Educação

Alimentos empoderadores

A decisão por hábitos saudáveis nasce do cidadão consciente

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Com a voz serena e os panfletos a postos, Gabriela Pawlak tomou a cadeira para um bate-papo sobre educação alimentar e nutricional e disparou: “É uma questão de escolhas. Escolhas conscientes”. O gancho para a conversa foi conciso e ela, direta ao ponto. A pequena sala de atendimento do Hospital Regional da Asa Norte fora composta por mais quatro residentes de nutrição, a professora-nutricionista e duas pacientes. Depois de ajeitar os materiais acadêmicos na mesa, a estudante de nutrição da Universidade de Brasília e a professora perguntaram em uníssono: “O que você quer saber?”

Portal do Ministério da Saúde disponibiliza ao cidadão versões eletrônicas de guias nutricionais

Portal do Ministério da Saúde disponibiliza ao cidadão versões eletrônicas de guias alimentares

Há doze anos, o Ministério do Desenvolvimento Social lançou o “Marco de Referência em Educação Alimentar e Nutricional”. O documento, revisado por comissões técnicas e profissionais da saúde ano após ano, conta com nortes para as políticas públicas sobre a alimentação adequada aos brasileiros. A proposta: incentivar o diálogo público sobre a qualidade da alimentação do brasileiro e políticas públicas ligadas à vida saudável.

Mas o que de fato seria educação alimentar e nutricional (EAN), base deste documento público?

Segundo o Ministério da Saúde, a educação alimentar e nutricional “se configura como um campo de conhecimento e prática contínua e permanente, intersetorial e multiprofissional, que utiliza diferentes abordagens educacionais. São ações que envolvem indivíduos ao longo de todo o curso da vida, grupos populacionais e comunidades, considerando as interações e significados que compõem o comportamento alimentar.”

“É quando você explica o porquê das coisas. É uma construção de conhecimento”, explica Mariana Melendez Araújo, nutricionista e professora do curso de nutrição da UnB. Para ela, cidadãos educados alimentar e nutricionalmente são aqueles que, de fato, entendem as informações nos rótulos dos produtos e passam a enxergar a variedade de alimentos nos supermercados, por exemplo.

“Quando a gente não sabe, é igual analfabeto. E quando a gente é analfabeto e passa por um letreiro na rua, não observamos nada porque a gente não sabe o que está escrito”.

E a adesão, destaca, é outro ponto importante. “Quando você sabe sobre alguma coisa, a facilidade que você tem de continuar melhorando aquilo em você é maior”, exemplificou a profissional em meio às residentes de nutrição.

Enquanto disciplina, a educação alimentar e nutricional integra como matéria obrigatória dos cursos de nutrição. Gabriela lembra que muitas das ações e campanhas de conscientização realizadas pelo departamento de nutrição da Universidade de Brasília se fundamentam em premissas básicas da educação alimentar e nutricional.

Aprendizado contínuo: Professora e alunas de nutrição da UnB atendem pacientes no HRAN

Aprendizado contínuo: Professora e alunas de nutrição da UnB atendem pacientes no HRAN

“O que aprendemos em sala e repassamos nas feiras de saúde e oficinas são informações sobre nutrição e alimentação adequada e saudável. Conscientizamos e esperamos que as pessoas alcançadas exerçam o direito de escolha sobre o que consumir”, diz a estudante.

“E qual o benefício da educação alimentar e nutricional?, você pergunta”. Empoderamento é a resposta, segundo Gabriela.

A voz, agora firme e pontual, entregara o clímax da conversa. Todo o discurso da dupla parecia se resumir sobre a questão de empoderamento.

“Empoderada, porém, em formação acadêmica”, brincou a estudante junto às demais residentes.

Incômodo. O que ambas haviam ambicionado desde o início da conversa era incomodar. Nem mesmo as outras duas pacientes presentes, ali, na salinha, conseguiram disfarçar o leve desconforto que havia sido instaurado. Um desconforto oriundo da relutância por buscar conhecimento legítimo de profissionais ou de fontes credíveis de informação.

E foi assim, com um sorriso e um singelo aperto de mãos que entendi meu diagnóstico: Sou ignorante.

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