Cultura

Lieta de Ló, em Planaltina, faz parte do cenário cultural de Brasília

Inaugurado em 2011, o Mini Teatro já recebeu 36 produções e está sempre lotado de pessoas da cidade

Com mais 200 mil habitantes, a cidade mais antiga do Distrito Federal, Planaltina, possui um espaço que já faz parte do cenário cultural de Brasília. O teatro foi inaugurado em 22 de outubro de 2011 e recebeu, até o momento, 36 produções. O local é o ponto de ensaio do Grupo Senta que o Leão é Manso, fundado pelo professor, ator e diretor Preto Rezende, que é também o fundador do teatro.

A estrutura do teatro comporta um palco em madeira, 40 poltronas acolchoadas, coxia, corredor camarim, iluminação e um pequeno camarote. Além do teatro, o local conta com biblioteca, videoteca e está sempre lotado de pessoas da cidade e de outras localidades. “A gente não divulga muito porque não adianta divulgar e ficar gente de fora”, diz Preto. O espaço é sempre utilizado por outros grupos da cidade de Planaltina, como o Via Sacra, que atualmente usa o espaço para ensaios do espetáculo que representa a morte e ressurreição de Cristo, que acontece tradicionalmente na Sexta-feira Santa.

O ator Aron Henrique Neves, de 24 anos, contou que utilizou as estruturas do Mini Teatro para ensaios de seu grupo Juventude de Ação Mariana, conhecido como JAM, voltado para espetáculos católicos.  “O Lieta de Ló cumpre papel importante na cultura de Planaltina que é preencher um espaço vazio, a falta de um teatro que tenha as estruturas que se precisa para os grupos ensaiarem e também para que a população consuma cultura”.

Aron Henrique Neves, “O Lieta de Ló cumpre papel importante na cultura de Planaltina que é preencher um espaço vazio, a falta de um teatro que tenha as estruturas que se precisa para os grupos ensaiarem".

Aron Henrique Neves, ator: “O Lieta de Ló cumpre papel importante na cultura de Planaltina que é preencher um espaço vazio, a falta de um teatro que tenha as estruturas que se precisa para os grupos ensaiarem”

Outra beneficiada do espaço Lieta de Ló é a atriz Suzane Santana. Desde à adolescência envolvida com artes cênicas na cidade de Planaltina, ela conta que a maior dificuldade era um local para ensaiar e se apresentar, problema comum a qualquer grupo na época. Diz Suzane: “Eu tive oportunidade de participar de todo processo. O Lieta de Ló é um local que comporta poucas pessoas, mas é muito aconchegante. Esse espaço nos proporciona muitas coisas boas, sempre exibindo espetáculos não só de grupos de Planaltina, mas de todo DF”.

Atriz Suzane Santana: “Eu tive oportunidade de participar de todo processo. O Lieta de Ló é um local que comporta poucas pessoas, mas é muito aconchegante. Esse espaço nos proporciona muitas coisas boas, sempre exibindo espetáculos não só de grupos de Planaltina, mas de todo DF”.

Atriz Suzane Santana: “Eu tive oportunidade de participar de todo processo. O Lieta de Ló é um local que comporta poucas pessoas, mas é muito aconchegante. Esse espaço nos proporciona muitas coisas boas, sempre exibindo espetáculos não só de grupos de Planaltina, mas de todo DF”.

A dona de casa Sueli Maria, 39 anos, também frequenta o espaço e conta que acha o ambiente um local admirável. “Nunca tinha ido ao teatro, gostei muito, é o lugar mais incrível que conheci. Sempre que posso, vou lá”.

Dona de casa, Sueli Maria “Nunca tinha ido ao teatro, gostei muito, é o lugar mais incrível que conheci. Sempre que posso vou lá”.

Dona de casa, Sueli Maria, diz que antes do Lieta de Ló nunca tinha ido ao teatro: “é o lugar mais incrível que conheci”

Em 2017 o Lieta de Ló recebeu espetáculos do Festival Internacional de Teatro de Brasília, o Cena Contemporânea, uma iniciativa do cenário cultural do GDF. Para integrar o grupo Senta que o Leão é Manso, os interessados podem participar das audições das oficinas que abrem e são divulgadas através das redes sociais.

O surgimento

Uma casa térrea, construída com tijolos artesanais, típicos do Distrito Federal. É mais que uma residência que divide espaço com um teatro, assim é o Lieta de Ló. Há 28 anos, Preto Rezende fundava o Grupo Teatral Senta que o Leão é Manso e vendo o sofrimento do filho, o senhor Elias Cardoso de Oliveira, pai de Preto, surgiu com uma ideia. “ Meu pai ainda era vivo e tinha o apelido de Ló. Ele via minha dificuldade, pois eu ficava pedindo emprestado lugares para poder ensaiar”, diz Preto. Observando essa situação, seu Elias manifestou à família o desejo de que fosse cedido um espaço no terreno da residência para que o filho pudesse trabalhar, mas o pai de Preto, marceneiro e colaborador dos cenários dos espetáculos do grupo, faleceu em 1990, antes que o sonho se realizasse.

O Senta que o Leão é Manso continuou com suas atividades. Tornaram-se conhecidos na cidade e fora dela, passaram a se apresentar em outros lugares, assim conseguindo recursos para tornar realidade o sonho de ter um local próprio. Em 2007, começaram a construção. Primeiro a parte da base.

Contaram com ajuda voluntária de engenheiros e arquitetos, porque a luta do grupo já era conhecida em Planaltina e mobilizou pessoas interessadas em colaborar. O nome do espaço é uma homenagem à mãe de Preto, dona Maria Rezende, mais conhecida pelo apelido de Lieta. “Ela sempre abriu a casa para o teatro, tanto que ela permitiu que eu sacrificasse uma parede da cozinha para construir um corredor camarim. Não tinha outro nome. Como é um espaço pequeno, demos o nome de Mini Teatro Lieta de Ló. Ló, como meu pai era conhecido aqui em Planaltina. Antigamente sempre diziam ‘quem é o Preto? Ah, o Preto de Ló, Preto de Lieta’”, conta Preto Rezende.

Preto Rezende

Um ano mais velho que Brasília, hoje com 59 anos, Preto Rezende sempre foi aluno de escola pública e na escola teve seus primeiros contatos com as artes cênicas. Naquela época, um professor de português trouxe a ideia de usar a ferramenta do teatro nas aulas. Preto aprendeu a adaptar contos, cenas para o teatro, depois surgiu a ideia de montar um grupo de teatro do qual Preto prontamente resolveu participar. Após essa fase, estudou para concurso e ingressou no Tribunal de Justiça. Começou a trabalhar, mas sempre fazendo teatro de alguma forma. Quando se deu conta, já estava na metade do curso de letras.

Diretor e ator Preto Rezende, "“Naquele momento, quando a gente viu que não precisava mais de estar debaixo de pé de manga, ser expulsos de quadras esportivas. As vezes ensaiamos até às 3h da manhã”.

Diretor e ator Preto Rezende é fundador do teatro: “Às vezes ensaiamos até às 3h da manhã”

Já no final dos anos 70 e começo dos anos 80, uma faculdade de artes surgiu em Brasília, a Faculdade de Artes Cênicas Dulcina de Moraes. “Eu fiquei louco. Larguei o curso de letras e ao final fiz o concurso da Secretaria de Educação. Passei em segundo lugar e larguei o Tribunal para dar aula”. Lecionando, Preto despertou para ser ator, se inscreveu para outro vestibular e passou. “Cai nas graças de ser aluno da própria Dulcina. Uma maravilha para mim, foi um dos melhores presentes, fui um dos doze privilegiados que teve Dulcina como mestra”.

Hoje, Preto Rezende é aposentado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e atribui a existência do Mini Teatro Lieta de Ló uma de suas maiores conquistas. “Naquele momento, quando a gente viu que não precisava mais de estar debaixo de pé de manga, ser expulso de quadras esportivas. Às vezes ensaiamos até às 3h da manhã”.

Mini Teatro Lieta de Ló

Rua Hugo Lobo, Quadra 46, Casa 790, Setor Tradicional – Planaltina. Aberto somente quando está com espetáculo em cartaz. O Mini Teatro Lieta de Ló trabalha com entradas francas quando a produção tem apoio financeiro. E com preços populares, geralmente a R$ 10.

Alguns espetáculos que já passaram pelo Mini Teatro Lieta de Ló

Cia de Teatro Língua de Trapo

Pluft O Fantasminha

De Maria Clara Machado

Direção Isabel Cavalcante

 

Teatro de segunda-feira

Maria Borralheira

De Vladimir Capella

Direção Preto Rezende

 

Festival Internacional de Teatro de Brasília

Cena Contemporânea

Sementes

De Caísa Tibúrcio e Ana Flávia Garcia

 

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