Cidadania

Viagem com vontade de mudar o mundo

Jovens de Brasília saem do país para praticar trabalho voluntário

Danniel chegou ao Nepal para ajudar sobreviventes de um terremoto

Danniel chegou ao Nepal para ajudar sobreviventes de um terremoto

Uma geração de brasilienses, entre 25 e 35 anos, tem embarcado em viagens internacionais para fazer trabalho voluntário. O projeto propõe experiências únicas e pode custar mais de R$ 20 mil, dependendo do tempo de viagem. O impacto da vivência no chamado “intercâmbio voluntário” pode ser tão grande que alguns viajantes largaram tudo aqui na cidade para viver praticando a caridade em países como Camboja, Gana e Índia.

É o caso da jornalista brasiliense Julia Daloia, 29 anos, que vendeu o carro, saiu do emprego em que estava há três anos e partiu numa viagem de volta ao mundo. “A vida é feita de desafios. E a ideia principal era sair da bolha que vivia em Brasília.” Julia e o namorado deram aulas de inglês para crianças cambojanas em passagem pelo país da Ásia. Agora ela parte numa nova empreitada pela África. “O voluntariado vem da minha formação. Desde a adolescência, eu tinha essa relação com a caridade, de ajudar, se entregar ao outro. Daí veio a vontade de pegar a estrada e conhecer novas culturas, aliando esse desejo.”

O administrador brasiliense Danniel Oliveira, 30 anos, iniciou seu primeiro intercâmbio com uma viagem à Irlanda, mas acabou indo parar no Nepal, no sul da Ásia. “No fim de abril de 2013 fui surpreendido com a notícia do terremoto que ocorreu lá. Aquilo mexeu muito comigo, eu sentia que tinha que fazer algo. Foi quando pedi demissão do meu emprego e, dez dias depois, estava em Kathmandu para ajudar da maneira que pudesse os sobreviventes.”

A experiência de Danniel não parou por aí. “Iniciei campanhas online e consegui arrecadar dinheiro para reconstruir 210 casas temporárias, 4 escolas e compramos também 14 mil quilos de arroz.” De lá pra cá, o intercambista já passou 19 meses em trabalhos voluntários na Índia, Mongólia, Rússia e Iraque.

Julia Daloia está em viagem à África

Julia Daloia está em viagem à África

As histórias são similares com a do administrador de empresas Eduardo Mariano, 26 anos, fundador de uma empresa brasileira especializada no segmento de intercâmbio voluntário, a Exchange do Bem. “Tudo começou numa viagem ao Nepal, que durou 34 dias. A experiência ao lado de crianças e adolescentes nepaleses me fez deixar os planos de ser executivo para incentivar de forma profissional projetos humanitários fora do Brasil.”

Como numa agência de viagens, a empresa de Eduardo cuida de todo o protocolo entre o voluntário brasileiro e a comunidade internacional na qual ele quer atuar. “A partir de um formulário, a gente analisa se o perfil do voluntário se encaixa com a ONG com a qual quer trabalhar e se o idioma é compatível. Caso a ONG do país tenha disponibilidade para receber o voluntário, cuidamos da parte burocrática. Parte do lucro da empresa vai para as ONGs manterem suas atividades.”

O pacote das agências brasileiras varia entre uma semana a quatro meses, custando entre U$ 250 e U$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil). O valor inclui hospedagem, alimentação, alguns passeios, rotina de trabalho junto à comunidade e dias livres. Os pacotes não incluem passagem aérea, visto e seguro viagem – ficando a cargo do voluntário. E não pense que o conforto é praxe: o intercambista costuma dormir nos mesmos tipos de casas da sociedade em que será inserido. Ou seja, sem conforto, água quente e wi-fi.

A próxima saída é no feriado de 7 de Setembro, com direito a participar da reconstrução de um sistema de água e esgoto para uma comunidade de Gana. E aí, topa?

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