Política

Partidos X Eleitores

Mesmo com eleitores demonstrando dúvida nas candidaturas deste ano, parlamentares e candidatos se dizem tranquilos para realizarem suas campanhas em 2018

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política; imprevisibilidade política; candidatos 2018; eleitores em dúvida; eleições 2018

Uma crise ronda o país. Isso não é novidade para quem possui um título de eleitor guardado na gaveta desde 2014, quando houve as eleições presidenciais, ou 2016, no caso das eleições municipais. A crise é política e transformou o país, tanto para o bem, já que a população passou a ter mais interesse em acompanhar o trabalho de seus candidatos, quanto para o mal, pois a rivalidade entre partidos ganhou as ruas, as famílias, as amizades e os relacionamentos em geral.

No caso das eleições presidenciais, Dilma Rousseff saiu reeleita e sofreu impedimento de continuar exercendo sua função como presidenta, após um ano e meio. Manifestantes foram às ruas apoiando ou negando o pedido de impedimento que foi aceito pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, em 2 de dezembro de 2015. O processo foi aprovado pelo Legislativo em 2016.

Em Brasília, o candidato eleito governador foi Rodrigo Rollemberg (PSB), sucessor de Agnelo Queiroz (PT). O GDF passou por crise financeira, crise hídrica, crise na segurança pública e esses fatores também podem ser inclusos no momento político atual brasileiro, que indica falta de confiança por parte da população, na maioria dos candidatos que se apresente.

A polarização política criou raízes e como se falassem de futebol, pessoas passaram a se reconhecer como “mortadelas” ou “coxinhas”, apelidos dados aos simpatizantes pelos partidos de esquerda, cuja representante era Dilma Rousseff, no caso do primeiro grupo, e aos adeptos aos partidos de direita, representado pelo senador Aécio Neves,  no caso do segundo.

Em outubro de 2018 haverá eleições presidenciais e no decorrer desses dois anos de mandato do presidente Michel Temer, que substituiu Dilma após o ocorrido, os eleitores passaram a ficar sem rumo quando se trata de escolher candidatos para votar.

Para o cientista político Paulo Kramer, o maior pivô da imprevisibilidade política deste ano é justamente o eleitor. Para ele, a população passou por dois grandes problemas nos últimos anos: a maior recessão econômica já vivida e a exposição para fatos, imagens e documentos acerca das entranhas do funcionamento do sistema político brasileiro. “Eu costumo fazer uma analogia do eleitor atual a um cônjuge que acaba de descobrir uma traição. Há três opções: na primeira ele parte para algo novo; na segunda ele comete uma tragédia, como matar a todos e a si mesmo; na terceira, o perdão”. O cientista político diz não acreditar na terceira opção, dado o volume da indignação ética a qual o povo foi apresentado.

O candidato a deputado federal pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Raphael Sebba,  acredita que a representatividade política é muito importante. De acordo com Sebba, há sim uma brecha para a novidade nesse momento de incertezas políticas, já que na televisão apenas notícias ruins sobre a política têm prioridade. “Quem sabe essas candidaturas que não aparecem a priori na TV, mas pela relação cotidiana possam ter um protagonismo maior, uma importância muito grande e façam toda a diferença”.

Há quem diga que o momento atual é semelhante ao passado nas eleições de 1989, quando depois de décadas sem votar devido aos 25 anos de ditadura militar, a população teve a crença na novidade, como possibilidade de representatividade, afinal, os políticos seriam escolhidos e votados, democraticamente. A semelhança nesse caso se dá, pois é possível que haja abertura do eleitor para não ficar apenas no óbvio e nos partidos hegemônicos até então. Em 1989, o candidato eleito a presidência foi Fernando Collor de Melo (PRN, atual PTC). Ele concorreu com mais 21 candidatos. O maior número da história até aquele momento. A decisão foi no segundo turno e o candidato que concorria com ele era Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que continuou se candidatando até conseguir duas vitórias e se tornar presidente de 2003 a 2011.

Fernando Collor sofreu impedimento do seu mandato em 1992, após confirmação da acusação de corrupção que caía sobre ele. Estima-se que Collor tenha movimentado cerca de 1 bilhão de reais dos cofres públicos. Este foi o primeiro impedimento de mandato de um presidente na América Latina.

Eleições 2018

Para a cientista política Elisa de Araújo, grande parte da população ainda não está pensando no pleito de 2018, pois só se sente responsável pelas eleições quando começa a ver as propagandas políticas na televisão. Por outro lado, ela acredita que a juventude e as pessoas que trabalham com política estão pensando política diariamente desde 2014/2015, quando as polarizações ficaram mais acirradas. “Hoje, o eleitor médio está pensando política de acordo com o que ele está lendo nos jornais e ouvindo nas rádios. Basicamente, Lula e Bolsonaro. É preciso esperar um pouco para sentir a reação desse eleitor quando estiver em contato com novas possibilidades”.

Alguns candidatos à reeleição foram ouvidos, ou suas assessorias, como Rafael Prudente (MDB), Chico Vigilante (PT), Roberto Negreiros (PSDB) e Sandra Faraj (PR), todos candidatos a novo mandato na Câmara Legislativa. Os candidatos afirmaram que não há uma nova estratégia sendo estudada para angariar votos de possíveis eleitores indecisos. Segundo eles, o trabalho que já fazem pela população garantem sua aceitação também nas urnas. Quando perguntados a respeito da perda de credibilidade dos partidos aos quais são filiados, devido aos escândalos expostos nos últimos anos, todos afirmaram que estão em partidos que possuem o mesmo diálogo que eles em relação aos programas de governo. Disseram que se preciso, por falta de consonância política, podem migrar de um partido a outro. O assessor de Rafael Prudente disse que essa não é uma opção para o candidato, que está “muito confortável em sua posição atual”

Nas ruas, as pessoas foram unânimes em dizer que não se sentem representados por nenhum candidato até então, fora os deputados distritais nos quais já confiam. O analista de sistemas Danilo Rigamonte, por exemplo, não acredita na possibilidade de uma mudança política em curto prazo e afirma que está muito difícil escolher um candidato. “Estamos em abril e nem sabemos ainda quem serão os candidatos reais à Presidência. Eu não tenho um candidato ainda”, ele diz.

Segundo o Calendário Eleitoral 2018, dia 15 de agosto é o último dia para os partidos políticos e as coligações apresentarem ao Tribunal Superior Eleitoral, até as 19 horas, o requerimento de registro de candidatos a presidente e a vice-presidente da República (Lei nº 9.504/1997, art. 11, caput). Também é o último dia para os partidos políticos e as coligações apresentarem nos tribunais regionais eleitorais, até as 19 horas, o requerimento de registro de candidatos a governador e vice-governador, Senador e respectivos suplentes, deputado federal e deputado estadual ou distrital (Lei nº 9.504/1997, art. 11, caput).

Os eleitores dizem se sentir desencorajados a votar em qualquer pessoa tanto no âmbito distrital, quanto federal. De dez pessoas ouvidas, apenas uma disse que tem candidato à presidência, “eu acho que tem que votar em alguém novo, que nunca foi presidente nem esteve perto disso”. O homem, que preferiu não ser identificado, inicialmente não quis dizer o nome do seu candidato e, após algum tempo, admitiu ser Bolsonaro. Ao ser perguntado quais projetos de lei o parlamentar tinha aprovado em seu tempo como deputado, o eleitor não soube dizer: “Acho que nenhum, né?”

Em pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral feita em março deste ano, a estimativa é que haja 146.467.772 de eleitores nas urnas em outubro. No centro-oeste o número de eleitores estima-se em 10.634.000.

Mesmo sem confirmação de todos os candidatos, em pesquisa feita pelo Datafolha, de janeiro deste ano, mostra que nas intenções de voto no âmbito federal, Lula (PT) está na frente, com 36% da preferência da população, seguido de Jair Bolsonaro (PSC), com 18% de intensão de votos.

Entre candidaturas, intensões de votos e decisões tramitando no Supremo Tribunal Federal, que podem mudar completamente a configuração do cenário político até o terceiro trimestre de 2018, é preciso ficar atento às notícias que saem na mídia. Vive-se hoje um momento em que as informações são disparadas muito rapidamente em sites e redes sociais, por isso é preciso buscar a veracidade dos fatos apresentados e estudar os programas de governo dos candidatos.

Bons sites que podem ajudar o eleitor a se informar acerca dos seus candidatos e partidos são: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/ ;  http://www2.camara.leg.br/deputados/pesquisa ; http://piaui.folha.uol.com.br/lupa/


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