Cultura

BATALHAS INVADEM A CAPITAL

Encontros de MCs transformam o cenário cultural de Brasília com as rimas do hip-hop

Tags:
#Batalhas #HipHop Cultura

O hip-hop ganhou o cenário nacional e os espaços de Brasília. A capital é um dos principais locais na produção de hip-hop. Devido ao ambiente politico, o vínculo do rap de contestação é muito forte aqui. Dentro desse estilo, temos várias discussões: racismo, misoginia e política estão entre os outros temas que vão surgindo a cada verso.

O público que decide qual MC vai para a próxima etapa

O público que decide qual MC vai para a próxima etapa

A batalha de MCs é oriunda das tradicionais disputas de freestyle – forma espontânea  de fazer um dos cinco elementos -,  é um duelo entre dois candidatos  onde vai ser analisado a rima que mais se destacou no embate. O voto pode ser popular ou de jurados especialistas.

E as histórias contadas por meio da rima e do duelo têm movimentado e atraído o público da capital. Hoje, são cerca de 35 batalhas distribuídas nas 31 regiões administrativas do DF. Todo dia tem um duelo em algum lugar diferente. As batalhas de MCs ocupam praças, estações de metrô, escolas e áreas turísticas de Brasília.

No centro da capital, por exemplo, todo domingo às 16 horas as rimas tomam conta dos prédios criados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Na Batalha do Museu, música, skate e rimas dão estilo ao branco da Biblioteca e do Museu Nacional. Amantes do Hip-Hop se reúnem para assistir aos duelos, que vão além da diversão.

Os irmãos José Antônio e Danilo Moura não perdem as batalhas

Os irmãos José Antônio e Danilo Moura não perdem as batalhas

Os irmãos e MCs Danilo Moura (23) e José Antônio(19), além de promovem batalhas no Sol Nascente, local onde moram,  frequentam a Batalha do Museu  há 3 anos. Danilo Moura acredita que o hip-hop é uma forma de resgate e aproximação dos jovens com a cultura, principalmente em comunidades que não possuem muitas áreas de lazer, como o próprio lugar de moram.

“Na rua, o que representa mesmo são os movimentos de batalha, que você conhece de vista quem está vindo movimentar, mas também tem uma amplitude musical que está crescendo em escala musical. Hoje você escuta  Emicida na novela. Então, existe tanto essa movimentação para fora quanto essa mobilização local”, explica Danilo Souza, MC Oli Naad.

BATALHA E UNIVERSIDADE

Na Universidade de Brasília, o hip-hop também ecoa entre os prédios.  Os amigos e estudantes de Comunicação Pedro Aleen e André Bezerra iniciaram de forma despretensiosa um projeto que se tornou conhecido na universidade. A Batalha da Escada surgiu a partir de encontros singelos de freestyle, nos quais os amigos rimavam. Os encontros chamavam a atenção de quem passava pelos corredores da UnB e começaram a reunir cada vez mais gente.

Com os encontros cada  vez maiores, as rampas do ICC Norte foram substituídas pelo Teatro de Arena da UnB, onde eles se encontram até hoje. Amigos adeririam à ideia e um grupo foi criado para ajudar na gestão do evento. Tudo, sempre de forma colaborativa. Os equipamentos, por exemplo, são frutos de doação dos próprios integrantes.  Em menos de um ano de existência, os amigos conseguiram sozinhos fazer um evento gratuito com cerca de 500 pessoas.

A Batalha da Escada ocorre há três anos na UnB

A Batalha da Escada ocorre há três anos na UnB

Mas há quem ainda vê o hip-hop com preconceito. Pessoas ainda acreditam que quem está envolvido com o hip-hop, de alguma forma, colabora ou compactua com o crime. Por isso, os organizadores da  Batalha da Escada acreditam na aproximação entre academia e a arte como forma de quebrar esses padigmas e estereótipos que o estilo carrega. “Quando a gente faz esse trabalho de modificar essa referência, nós reaproximamos o direito humano das pessoas de exercer a sua cidadania”, completa, Raphael Steigleder

Hoje, com três anos, a Batalha da Escada é referência e enche as escadas do Teatro, não só por quem já é do movimento, mas também por estudantes que passam por ali. Para os organizadores, os encontros significam muito mais do que música. O hip-hop promove a quebra de muros entre a universidade e as comunidades mais carentes.

“O mais fascinante na Batalha da Escada é o vínculo que a gente tenta estabelecer. O que a gente está fazendo é aproximar a favela e trazer esse discurso para um ambiente que não existia. Tem gente que já se matriculou no vestibular e, hoje, frequenta a UnB por conta da Batalha”, explica um dos integrantes do grupo de comunicação da Batalha da Escada, Raphael Steigleder.

A quebra de paradigmas também está na relação de gênero. As mulheres ainda sofrem preconceito no ambiente do hip-hop, que nem sempre está disposto a receber as MCs. A Batalha da Escada tem pensado em formas para diminuir esse acirramento. Na inscrição para os duelos são reservadas duas vagas para mulheres.

“Lá o público as empoderam muito. E os homens que estão habituados a batalhar e reproduzir discursos opressores encontram uma barreira na Batalha da Escada”, comenta o Raphael Steigleder.

A Batalha da escada ocorre toda quarta-feira às 19 horas no teatro de Arena da Universidade de Brasília (UnB). Aproveite!

Deixe uma resposta

Turismo e Lazer
As cartas estão presentes na história da banda e dos fãs. Misticismo e boa música envolvem a banda O Tarot
Economia
Carla De funcionário a microempreendedor
Saúde
Foto_1 Endometriose e a dificuldade de diagnóstico

Mais lidas