Entrevistas

A nova cena de Brasília

O ator, músico e dramaturgo do grupo Teatro de Açúcar, Marco Michelangelo, se destaca na capital com espetáculos originais

Tags:
#Teatro #cultura #Culturadebrasília #música #arte

Ator, músico, diretor, dramaturgo. Não importa em qual função atua, o que ele quer é contar histórias. Dono de uma voz suave e melódica, Marco Michelangelo é conhecido pelos teatros de Brasília. Fundou com o irmão, o também ator Gabriel F., o grupo Teatro de Açúcar. Ao longo dos 11 anos de existência, o coletivo, leva na bagagem 13 espetáculos, prêmios, passagens por festivais nacionais e internacionais, além de muito reconhecimento na cena brasiliense.

A companhia teatral surgiu num momento de efervescência na Faculdade Dulcina de Mores. O ano era 2007, bem antes da intervenção federal que a instituição sofreu. Ali — entre professores como Adriana Lodi, Alessandro Brandão e os Irmãos Guimarães, nomes de grande reconhecimento no teatro da capital —, essa turma, que hoje é a nova cena da cidade, resolveu fazer o teatro de um jeito próprio, contando histórias autorais.

Na entrevista exclusiva para o Portal de Jornalismo do Iesb, o artista Marco Michelangelo conta sobre sua trajetória e a inclinação artística que vem movimentando a capital.

"o trabalho de contar histórias, de criar personagens, situações e cenários é a minha praia" conta o artista

“O trabalho de contar histórias, de criar personagens, situações e cenários é a minha praia”, conta o artista

 

Como começou sua carreira artística?

Antes da faculdade, eu já tinha uma história com a música, que mais tarde fui entender que já era um trabalho de dramaturgia, o que eu gosto de fazer na verdade. Hoje eu entendo que o trabalho de contar histórias, de criar personagens, situações e cenários é a minha praia. Criava música como hobby, gostava muito desde a pré-adolescência.

Hoje você se considera ator, diretor, dramaturgo ou músico?

Eu me considero essas coisas todas, mas não vejo elas de uma forma cristalizada. Quando eu me formei como ator, decidi: não quero mais estar em cena. Fiquei dirigindo as peças do Teatro de Açúcar e não sentia prazer em atuar. Era um sofrimento, mas com a música eu sentia um lugar interessante. Hoje voltou meu prazer de estar em cena, muito por conta das minhas apresentações musicais, que são muito teatrais também.

Você está sempre mesclando a música com o teatro nos seus trabalhos?

Até quando não tem música eu sinto que tem música. Para mim tudo é um pensamento musical, a cadência de como o espetáculo se desenvolve, a forma como a dramaturgia flui. Eu sempre comparo com a fluidez da música.

Você vê a presença de vários grupos como uma tendência do teatro brasiliense?  

Na última década surgiram muitos grupos. É uma coisa que vai acontecendo. Acho que isso tem a ver com a história e a cultura de Brasília. Eu chegava nas cidades para dar oficina de interpretação autoral, pelo projeto de circulação teatral do SESC,  Palco Giratório, e escutava que a cena de Brasília é invejável, pelo fato de ter muitas companhias aqui. Passei a dar mais importância para os lados positivos da cultura da cidade. Para você entender a ilha, você tem de sair da ilha.

Vocês fazem teatro de resistência?

Eu nunca coloquei o Teatro de Açúcar como um grupo de resistência, mas depois eu comecei a entender que sim. Nós conseguimos montar uma média de dois espetáculos por ano, abrindo mão de trabalhos em que a gente poderia ter uma estabilidade maior. Fazer arte no Brasil é difícil. Fizemos uma residência na França com o grupo La Comédie de Saint-Étienne e ouvimos que em Paris a indústria automobilística gera menos dinheiro que a cultura. É outra concepção. É um sonho. Tomara que a gente chegue a esse ponto, mas acho que a gente tem se articulado para isso, vejo que temos uma resistência.

Como é a sua relação artística com seu irmão?

Eu acho que surgiu de uma maneira orgânica de criar histórias e personagens juntos. É uma coisa que tínhamos antes de nos profissionalizarmos, antes de entrar na faculdade já tínhamos isso em casa. A gente não percebia que estava trabalhando, gostávamos de fazer isso. Hoje, Gabriel mora na Espanha, mas ele sempre volta para trabalharmos. Ou, eu vou. Assim mantemos o ritmo quando precisamos criar juntos.

Que tipo de história o Teatro de Açúcar gosta de contar?

A gente optou por fazer trabalhos com dramaturgia original. Na verdade, não foi uma opção clara, se tornou um jeito de fazer. Só percebemos que era um método de criar quando fomos convidados pelo projeto Palco Giratório, em 2016, para dar uma oficina de interpretação em 45 cidades.

Marco Michelângelo diz ver música em tudo. Suas obras sempre contam com histórias e músicas autorais

Marco Michelangelo diz ver música em tudo. Suas obras sempre contam com histórias e músicas autorais

O texto autoral é uma marca do teatro de Brasília?

Acho que cada vez mais a dramaturgia autoral é tendência em Brasília. Mesmo em textos clássicos como Shakespeare há uma adaptação. Na minha percepção cada vez mais os grupos estão optando por uma dramaturgia autoral ou uma livre adaptação.

Conte um pouco sobre seu último espetáculo: Biograficção

A minha intenção inicial era me desprender um pouco do teatro.  Fazer coisas musicais.  Sem eu perceber, a bagagem do teatro foi inundando essa história. Na última edição do espetáculo Biograficção, que é um laboratório criativo, fiz as pazes com meu “eu teatral”. Convidei vários atores da cidade para participar como Chico Sant’Anna, Ada Luana e Miriam Virna.

Quais são os planos para o futuro?

Pretendo voltar no segundo semestre com o Biograficção, só que com outro formato. A ideia sempre foi não repetir esse espetáculo. Também vamos escrever uma peça com o grupo para esse ano. Em breve, vamos começar uma maratona de ensaios e produção. Queremos fazer uma pequena mostra com alguns espetáculos bem representativos da companhia para celebrar 10 anos do Teatro de Açúcar.

Acompanhe o trabalho do artista no site do grupo Teatro de Açúcar: http://teatrodeacucar.com/

 

 

 

Deixe uma resposta

Entrevistas
IMG_1885 copia Meio nerd ainda é masculinizado
Turismo e Lazer
_MG_1493 Inserção de alunos com autismo ainda apresenta desafios para escolas
Entrevistas
Marcos Roberto, segurando seu primeiro Livro "Semideus: O Retorno Divino" Mitologia e filmes inspiram livros e peças de artista de Brasília

Mais lidas