Política

Elas querem mais representatividade política

Com apenas 20,8% na Câmara Legislativa e menos de 10% no Congresso Nacional, as mulheres têm lutado por mais espaço

As mulheres estão dispostas a participar mais ativamente da política nas eleições de 2018 no Distrito Federal, pois o número de representantes femininas ainda é baixo nos cargos políticos. Na Câmara Legislativa, dos 24 deputados, cinco são mulheres, ou seja, 20,8% do total. No Congresso Nacional, a deputada Erika Kokay (PT) é a única entre os oito parlamentares de Brasília no Senado e na Câmara dos Deputados.

Algumas vão se candidatar pela primeira vez, outras estão participando ativamente na construção de políticas públicas para segmentos sociais. Não importa a área, as mulheres no DF têm se mostrado conscientes de seus direitos.

Desde 2009 a legislação eleitoral prevê que 30% das candidaturas de um partido sejam do sexo feminino. Porém, de acordo com a pré-candidata a deputada federal Thaynara Melo, muitos partidos acabam utilizando essa porcentagem apenas para “cumprir tabela”. Segunda ela, acontecem candidaturas fantasmas: algumas mulheres têm o nome usado apenas para preencher a vaga e fechar a chapa. Nesses casos, as mulheres não entram para disputar de verdade as eleições, o que contribui para o maior numero de homens nos cargos de poder.

Thaynara Melo, candidata a deputada federal, acredita que o caminho para a representativa feminina ainda é longo.

Thaynara Melo, candidata a deputada federal, acredita que o caminho para a representatividade feminina ainda é longo

Thaynara Melo, 25 anos, é mais uma das vozes femininas que têm movimentado Brasília. Essa será sua primeira candidatura, mas está cheia de pautas a serem debatidas, como a preservação ambiental e as questões de gênero. Começou na política por meio do movimento estudantil na Universidade de Brasília, passou pelo PSB e hoje integra o Rede Sustentabilidade. Segundo Thaynara, ainda há um desequilíbrio na representatividade, pois o número de mulheres votantes é desproporcional ao número de mulheres eleitas. No DF, 54% dos eleitores são do sexo feminino, de acordo com informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).

“A profundidade da democracia está muito relacionada à representação. Quando você tem uma parcela da população tão grande como as mulheres e uma representatividade de 9,9% de deputadas no congresso você tem muita demanda reprimida”, completa.

Ela ainda ressalta que esse caminho de entrada no meio político encontra barreiras, mesmo com as leis de cotas de gênero.  “O primeiro bloqueio para a mulher ascender aos espaços de poder e de visibilidade está nos partidos políticos. Eles têm estruturas bem oligárquicas ainda relacionadas a famílias”, afirma Taynara.

A candidata a deputada federal Vanessa Negrini afirma que o impeachment  da presidente Dilma ocorreu por fatores de misoienia.

A candidata a deputada federal Vanessa Negrini afirma que o impeachment da presidente Dilma ocorreu por  misoginia

A servidora pública Vanessa Negrini, 43 anos, que também será pré-candidata a deputada federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), teve como uma das motivações para concorrer ao cargo o processo de impeachment da presidente Dilma. De acordo com Vanessa, esse fato a marcou muito, pois para ela se tratou de uma questão de gênero. Para a servidora, fatores ligados à misoginia influenciaram a retirada de Dilma da presidência. “Se fosse um homem ocupando o cargo, provavelmente não teria acontecido dessa forma”, argumenta.

Vanessa não chegou a essa conclusão sozinha. Ela conta que foi uma das organizadoras do livro, lançado pela na Universidade de Brasília, Mídia Misoginia e Golpe, uma coletânea de 52 entrevistas, realizadas por pesquisadores de todo o Brasil, com personalidades acadêmicas e políticas sobre os fatores de gênero que influenciaram no impeachment.

 Para  a pré-candidata, ter representatividade na politica é importante não só para as mulheres, mas para outros segmentos. “Chega uma hora que queremos falar com a nossa própria voz, temos que ter representatividade de cor, de classe social, de orientação sexual, porque senão a gente fica ouvindo poucas vozes no Congresso, que é basicamente hétero, branco e masculino e a sociedade é muito mais ampla que isso.”

Não só de candidatas se faz a política

Jaquelin Nunes Secretária da Negritude do PSB ressalta que estar num partido político é um bom começo para participar das decisões politicas de sua cidade.

Jaqueline Nunes, Secretária da Negritude do PSB ressalta que estar num partido político é um bom começo para participar das decisões políticas para a cidade

A assessora de comunicação Jaqueline Nunes, 29 anos, acredita que uma das maneiras mais verdadeiras de gerar influência nas decisões do governo é participar dos partidos. Ela é Secretária do movimento Negritude do Partido Socialista Brasileiro (PSB), a partir do qual consegue fazer parte da construção de políticas para enfrentamento do racismo, por exemplo. Ela diz que o fato de o partido ser o mesmo do atual governador de Brasília ajuda nessa comunicação.  “O governo busca as bases para saber o que a gente está pensando e tomar decisões”, afirma a assessora.

Assim como a pré-candidata Thaynara, do Rede Sustentabilidade, Jaqueline acredita que, para ter poder e influência, é preciso estar dentro de um partido político. Dentro do PSB desde 2010, nunca se candidatou, mas pensa em um dia disputar as eleições. Para ela, o número de mulheres engajadas tem aumentado. “As mulheres têm tido mais consciência de que elas têm direito àquele espaço. Sempre foram subjugadas no meio político, mas agora estão mais empoderadas”, completa.

 

 

 

Deixe uma resposta

Entrevistas
Entrevista Inovar é saber como os outros se comportam
Cidadania
Foto: Ingrid Pires Projeto leva esporte e música a adolescentes em Sobradinho
Cidades
Placas que sinalizam as saídas do parque, quando existem, estão degradadas. Parque da Cidade precisa de sinalização

Mais lidas