Saúde

Automedicação: apesar de apresentar riscos, a prática é referenciada pela OMS

Embora consumir medicamentos sem prescrição possa ser perigoso, a organização apoia o uso em situações controladas

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As três cartelas de medicamentos na bolsa entregam um velho hábito. Marilia Rocha, recepcionista bilíngue de escola particular no Lago Sul, hora ou outra apresenta dores na perna, sinusites, cólicas e recorre, primeiramente, à automedicação. Segundo Marilia, o medo de hospitais e a falta de tempo são os principais motivos para não buscar um profissional da saúde para o diagnóstico.

Leitura dos rótulos e bulas é passo importante para a automedicação responsável

Leitura dos rótulos e bulas é passo importante para a automedicação responsável

Assegurada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação responsável é tida como um importante processo na manutenção da saúde pública global. Cartilha publicada pelo organismo internacional aponta que pode haver redução no custeamento da saúde, especialmente em locais onde acesso a tais serviços é limitado.

Segundo o documento, a automedicação abrange remédios e produtos que não requerem prescrição médica e que são produzidos e vendidos aos consumidores para uso próprio. Isso inclui medicamentos isentos de prescrição (MIP), suplementos alimentares, vitaminas e fitoterápicos. Além disso, a automedicação responsável pode ser feita para prevenção e tratamento de sintomas de saúde que dispensam consulta ou acompanhamento médico.

A OMS, no entanto, ressalva cuidados aos usuários que optam pela automedicação. De acordo com a organização, consumidores e pacientes devem ser instruídos sobre como usar o medicamento e sobre quando a consulta com o profissional se faz necessária.

A linha entre entre a automedicação responsável e irresponsável é tênue e difícil de definir. É o que Helder Mello, farmacêutico e mestre em hemoterapia pela Universidade de São Paulo (USP), explica: “Os MIPs podem ser adquiridos sem receita médica, mas não deveriam ser consumidos sem a devida orientação profissional ou a atenta leitura da bula. A bula orienta as reações adversas possíveis, que vão desde sonolência e reações alérgicas, por exemplo. É sempre bom verificar os riscos com o farmacêutico e, em casos de reações, buscar imediatamente atendimento médico.”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sob o mesmo ponto, alerta que, quando consumidos incorretamente e sem critérios, medicamentos podem acarretar problemas de saúde ao usuários. Em entrevista, a assessoria de imprensa da agência deixa claro que os medicamentos não são bens de consumo comuns como alimentos e roupas.

Na América Latina, o Brasil aparece como uma das populações que apresentam maior tendência a comprar medicamentos sem previamente consultar o médico. Alertando quanto aos riscos da automedicação, a Agência Sanitária apontou, ainda, que 39% das intoxicações humanas no país em 2016 se deram por conta dos medicamentos.

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