Meio Ambiente

Planeta ODS abre mesa de debates sobre educação ambiental

Evento paralelo ao 8° Fórum Mundial da Água aborda o protagonismo dos jovens no tema “sustentabilidade” e divulga pesquisa inédita sobre a relação afetiva entre as crianças e a natureza

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De 19 a 23 de março, o Planetário de Brasília foi sede do Planeta ODS, evento paralelo ao 8° Fórum Mundial da Água. A sigla ODS faz referência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). O projeto foi uma parceria entre a Secretaria de Governo da Presidência da República, o governo de Brasília, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Centro RIO+ e abordou o tema “Água e Desenvolvimento”. O evento também teve o apoio do Sistema ONU no Brasil, de representantes do setor privado, governos e sociedade civil. A reportagem do Portal de Jornalismo IESB acompanhou a mesa de debate “Educação ambiental na Gestão de recursos hídricos”, confira.

Protagonismo juvenil

Um grupo de jovens determinados a transformar a região da qual fazem parte e multiplicar as boas práticas para além das suas fronteiras. Essa foi a motivação que originou há dois anos o Coletivo Jovem da Bacia do Paraná 3 (CJBP3). Unindo forças com o Grupo Clima Paraguai, o coletivo marcou presença no Planeta ODS, no último dia do evento, 23 de março. Com ações voltadas ao protagonismo juvenil, sustentabilidade e cidadania, os participantes explicaram porque o projeto tem chamado atenção como modelo a ser replicado, inclusive fora do Brasil.

Da esquerda para direita: Delmar Buerba da Silva, de Missal; Marcos Rodrigo Arias Ramírez, do Grupo Clima Paraguai; Joyce Penagos, de Foz do Iguaçu; Karla Constantino, de Altônia e João Paulo Angeli, de Foz do Iguaçu

Da esquerda para direita: Delmar Buerba da Silva, de Missal; Marcos Rodrigo Arias Ramírez, do Grupo Clima Paraguai; Joyce Penagos, de Foz do Iguaçu; Karla Constantino, de Altônia e João Paulo Angeli, de Foz do Iguaçu

O CJBP3 foi estruturado pelo programa Cultivando Água Boa, desenvolvido pela Itaipu Binacional, e mobiliza jovens de Mundo Novo (MS) e 28 municípios do oeste do Paraná. A necessidade de se entender os desafios da sustentabilidade, sejam eles regionais, nacionais ou transfronteiriços, permeou a fala dos palestrantes. Segundo eles, é urgente despertar a percepção nos jovens de que são fundamentais como força de reversão das perspectivas preocupantes de alteração climática.

Joyce Penagos, uma das integrantes, explicou que os encontros de diferentes coletivos ajudam a encontrar respostas aos próprios desafios ou a compartilhar soluções já conquistadas. Joyce ressaltou que essa troca de experiências abrange os limites nacionais: “[o Brasil tem] 400 aquíferos transfronteiriços, mas apenas cinco têm acordos bilaterais, então é muito trabalho para se fazer”. Outro desafio que está nas mãos do jovem de hoje, para Joyce, é viabilizar a implantação dos objetivos da Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável, proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU).

João Paulo Angeli, integrante do CJBP3 e articulador dos Coletivos Jovens da região Sul do País, disse que se sente orgulhoso de tudo que conquistaram em um curto espaço de tempo. Segundo ele, a organização de juventude por bacia hidrográfica e a estruturação das ações para a gestão da água tem incentivado grupos afins. “O Coletivo Jovem alçou voos para mim inimagináveis, quando começamos tão franzinos, lá atrás, [...] mas inevitavelmente esse território, com todos os seus problemas, é muito fértil”, finalizou Angeli.

Educação ambiental das crianças ainda é pouco relevante nas pesquisas

A segunda parte do debate foi voltada à educação ambiental na gestão de recursos hídricos desenvolvida no território da Bacia do Paraná 3 (BP3) e promovida pelo Programa de Educação Ambiental da Itaipu Binacional. A gerente da Divisão Ambiental de Itaipu, Leila Alberton, explicou que há 20 programas socioambientais de atuação na região. As ações abrangem desenvolvimento rural sustentável (agricultura familiar e orgânica), passando por gestão de resíduos em parceria com associação de catadores, e gestão de bacias hidrográficas, com recuperação de passivos ambientais (nascentes, matas ciliares, conservação de solo, entre outros).

Leila explica que um dos grandes desafios é desenvolver estratégias de educação ambiental distinta para o perfil de cada público. Segundo ela, é preciso criar parcerias públicas e privadas, com profissionais de várias frentes, formando uma rede de pequenos e grandes coletivos, a depender do perfil de cada região.

Palestrantes ao redor de participantes do evento: Priscila Morhy, da Universidade do Estado do Amazonas (com placa “love”), à esquerda de Leila Alberton (Itaipu Binacional) e Carmem Romagna de Lima (Consultora Itaipu Binacional)

Palestrantes ao redor de participantes do evento: Priscila Morhy, da Universidade do Estado do Amazonas (com placa “love”), à esquerda de Leila Alberton (Itaipu Binacional) e Carmem Romagna de Lima (Consultora Itaipu Binacional)

Já a bióloga e mestre em Educação Priscila Morhy apresentou sua atuação no projeto da Universidade do Estado do Amazonas, intitulado Sentimento de pertença nas crianças da educação infantil em relação à água em espaço educativo. Ela disse que a relação subjetiva da criança em relação à água, no sentido de afetividade, não é normalmente desenvolvida, o que motivou o estudo. “Durante a pesquisa elas próprias [as crianças] iam construindo seu conhecimento em rodas de conversa [...], em espaços não formais de ensino”.

O vínculo desenvolvido com a água foi analisado pelos desenhos das crianças. Priscila explica que os resultados não se vinculam apenas à água e às crianças pequenas e a pesquisa permitiu gerar os primeiros indicadores do Brasil de pertencimento ambiental. Correlacionando todos os dados gerados, o estudo mostrou que aquele indivíduo que “pertence” ao ambiente tem motivos para preservar, além de adotar atitudes sustentáveis no cotidiano e alimentar o desejo de um futuro onde a água não despareça.

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