Política

Fake news é desafio em ano eleitoral

Especialistas alertam que muitas vezes cidadão passa de consumidor para reprodutor de informação sem checar os dados

Um projeto de lei no Senado prevê pena de três anos de reclusão para quem criar e disseminar  notícias falsas. A preocupação com o uso de fake news é maior com a proximidade das eleições. “A sociedade atual precisa dessa dose de pessimismo, muitas pessoas compartilham essas notícias para demonstrar que estão bem informadas”, afirma o sociólogo Eladio Palencia.

As fake news, as chamadas falsas notícias, podem se propagar facilmente, fazendo com que um mal-entendido atinja grandes proporções, especialmente nas redes sociais. “Notícias falsas sempre existiram na política, porém agora há um impacto maior com a popularização das redes sociais, o cidadão, ao invés de ser um consumidor de informação, ele também é um produtor e reprodutor”, explica o coordenador de Ciência Política do Centro Universitário UDF,  José Diocleciano de Siqueira Junior.

Cientista político afirma que redes sociais replicam fake news mas muitas vezes são rapidamente descreditadas

“Notícias falsas sempre existiram na política”, observa pesquisador

O assassinato da vereadora Marielle Franco, em março, no Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre as consequências das chamadas notícias falsas. O conteúdo difamatório contra a vereadora, replicado em centenas de páginas, culminou em abertura de processo por danos morais. Ainda não existe legislação específica sobre o assunto. A crença na veracidade das fake news não se restringe a um grupo social. “Há um entendimento que as classes mais pobres, as analfabetas não sabem votar, mas na verdade ninguém sabe votar corretamente, pois quando o candidato ganha, ele se torna inacessível para grande parte da população”, comenta Eladio.

Para o estudante de engenharia Ricardo Cavalcante Peixoto, o uso de fake news pode ser em benefício próprio. “É uma indústria, ninguém inventa mentira por inventar, há um interesse por trás seja político, religioso… As pessoas que acreditam nesse tipo de notícia são imediatistas, elas vão acreditar especialmente se for de alguém que elas não gostam”, afirma.

O temor é que a crença em notícias falsas possa influenciar no voto do cidadão, influenciando a decisão política.  “Há fake news de todos os lados, tanto da esquerda quanto da direita, dependendo muito de como essas informações estão sendo absorvidas se pode adotar a notícia como verdadeira ou desconfiar dela”, conclui Diocleciano.

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