Educação

Colocar ou não os filhos na creche traz dúvidas aos pais

É preciso avaliar o que é importante para o desenvolvimento das crianças de zero a três anos

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Colocar a criança de zero a três anos em uma creche é, muitas vezes, uma necessidade dos pais. É preciso saber escolher o local, além de enfrentar preocupações e cobranças interiores. E se a opção for abandonar o emprego para ficar com os filhos, também há cobranças dos que julgam esta decisão absurda.

A professora Gisley Almeida tem duas filhas: uma de cinco anos e outra de sete meses. A mais velha, Júlia, ficou na creche desde os dez meses porque Gisley precisou voltar ao trabalho. “Tive que colocar ela na creche por falta de opção. Eu preciso trabalhar pelo financeiro, porque minha renda é muito importante na família. Ela não é complementar”. Como teve a segunda filha, Gisley está usufruindo de licença-maternidade e de outros benefícios que tem no seu trabalho. Neste intervalo, Júlia está indo à escola apenas meio período. Quando tiver que voltar a trabalhar, Gisley deseja fazer diferente e contratar uma babá. “Caso eu não ache uma de confiança, as duas vão ficar na creche em período integral”, admite.

Mas como escolher uma creche? Khenia Sodré é pós-graduada em neuroeducação e diz que os pais devem conhecer a proposta pedagógica da escola, buscando a que seja voltada para a criança e seus interesses. Ela explica que a criança é potente e tem “habilidades que devem ser estimuladas diariamente pelos educadores”. Para a especialista, não é preciso ficar ensinando coisas como cores, mas sim trabalhar com desenvolvimento de potenciais e resolução de problemas. “O que realmente importa é a questão da socialização, e a gente como escola e educador dando condições às crianças a lidar com suas frustrações, suas escolhas, a sua interação entre os pares, caminhando assim para a sua autonomia, que se dará em anos futuros”.

Khenia Sodré indica que o mais importante para a criança é a socialização

Khenia Sodré indica que o mais importante para a criança é a socialização

O IBGE, em sua publicação “Aspectos dos cuidados das crianças de menos de 4 anos de idade”, de 2015, mostra que 16,6% das crianças com menos de quatro anos de idade ficam em creche ou escola em período integral. Quanto aos motivos para os responsáveis deixarem as crianças em determinado lugar, seja em casa ou não, a pesquisa considerou as razões positivas. Na maioria dos casos (76,7%) foi alegado que o “ambiente escolhido oferecia as melhores condições de cuidados, alimentação, afeto e segurança para a criança”. Comparando com o fato de que a maior parte fica em casa com um dos pais (74,5% – gráfico abaixo), observa-se que, na visão deles, o lar é o melhor lugar para as crianças de zero a três anos.

Onde as crianças de até 4 anos ficam ,de segunda a sexta, de manhã e de tarde

Onde as crianças de até 4 anos ficam, de segunda a sexta, pela manhã e à tarde

Integrando o maior grupo, Ana Cristina Serique largou o emprego para cuidar dos filhos. Em 2012 ela trabalhava como administradora na Radiobrás, atual EBC (Empresa Brasil de Comunicação), quando nasceu Gabriel. Quando ele fez um ano acabou o tempo de licença-maternidade, férias e outras licenças às quais ela tinha direito e Ana Cristina regressou ao trabalho, deixando o filho com a mãe. Mas sentia falta de acompanhar o desenvolvimento dele de perto. “Quando eu voltei eu ainda trabalhei 4 meses, foi um tempo que ele ficou com a minha mãe, mas aí eu vi que ele já estava desenvolvendo, querendo andar, nascendo dentinho, e eu queria participar, estar com ele”. Foi quando ela e o marido tomaram a decisão de que Ana sairia do trabalho, mesmo com a queda do padrão ao qual estavam acostumados. “A gente sabia que iria correr esse risco de diminuir mesmo, de abaixar o nível mesmo. Mas eu conversei com meu marido e estávamos dispostos a isso. A diminuir os gastos, não ia ter viagem todo ano…”.

Os colegas de trabalho ficaram surpresos e não consideraram esta uma boa decisão. Ana Cristina ouviu diversos comentários de desaprovação. “No trabalho foi um absurdo. Todo mundo: como assim, você vai deixar de trabalhar? Você tá aqui há muito tempo. Seus filhos crescem e depois vão te deixar e você vai parar de trabalhar? Não tá pensando em você”, conta. Hoje Gabriel está na escola e tem uma irmãzinha de dois anos, a Ana Luíza. E a Ana mãe não se arrepende de continuar em casa. Ao completar quatro anos e começar a ir à escola, Gabriel não foi prejudicado nem ficou atrasado em relação aos colegas. “Não teve atraso, se adaptou muito bem. Não chorou, eu que chorei. Ele ficou super bem”.

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