Esporte

Tênis garante inclusão a deficientes intelectuais em Brasília

Pessoas com autismo, síndrome de down e dificuldades de aprendizado têm atividades gratuitas no projeto Tô no Jogo

A ex-tenista Cláudia Chabalgoity, 47 anos, ex-número 121 do mundo em simples e 102 em duplas, é a fundadora do Projeto Tô no Jogo, que ensina o esporte a pessoas com deficiência intelectual. O projeto, patrocinado pelo banco BRB, foi iniciado há um ano e trabalha a consciência corporal, mental e psicológica dos alunos. “São cinco profissionais. A gente tem o técnico de tênis, a terapeuta de consciência corporal, o psicólogo, o terapeuta ocupacional e uma coordenação geral”, explica.

A ex-tenista Cláudia Chabalgoity é fundadora do projeto que atende 30 alunos.

A ex-tenista Cláudia Chabalgoity é fundadora do projeto que atende 30 alunos

As aulas acontecem na Associação dos Servidores do Senado Federal (Assefe), às segundas, quartas e sextas-feiras, para turmas diferentes. Atualmente, são 30 alunos, com espectro autista, dificuldades de aprendizado associado à deficiência, e síndrome de Down, selecionados apenas pelos professores de educação física nas escolas conveniadas, que atualmente são Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e o Instituto Pestalozzi, tudo gratuito.

Com duração de duas horas, dez alunos por turma, que se divide por 25 minutos em três tipos de exercício trabalhados em grupo: o de quadra, de consciência corporal e o de jogadas de tênis precisas, conhecida como motor fino. A expectativa é que as turmas durem um ano. Posteriormente, alguns deles podem disputar torneios. Entre os futuros planos futuros do está à promoção de circuitos de tênis locais, com disputas nas turmas iniciantes.

O tênis visa trabalhar a inclusão e reforçar a amizade, segundo Cláudia. “Apesar de ser um esporte competitivo, a gente tem como trabalhar a cooperação no esporte, a concentração, o foco, a autoestima. O  tênis como um todo trabalha isso, e nos especiais não é diferente, a gente traz isso, o esporte traz esses valores”.

O aluno e atleta Luciano Rocha Araújo, 40 anos, concorda. “O que vale é o esforço, e o trabalho físico também, com a pessoa com deficiência”. Além do tênis, Luciano treina e compete no atletismo, tendo participado de várias maratonas, por meio da Instituição Pestalozzi.

O professor de tênis Dustin Ícaro Calvancante de Souza, 19 anos, que ensina no projeto, destaca a valorização da pessoa através do tênis, especialmente no desenvolvimento afetivo. “Eles apresentam muito mais motivação, vontade de fazer as coisas, um sorriso, eles são muito mais felizes dentro dessa integração”.

Valores como motivação e afetividade são desenvolvidos no tênis, como explica professor Dustin Ícaro.

Valores como motivação e afetividade são desenvolvidos, como explica  Ícaro

O projeto valoriza e respeita os limites dos alunos e vê a inclusão acima de qualquer competição. “A gente não compara um com o outro, eles são comparados consigo mesmos, então a gente tenta esticar o limite até onde ele desejar, até onde eles querem, para que tenham uma vida mais autônoma, com maior capacidade de decisão”, conclui Cláudia, que pretende ampliar o projeto para cadeirantes.

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