Cultura

Mulheres do rap batalham por mais espaço no cenário artístico

Com letras fortes e representando empoderamento feminino, as mulheres tentam ganhar cada vez mais espaço no rap

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O movimento hip hop começou em meados dos anos 70, misturando a cultura negra americana com o break. Antes, considerado um espaço totalmente masculino, as primeiras mulheres só começaram a surgir no rap a partir dos anos 80 com um grupo feminino chamado Salt-n-Pepa. No Brasil, São Paulo foi a principal cidade de desenvolvimento do hip hop.

A pioneira do rap feminino no Brasil, que deu o ponta pé para incentivar as mulheres a quererem um espaço no rap, foi a Sharylaine Sil. Ela montou o primeiro grupo formado só por mulheres em 1986, chamado Rap Girl’s.  Atualmente existem vários grupos que incentivam as rappers, como o Frente Nacional das Mulheres, que foi fundado em 2010.  No Distrito Federal, as meninas da Batalha das Gurias buscam criar um ambiente que desenvolva ainda mais o rap feminino em Brasília.

MC Aline, 22 anos, batalha há dois anos e o maior incentivo para que ela entrasse no mundo das rimas foi a cantora de rap brasiliense, Flora Matos. Aline não foi muito bem aceita ao tomar a decisão de batalhar, principalmente em casa. Achavam que ela sofreria preconceito em um ambiente que ainda é muito machista. Mas ela não desistiu e conheceu algumas garotas, que assim como ela, queriam rimar. Então começaram a participar da batalha do Museu Nacional que ocorre todos os domingos.  ”Muitas meninas têm vontade, mas têm vergonha por ser um universo masculino. Mas precisamos que elas tenham coragem, para, assim o rap feminino ficar cada vez maior e finalizar isso de que rap é só para homens”,  disse a rapper

MC Aline na batalha de rap no Museu Nacional

MC Aline, na batalha de rap no Museu Nacional

Hoje, é comum ver as mulheres batalhando com os homens, enfrentando eles com representatividade e desmistificando esse ambiente que é visto como machista. Foi assim que Amanda Fransoso, 25 anos, começou a batalhar.  Depois de acompanhar o seu primo em uma disputa de batalha na Universidade de Brasília, Amanda se encantou com as rimas e viu que poderia fazer o mesmo: rimar discursos de empoderamento e fazer com que as mulheres  vejam que elas podem atuar na área que quiserem. “Eu me tornei rapper aos 23 anos, com o intuito de colocar pra fora tudo o que eu pensava. Foi através  da rima que eu pude ser quem eu realmente queria ser, dizer o que eu quero e lutar pelos meus direitos como mulher”, explicou.

MC Amanda participa das batalhas há dois anos

MC Amanda participa das batalhas há dois anos

Questionado sobre o espaço que as mulheres estão conquistando no rap, Enrique de Amori, vulgo MC Hate, não vê problema nenhum nessa visibilidade, pois para ele as mulheres podem fazer o que elas quiserem e têm personalidade para isso. Não nega que é um ambiente onde ainda existe, sim, muito machismo. Alguns ainda querem barrar as meninas quando as batalhas são mistas. Muitos deixam de participar, mas depois as coisas vão fluindo e eles vão percebendo que as mulheres, assim como os homens, têm o talento de rimar e lutar por aquilo que elas acreditam. “Muitos MCs ainda olham torto quando anunciam que é batalha mista, muitos desdenham. Criticam e dizem que mulheres não nasceram para isso.  Nos meus 6 anos de MC, já vi muita mulher mandar melhor do que muito homens nas batalhas e ganhando deles”, afirmou o MC.

Enrique de Amorim, vulgo MC Hate, começou a batalhar com 16 anos e hoje é um dos mais requisitado nas batalhas

Enrique de Amorim, vulgo MC Hate, começou a batalhar com 16 anos e hoje é um dos mais requisitado nas batalhas

Para a antropóloga, Juliana Braz Dias, 38 anos, as mulheres já avançaram bastante no cenário do rap. O fato das mulheres batalharem com homens, para ela, é um passo imenso, pois, infelizmente “ainda vivemos em um mundo muito machista”. Segundo a antropóloga, o fato das mulheres conseguirem se destacar e até mesmo duelar com os homens e mudar essa cultura que antes era predominante no meio masculino é muito importante, pois mostra que se a mulher quiser e lutar pelo que ela quer, pode quebrar muitas barreiras e conquistar cada vez mais espaços que antes eram destinados aos homens. “A forma como as mulheres se posicionam nas batalhas, o que elas falam nas rimas, gritos de empoderamento, de direitos iguais, mostram que elas têm força, que o que elas querem, conseguem, mesmo se for em um ambiente totalmente machista”, explicou

Entenda a Batalha frente a frente

Também conhecida como rinha de MCs, é um encontro promovido por rimadores que duelam entre si com improvisos criativos que dialoguem, com a mediação de um mestre de cerimônia, que se certifica de que os improvisos contenham rimas. O primeiro a esgotar as possibilidades de improviso perde a batalha.

Batalha do Museu

A Batalha do Museu é a mais antiga entre as que estão em atividade no DF. Transformou-se em um ponto de encontro de outras batalhas da cidade. Todos os domingos, a partir das 16h, de 150 a 300 pessoas se reúnem entre a Biblioteca Nacional e o Museu da República para assistir aos melhores do DF duelando.

Toda semana, 10 batalhas são sorteadas e os ganhadores têm vaga garantida para essa apresentação. O último campeão também está dentro e as cinco vagas remanescentes são sorteadas entre os que colocaram o nome na lista.

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