Cidades

Aumento de passagens desagrada moradores do entorno

Passagens chegam a custar R$ 7,00

No último dia 18, as passagens do entorno do DF ficaram mais caras. A medida foi tomada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e afetou negativamente moradores que precisam se deslocar para o Plano Piloto diariamente. O lavador de carros Edson Barbosa, conhecido como Edinho, mora em Planaltina de Goiás. A linha que o leva ao trabalho teve aumento de R$0,35. “Já era caro, agora ficou caro demais. Eu fico por aqui pra evitar pagar porque são quase 14 reais por dia”. Edinho dorme em um pequeno barraco improvisado. “Vou pra casa no final de semana, porque dá 81 reais de passagem por semana”. Além do preço, Edinho aponta outros problemas no transporte público, “É caro, longe e você ainda vem em pé!”.

“Aumenta a passagem e não têm ônibus”, reclama Antônio José da Silva, 45, porteiro de um prédio residencial localizado no Plano Piloto. “Eu saio 4h30 da manhã pra chegar aqui 7 horas e pego dois ônibus pra voltar”. Ele explica que o último ônibus direto é às 18h20 e seu horário de trabalho é até as 19 horas. Residente em Valparaíso de Goiás, Antônio passou a pagar R$ 0,20 a mais na passagem. Além do transtorno causado pelo aumento, ele conta que anda mais de um quilômetro pra pegar o coletivo na garagem e conseguir vir sentado. Por dia, o deslocamento de Antônio custa R$ 12,70. Ele teme que o reajuste faça com que os patrões dêm preferência a empregar quem mora mais perto do local de trabalho.

O proprietário de uma lanchonete na Asa Norte reforça esse impasse. Edson Donizete, 55, afirma que o aumento tem um impacto grande. “É pouco no dia a dia, mas no final do mês dá uma diferença bem alta”. Dois dos seus funcionários moram no entorno: “no final do mês da quase R$100 reais de aumento pra cada um. Fica bem complicado pra gente manter esse funcionário”. Ele afirma ser mais vantajoso contratar moradores do DF, pois o que é economizado com passagem pode ser investido no estabelecimento.

Cleidson Oliveira da Silva, 20, vende caqui nos semáforos de Brasília. “Está ruim demais”, diz ele sobre o aumento de R$0,40. Morador de Luziânia, tenta carona com o tio pra não sair no prejuízo com o novo preço. “Quando o carro está cheio, não tem como, aí tenho que vir de ônibus. Temos que trabalhar de todo jeito”, lamenta o jovem, que paga a passagem com dinheiro do próprio bolso.

A ANTT informou que o objetivo do reajuste é manter o equilíbrio econômico e que “o cálculo da tarifa é feito levando em consideração a totalidade dos custos da operação, que inclui combustíveis, lubrificantes, peças, acessórios, veículos e despesa com pessoal”.

 

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