Política

Movimentos comunitários são alternativa ao poder público

Comunidades se organizam em busca do direito a serviços básicos em localidades como Ceilândia e Jardim Botânico

Tags:
#movimento#comunitário#ceilandia#jardimbotanico#melhoria

    A importância de movimentos comunitários regionais é perceptível em algumas cidades do DF. Ceilândia e Jardim Botânico são exemplos. Em geral, os grupos se organizam na busca por serviços básicos das localidades, como creches públicas, hospitais, escolas, posto de saúde e agências governamentais, além de infra estrutural social. A tentativa é substituir o poder público, muitas vezes ineficiente. “Quando a população local se organiza coletivamente para argumentar alguma coisa, em geral ela consegue respostas mais rápidas e mais eficientes do poder público”, declara o cientista político Thiago Trindade.

    O professor da Universidade de Brasília ainda destaca que estudos comprovam que movimentos comunitários e associações de bairros que trabalham pelo bem coletivo são sempre bem-sucedidos, com exceção dos locais que enfrentam problemas como o tráfico de drogas. “Nem sempre o atendimento dessas demandas está ligado a uma força de pressão política dos movimentos comunitários”, explica o professor. Ele ainda afirma que em alguns casos os movimentos podem combinar o interesse político eleitoral, com demandas de determinado local. “Não que isso seja errado, mas faz parte do processo, o candidato tem que conhecer as necessidades desse local para ser eleito por essa comunidade”, diz ele.

    Coordenadores do Movimento Popular por  uma Ceilândia melhor

    Coordenadores do Movimento Popular por uma Ceilândia melhor

     

    Criado em 2011, o Movimento Popular por uma Ceilândia melhor (Mopocem), nasceu da reivindicação de nomear um administrador para a cidade. Preocupados com a situação, moradores defendiam se seria uma pessoa do local. “Pessoas do povo, para representar o povo”, diz o professor e coordenador do movimento Gilberto Ribeiro. Ele  observa que ainda há pouca participação e, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra Domiciliar (Pdad), menos de 3% da população de Ceilândia participam desse tipo de atividade. A cidade tem mais de 490 mil habitantes. “Tentamos chamar pessoas de todos os setores da cidade para lutar, mas muita gente não se envolve, e é muito importante a participação da população. Seria uma luta coletiva”, ressalta.

    Com a falta de uma administração pública no Jardim Botânico, a organização do Movimento Comunitário do Jardim Botânico surgiu em 2015 para tentara suprir as carências da região. Escolas públicas, hospitais e regularização dos condomínios, além de asfalto a iluminação são algumas das reivindicações. A presidente do movimento, Rosilene Marques, comenta que sente falta do estado e que não há qualquer retorno no sentido da presença de órgãos públicos na região. “Quando o estado não cumpre com o seu, a comunidade tem que se organizar, buscar os direitos, conforme as leis e reivindicar melhorias que são uma obrigação do estado”, diz Rosilene.

    Atualmente, são 51 condomínios filiados ao movimento, no total de 54 mil pessoas que se dividem em comissões por interesses distintos. A presidente ressalta a importância da colaboração e parceria de todos.  “Além dessas cobranças, a gente vê o que essa comunidade pode fazer, porque a gente entende que na estrutura que está nosso País nem o governo consegue fazer sozinho”, conclui ela.

    Deixe uma resposta

    Entrevistas
    Entrevista Inovar é saber como os outros se comportam
    Cidadania
    Foto: Ingrid Pires Projeto leva esporte e música a adolescentes em Sobradinho
    Cidades
    Placas que sinalizam as saídas do parque, quando existem, estão degradadas. Parque da Cidade precisa de sinalização

    Mais lidas