Comportamento

PESQUISA DA UnB APONTA SOLIDÃO ENTRE ALUNOS DO CAMPUS CEILÂNDIA

76% dos estudantes apontaram algum nível de solidão.

Ser jovem e estar dentro de uma universidade pública pode ser sinônimo de felicidade para muitos alunos, mas estudo da Universidade de Brasília (UnB), realizado por pesquisadores do campus de Ceilândia (FCE), revelou um índice significativo de solidão entre os 2.500 alunos. A ideia foi lançar um olhar mais apurado para a saúde mental e entender os motivos do adoecimento. Segundo a pesquisa, as vivências durante o ensino fundamental são distintas do mundo acadêmico, principalmente tendo em vista que a mudança acontece em um período de transição: da adolescência para a vida adulta.

Foram entrevistados 251 estudantes de cursos como Enfermagem, Fisioterapia, Saúde Coletiva e Terapia Ocupacional. Os dados foram coletados com base em instrumento de análise já desenvolvido: a Escala Brasileira de Solidão. A pontuação define o nível de solidão, sendo o mínimo 20 e o máximo 60 pontos.

No campus da UnB Ceilândia são oferecidos seis cursos na área de saúde.

No campus da UnB Ceilândia são oferecidos seis cursos na área de saúde

O perfil dos entrevistados foi predominantemente de mulheres (89,6%), com faixa etária entre 20 e 24 anos (67,7%), renda familiar de 1 a 3 salários mínimos (31,9%), pardos (49,8%) e moradores da Ceilândia (27,5%). A aluna Larissa Simões faz o curso de fisioterapia no campus. Para ela, o acúmulo de atividades e o alto número de disciplinas no semestre pode ser um dos motivos para o sentimento de solidão. “Aqui no ambiente acadêmico às vezes pode acontecer esse tipo de coisa, as pessoas se sentirem sozinhas devido à demanda de coisa para fazer e de muitas atividades, tem gente que trabalha e tudo mais.”

O estudo

Os alunos deviam pontuar o nível de concordância com as questões. O conteúdo desse questionário abordou itens que se aproximavam dos interesses dos alunos, é o que explica a professora e orientadora da pesquisa, Daniela da Silva Rodrigues: “Como é um assunto do cotidiano dos estudantes, acaba que eles se interessam pela temática. E a gente traçou algumas perguntas para identificar se eles se sentem mais ou menos sozinhos no dia a dia, no ambiente acadêmico e em casa. E o que o estudo trouxe foi que nos seis cursos aqui da Faculdade de Ceilândia 40% dos estudantes se sentem sozinhos”.

Os dados encontrados nas amostras ainda revelaram que 76% dos entrevistados disseram ter essa sensação em algum nível. Desses, 7% apontaram de forma intensa, 33% com nível de solidão moderado e 36% solidão leve. Do total de entrevistados apenas 24% não expressaram sentimento de solidão. Os números se tornaram um alarme para os pesquisadores, o que motivou um refinamento da pesquisa. “A ideia é olhar um pouco mais para esse ambiente acadêmico. E trazer quais são as questões que envolvem o estudante adoecer, trancar um curso ou mesmo evadir, porque a questão da evasão está muito presente nesse momento”, explica a orientadora.

Agora, o estudo está em busca de identificar um pouco mais sobre as principais causas que geram a solidão. “Se a gente for pensar na saúde do estudante de uma forma geral, vários fatores podem gerar um adoecimento. Que é o que a gente vem enfrentando, não só aqui, mas em outras universidades, em outros estados e até mundial”.   A professora Daniela Rodrigues acredita, ainda, que um dos motivos do alto índice de solidão pode ser o uso constante de celulares e aparelhos tecnológicos. “Com a revolução tecnológica, as pessoas diminuem essa interação. Então a sociedade traz um pouco isso, aí tem essa mudança de relacionamento, e com isso traz um pouco do que a gente observa desse isolamento, que diminui o contato entre as pessoas”. E esse será um dos objetos para buscar novos resultados.

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