Cultura

Grafite: Da periferia para o centro da Capital

Manifestação artística surgiu em Nova York, nos Estados Unidos, na década de 1970; em Brasília, traços estão nas entrequadras, viadutos e até nas comerciais

Brasília é concreto, Congresso, Torre de TV, tesourinha. Mas também é super colorida pelos grafites. Não é difícil andar pela cidade e encontrar verdadeiros painéis da arte urbana espalhados pelo Distrito Federal. A arte está exposta nas entrequadras, viadutos e até nas comerciais. Para o professor de estética e história da arte do Centro Universitário Iesb, Cláudio Ferreira, de 50 anos, o grafite no DF coloca à mostra a cultura e a identidade de quem vive na capital.

A arte está exposta nas entrequadras, viadutos e até nas comerciais.

A arte está exposta nas entrequadras, viadutos e até nas comerciais.

“ É uma tentativa de as pessoas interagirem com a cidade. O grafite é um berro, é um grito, é a vida das pessoas que moram no DF. É um verdadeiro museu a céu aberto”, explica o professor Cláudio Ferreira.

Quem passa pela W3 Sul, na altura da 511, se depara com um enorme painel de grafite colorido. São formas e cores que levam vida para a parede lateral de uma das mais tradicionais lojas de departamento de Brasília.O autônomo Bruno Rocha, de 30 anos, fica encantado com os traços da arte urbana, todas as vezes que passa pela região. “É muito legal, é uma arte que deixa o espaço muito bonito”, ressalta o autônomo.

O grafite é um tipo de manifestação artística que surgiu em Nova York, nos Estados Unidos, na década de 1970. Consiste em um movimento organizado nas artes plásticas, em que o artista cria uma linguagem intencional para interferir na cidade, aproveitando espaços para a crítica social. Em Brasília, um dos grafiteiros mais conhecidos da cidade, Daniel Toys, de 26 anos, conta que o grafite é um trabalho feito para a cidade. “Quando nós pintamos na rua, desapegamos do trabalho. É feito para a cidade! Já perdi as contas de quantos grafites eu fiz. A arte urbana é efêmera, não tem um prazo de validade”, enfatiza o grafiteiro.

Realidade das ruas

O grafite está ligado a forma de expressar toda a opressão que a humanidade vive, principalmente os menos favorecidos, ou seja, o grafite reflete a realidade das ruas. O grafiteiro Mikael Guedes, de 25 anos, conhecido no mundo do grafite como Omik, tem um ateliê em parceria com o amigo Daniel Toys, no Guará. Mas as principais intervenções artísticas dos grafiteiros então no centro da capital.  “O centro de Brasília é um local onde todas as regiões administrativas se encontram. Mas o grafite, como qualquer outra arte, exige muito estudo e técnica para se ter um trabalho melhor”, afirma o grafiteiro.

Bruno Rocha fica encantado com os traços da arte urbana

Bruno Rocha fica encantado com os traços da arte urbana

Um dos melhores do mundo

O grafite foi introduzido no Brasil no final da década de 1970, em São Paulo. Os brasileiros não se contentaram com o grafite norte-americano, então começaram a incrementar a arte com um toque brasileiro. O estilo do grafite brasileiro é reconhecido entre os melhores de todo o mundo.

Para o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Russi, de 45 anos, o grafite é uma forma de entender o mundo. “O grafite é uma forma de expressão de um grupo ou de indivíduo. O importante é entender que o grafite transforma espaços, é uma antropofagia. O grafite é uma narrativa urbana, é como se fosse um discurso, uma forma de entender o mundo”, finaliza o professor.

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