Entrevistas

Aposta na arte para mudar o mundo

Sem acreditar em modismo, Ribamar Araújo vive da criação de personagens desde os 14 anos

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O artista Ribamar Araújo, de 45 anos, conta que é um daqueles satisfeitos em viver da arte. Formado em artes cênicas licenciatura pela faculdade Dulcina de Moraes, ele diz que já passou por altos e baixos para fazer o que mais ama. Ator e desenhista, adora quadrinhos, cartoons e super-heróis. “Sou arteiro e artista”, define-se. Ribamar já participou de alguns programas na TV, como recentemente o Programa Piloto do Multishow. Com uma pegada mais infantil, atualmente, o artista está focado projeto chamado A turma do cerrado, inspirado na fauna e na flora com o objetivo de mostrar seu trabalho para todo o Brasil. Ele fabrica objetos como canecas com ilustrações, em parceria com a Fundação mais Cerrado, para arrecadar fundos para contribuir com a preservação da Chapada dos Veadeiros. “Não me arrependo de nada nessa vida, faço o que eu quero e sou feliz assim, sempre tem uma novidade na vida de um artista”, comenta. A seguir, a entrevista exclusiva ao portal de Jornalismo do IESB.

-Portal de Jornalismo IESB: O que te inspirou a começar a desenhar?

-Ribamar Araújo: Desenho desde sempre, desde que me entendo por gente. Assistia um programa chamado Turma do Lambe-lambe, então comecei a rabiscar e desenhar. Sempre li muito também, histórias em quadrinho, super-heróis, Turma da Mônica, a Disney inteira, Tio patinhas e por aí vai… Como não tinha tantos livros, abri uma conta na banca, e lia compulsivamente histórias em quadrinho que eram de mais fácil acesso.

- Você vive somente da arte?

- Sim, eu vivo da arte. Me afastei um tempo do teatro, por que agora estou me dedicando aos personagens que criei há 28 anos, o grupo  A turma do cerrado, que é a nossa fauna e a flora. A minha intenção é mostrar para as pessoas o quão bonito é o lobo-guará, como o leão é também. Algumas pessoas não têm conhecimento da fauna brasileira. Então eu estou focando no texto dos quadrinhos, lançando muitos produtos, dia 21 de abril vamos lançar a coleção feminina e masculina para criança. Estou encontrando parceiros que estão fazendo parte do sonho.

- O que te faz seguir nesse caminho?

- Acredito que a inspiração vem do amor à arte. Eu já tentei estudar para concurso várias vezes, mas dormi em todas as provas. Acho que não tenho amadurecimento nem competência para ser, por exemplo, um funcionário público, porque não vou querer levantar todos os dias e fazer a mesma coisa, eu quero a cada dia uma coisa diferente.

- O que destaca como seu maior diferencial?

- Eu amo muito a arte, tudo o que eu faço com muito amor, seguro a bandeira da arte e vou até o fim. Não sou aquele radical, porque tem gente que quer ser artista e quer ser “riponga”. Eu tenho um respeito tão grande pela arte e acho que esse é meu diferencial é esse, não faço por moda. Desde os meus 14 anos até hoje vivo disso. Claro, existem momentos que quando não se é um artista da Globo, falando como ator, que se vive de um esquema amador, tem dias que você compra um helicóptero e outros que você não tem dinheiro para comprar uma balinha. A arte não é tão bem cuidada como outras profissões como medicina, direito e até jornalismo. Por exemplo, um artista não tem como se aposentar.

-Já participou de algum projeto social para crianças?

-Sim, em escolas públicas em Ceilândia, não me recordo o nome da escola, mas era uma escola muito boa, fiz uma oficina de quadrinhos e as crianças tinham um sorriso e um brilho no olhar e é isso que eu gosto de ver. Além de já ir em asilos, já dei aulas para adultos, mas eu não recebia absolutamente nada, utilizando o desenho para adultos em uma escola no Paranoá, projeto em parceria do Banco do Brasil.

- Quais suas dificuldades nesse ramo?

- Quando você está em um País, sem desmerecer, que é miserável em termos político e cultural, não tem valorização. É muito triste, um cara que se destacou como o Maurício de Souza, que já tem 82 anos, mas agora que está conseguindo fazer desenho animado. Então,  em outro País, eu já entraria numa escola de arte, teria a possibilidade de ter me tornado um grande ator. A opção daqui é muito pequena. Por exemplo, se você vai para o Rio de Janeiro você é mais um, se vai para São Paulo, você é bem mais um. Aqui pelo menos ainda tenho meu “mitiezinho”, mas que também não é fácil, é bem complicado.

-Qual o seu maior retorno?

-O público, muito bom você estar na rua ou em uma lanchonete e alguém chegar e falar: “você é tão legal”. Isso que é o melhor.

-Mesmo sabendo das dificuldades, teve apoio da família?

-Não, nunca. No começo eles não aceitavam, queriam que eu fosse qualquer coisa menos artista, eles não entendiam o porquê que eu desenhava. Eles só foram aceitar a minha condição de artista depois que eu fiquei adulto. Meu irmão ia jogar bola e que queria desenhar, eu sabia que era o diferente da família. Minha mãe era concursada, meu pai militar, então tinham pensamentos diferentes. Mas hoje em dia eles adoram vão em espetáculos, dão dez nos desenhos.

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