho de conclusão de curso, um software voltado para autistas. A ferramenta de apoio pedagógico trabalha expressões faciais em estudantes autistas clássicos, categoria com maior nível de comprometimento e que requer trabalho educacional específico.

O autismo, cientificamente conhecido como Transtorno de Espectro Autista, é uma síndrome caracterizada por problemas na comunicação, na socialização e no comportamento, geralmente diagnosticada entre os 2 e 3 anos de idade. Esta síndrome faz com que a criança apresente algumas dificuldades, como expressar ideias e sentimentos, sentir-se desconfortável em interagir socialmente, manter pouco contato visual, ter dificuldades na fala, além de apresentar movimentos repetitivos e estereotipados.

Diego André Santos e Wellington Sousa, desenvolvedores do software

Diego André Santos e Wellington Sousa, desenvolvedores do software Expressar

O software Expressar apresenta fisionomias de sorriso, choro, raiva e medo. São utilizados vídeos de atores e fotografias reais, abrangendo uma diversidade de rostos de pessoas de várias idades e etnias. O objetivo é que o usuário autista possa reconhecer tais expressões nos ambientes que frequenta.

A criação do software durou um ano e meio e Wellington diz que o maior desafio foi se colocar na posição da pessoa com autismo. “Foi um aprendizado muito bom, porque ao mesmo tempo que colocamos em prática os conhecimentos acadêmicos, aprendemos muito sobre essas pessoas, suas realidades, como se relacionam e suas limitações. É um projeto que vai melhorar a vida de muita gente”, completa.

Mara Rúbia Martins, professora da rede pública de ensino do Distrito Federal e especialista em autismo, diz o quanto essa tecnologia é importante, tanto para a pessoa na sala de aula, quanto para ser inserido na sociedade. “Quando o autista vê alguém sorrindo, pode identificar que é um momento de prazer e satisfação e, inclusive, imitar a pessoa. De alguma forma, esse processo pode incluí-lo na sociedade, porque a criança ou o jovem compreende as expressões e tem suas primeiras interações”, explica Mara.

Crianças fazendo uso do software

Crianças do ensino fundamental fazendo uso do software nas escolas

Projeto Participar
O Projeto Participar foi criado há cinco anos, com o objetivo de desenvolver tecnologias inéditas no Brasil, que visam colaborar com o trabalho didático e pedagógico de conteúdos voltados para jovens e adultos com deficiência intelectual e autismo. O projeto tem outros softwares criados, além do Expressar, como: Participar, que é voltado para a alfabetização; Somar, que é sobre aplicabilidade social da matemática e o Aproximar, que trabalha gestos sociais para autistas clássicos.

O coordenador do Projeto Participar, professor Wilson Veneziano, comemora a positividade da tecnologia e se diz orgulhoso de ver em como esse projeto está ajudando professores e familiares que buscam maior independência para as pessoas autistas. “As escolas ainda estão aprendendo a lidar com autistas. As famílias estão sedentas por recursos, por qualquer coisa que possa auxiliar”, explica.

Atualmente foram contabilizados os seguintes dados: 310 downloads por professores de escolas regulares, 39 downloads por professores de ONGs, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que é uma associação em que, além de pais e amigos dos excepcionais, toda a comunidade se une para prevenir e tratar a deficiência e promover o bem estar e desenvolvimento da pessoa com deficiênci;a e 144 downloads por familiares de pessoas com deficiência.

Serviço:
Todos os softwares citados na matéria, estão disponíveis gratuitamente para download no portal do projeto Participar.

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