Economia

Crise financeira interfere em comércio

Lojas são fechadas obrigando vendedores e comerciantes a buscarem alternativas para não serem afetados

O comércio do Distrito Federal é um dos setores que mais sentem os efeitos negativos da crise econômica no Brasil. Nas quadras, cada vez mais é comum ver lojas fechadas. Impostos e aluguéis altos, além do menor número de clientes, são apontados como problemas pelos pequenos empreendedores. Na Asa Norte, por exemplo, alguns comerciantes se viram como podem para manter o negócio e exercer a profissão. Os efeitos são percebidos na insegurança dos funcionários. Um deles é o cabeleireiro Francisco Lopes, que diz apostar em promoção e divulgação  para tentar driblar a crise e evitar prejuízos.  ” É uma profissão que exerço com muito prazer. A crise afeta diretamente. O comércio está em crise e, nesse ramo da beleza, o negócio cai também. A gente tenta se manter fazendo muitas promoções, divulgando bastante pela internet. A gente tem um site que contribui muito para manter o fluxo. Fazemos o que podemos para manter a clientela”.

Outros buscam na qualidade dos produtos e no relacionamento com os clientes formas de não serem atingidos pela redução de consumidores. O funcionário de uma panificadora da Asa Norte, Ismar Francisco Gomes, afirma que a estratégia inclui fidelizar os clientes. “Trabalho há 24 anos. A crise não afeta a gente porque a gente sempre procurou driblar os problemas. Nós temos clientes cativos. Temos bons  produtos e atendimento. Nossa tendência é melhorar mais, pois nossos clientes estão em dificuldades, então temos que batalhar para diminuir impostos e os preços”.

Francisco Peixoto, dono de uma banca de jornal também na Asa Norte, menciona que já está há quase 20 anos no mercado. “A crise interfere, com certeza, porque se a pessoa está com poder aquisitivo caindo, ele não vai ficar comprando, principalmente alguma revista para leitura, porque não vai fazer tanta falta assim. Então, vai dar prioridade ao que é mais necessário. Então vamos tendo que procurar outros produtos para somar algo a mais na venda”.

Na avaliação dele, todos os setores do comércio estão sendo afetados. Além disso, os comerciantes precisam levar em conta as despesas fixas mensais. “Para eu me manter aqui, que é um lugar que não pago aluguel, começo o mês devendo R$ 3.500 de impostos, luz, telefone, funcionário, água, taxa de administração. Essas coisas todas. Quem paga aluguel de R$ 1.500 a R$ 2 mil, condomínio, mais os impostos,  fica difícil manter o negócio numa crise que diminui as vendas e o faturamento de todos”.

O economista Tadeu Siqueira analisa que, apesar da crise, já há sinais de recuperação da economia. Na avaliação dele, o momento é de oportunidades. “A crise pela qual passamos foi extremamente severa e realmente atacou o comércio de forma profunda, o reflexo é perceptível nos inúmeros pontos comerciais para venda ou aluguel. Entretanto, a economia dá sinais claros de recuperação, e os sinais são de uma recuperação estrutural”. Ele observa que a taxa de juros de 6,5% ao ano está com viés de baixa e a inflação também está controlada. “A principal dificuldade enfrentada pela economia hoje é a incerteza política, em volta a diversos escândalos de corrupção envolvendo grandes empresas e o poder público”.

Uma das apostas da economia e de maior estabilização pode vir com as eleições. “A recuperação econômica estrutural favorece o ambiente comercial, a taxa de juros baixa favorece aqueles que precisam ser financiados e incentiva os que têm aplicação financeira a buscar alternativas produtivas. A atual disponibilidade do crédito  impulsiona a atividade comercial”.

Um dos sinais de recuperação do mercado, segundo o economista, pode ser observado no indicador de atividade comercial da Serasa Experian. “O movimento dos consumidores nas lojas varejistas aumentou 7% em fevereiro de 2018, em relação ao mesmo período de 2017. Em Brasília, isso não deve ser diferente, portanto quem tem disponiblidade para realizar investimento em atividade comercial, deverá obter bons retornos em um ambiente de maior estabilidade político-econômica, a depender, é claro, do resultado das urnas”.

Mas, no atual cenário, é preciso cautela para aproveitar as oportunidades e, por outro lado, cativar os clientes. “Como ainda há muita incerteza em relação à conjuntura político-econômica, ainda que o cenário que seja de aumento da disponibilidade de crédito, o momento é de barganhar descontos sem fazer grandes dívidas”, explica Tadeu.

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