Meio Ambiente

Extinção de espécies do cerrado provoca desequilíbrio

Polinização das plantas e remédios também podem ser prejudicados

A extinção de espécies do cerrado, como o lobo guará e a cotiarinha, pode causar desequilíbrio na natureza. De acordo com o analista ambiental do Ibama Thiago Martins, espécies como o lobo guará, que são de topo de cadeia alimentar, se extintas podem provocar  infestações de animais que estão abaixo na cadeia. “Com o predador extinto, outros animais podem se reproduzir muito rápido”, completa. Dependendo de qual espécie for extinta, até o processo de polinização das plantas pode ser prejudicado, comenta o analista ambiental. O transporte do pólen auxilia na reprodução e no equilíbrio de cadeias alimentares.

O zoólogo Igor Moraes comenta que, além do desequilíbrio, as espécies também são usadas na produção de medicamentos. “Animais como a cotiarinha produzem compostos para a produção de remédios para o coração”, afirma ele. Há também a questão cultural, na medida em que gerações não poderão ver algumas das espécies.

O zoólogo também diferencia a extinção natural da que ocorre em massa. A primeira é natural e evolutiva, enquanto uma espécie desaparece outra vem para ocupar o lugar. A segunda é feita de forma acelerada e tem como causador o homem. A velocidade impede que venham outros para substituírem o animal. “É como uma torre de cartas, se você tira uma carta de lá e não coloca nenhuma para repor, ela cai”, explica. “Estamos passando pelo sexto processo de extinção em massa, e esse processo só acaba quando o causador some”, alerta o especialista.

Além dos animais, deve-se preservar o local onde eles vivem, afirma o professor de engenharia florestal e especialista em cerrado, Eleazar Volpato. “Sem alimentos e sem seu habitat natural, os animais não sobreviveriam”. Ele destaca que os consumidores primários, que são herbívoros, dependem da flora para sobrevivência. E com a diminuição deles, toda a cadeia alimentar entra em colapso.

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