Economia

Para driblar desemprego, donas de casa investem em doces e bolos

O mercado de bolos e doces tem garantido autonomia financeira a muitos brasileiros; muitas vezes com improviso e de forma artesanal pequenas empresas movimentam um mercado em crescimento

Segundo o Sebrae, 11,1 milhões de empresas foram criadas por necessidade nos últimos 3,5 anos. Esses negócios têm sido criados, em sua maioria, por mulheres. Dados do Sebrae também apontam que 30% dos negócios do mundo são administrados ou idealizados por elas. Nos últimos 14 anos o número de empresárias subiu 34%.

“O Sebrae DF não investe em pesquisas e, principalmente em pesquisas por segmento, mas os números nacionais expressam resultados gerais e o prêmio Mulher de Negócios divulga mulheres que transformaram suas vidas abrindo seu próprio negócio. Serve para medir o ramo de doces e bolos, haja visto que as duas primeiras colocadas em 2017 são desse ramo”, diz Christiane Gnone Coordenadora da Unidade de Marketing e Comunicação do Sebrae DF.

É o caso da dona de casa Lina dos Santos Silva, 41 anos, que em julho de 2014 se viu em casa desempregada e ociosa. Viu postagens sobre bolo no pote em uma rede social e animou-se com as notícias de vendas de sucesso. Passou então a produzir e postar em sua página no Facebook. Os primeiros bolos de pote que fez foram vendidos em poucos minutos. O antigo local de trabalho foi onde ela firmou sua primeira clientela. “Era próximo à minha casa, vendia por ali e ao redor. Depois as pessoas passaram a perguntar se eu não fazia bolo grande para aniversário, foi aí que comecei”, conta Lina.

Lina dos Santos Silva,41 anos “ Eu sobrevivo disso há quatro anos, pago aluguel, minhas contas, sustento meu filho, minha casa. Tudo com dinheiro dos bolos, nunca imaginei em minha vida viver disso, muito menos que eu tinha esse dom”.

Lina dos Santos Silva, 41 anos: “ Eu sobrevivo disso há quatro anos, pago aluguel, minhas contas, sustento meu filho, minha casa. Tudo com dinheiro dos bolos”

A nova empresária não sabia muito sobre o preparo das receitas e teve a internet como sua grande aliada. Através de vídeos postados no Youtube por outras confeiteiras, pois não tinha condições financeiras de investir em cursos, ela desenvolveu o dom de confeccionar bolos mais elaborados que garantem grande parte de sua produção no momento. Para a páscoa de 2018 fez alguns ovos, mas nada que representasse muito do faturamento, pois, segundo ela, a estrutura física para mexer com chocolate não é a mesma que a dos bolos.

Lina é divorciada e única responsável pelo sustento de sua casa e do seu filho. Essa atividade comercial garante a ela total independência, pois paga todas as contas da casa. Fez um investimento inicial de 50 reais. A partir daí, segundo ela, só reinvestiu o adiantamento de encomendas. Produz por mês por volta de 500 bolos no pote, mas já atendeu pedidos de 1000. Bolos de aniversário produz de 100 a 150 quilos por mês a 45 reais o quilo. “Eu sobrevivo disso há quatro anos, pago aluguel, minhas contas, sustento meu filho, minha casa. Tudo com dinheiro dos bolos, nunca imaginei em minha vida viver disso, muito menos que eu tinha esse dom”.

Nesse caminho da criatividade, a empreendedora e dona de casa Deborah Aparecida Barbosa, 35 anos, viu a necessidade de realizar alguma atividade para fortalecer economicamente a casa. Passou, em 2004, a fazer trufas. Ela utiliza sua própria cozinha. “Faço na minha cozinha mesmo, coisa de improviso. Tudo limpinho, mas nada estruturado como deveria ser”, disse Deborah.

Deborah Aparecida Barbosa, 35 anos “Faço na minha cozinha mesmo, coisa de improviso. Tudo limpinho, mas nada estruturado como deveria ser”

Deborah Aparecida Barbosa, 35 anos, utiliza o espaço improvisado na cozinha de casa para fabricar trufas

Geralmente, na páscoa, Deborah tem mais demanda de produção, o que a possibilita um ganho maior. Ela declara ter lucratividade de 70% o que possibilita uma renda extra significativa. “A época de páscoa é bem lucrativa, dá para investir e ter um bom retorno financeiro”.

Em Planaltina DF

A Secretária da Associação Comercial e Industrial de Planaltina DF, Luana Teixeira de Oliveira, é a responsável pelo acompanhamento e atendimento dos associados que buscam a ASCIP para as mais diversas demandas.

Secretária da Associação Comercial e Industrial de Planaltina DF, Luana Teixeira de Oliveira "Em março e abril do ano passado atendemos 50 empresários locais e esse ano estamos com 85. Podemos dizer que desses 85 uns 40 são do ramo de doces e bolos, principalmente bolos no pote”

Secretária da Associação Comercial e Industrial de Planaltina DF, Luana Teixeira de Oliveira: dos 85 empresários locais atendidos, quase metade é do ramo de doces e bolos

Segundo ela, não se pode ter um número exato para mensurar o mercado local, pois os comerciantes buscam também o Sebrae, mas percebe a cada ano que o mercado de doces e bolos no pote têm fomentado renda local. Todo ano, segundo ela, surgem mais micro empreendedores em busca de regularização de seus negócios. “Eles vêm geralmente uma vez ao ano tratar de assuntos referentes ao imposto de renda e pagamento de suas taxas. Em março e abril do ano passado atendemos 50 empresários locais e esse ano estamos com 85. Podemos dizer que desses 85 uns 40 são do ramo de doces e bolos, principalmente bolos no pote”, conta Luana.

 

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