Economia

Motoristas mudam hábitos para enfrentar aumentos quase diários da gasolina

Condutores deixam carro em casa e aderem ao transporte público ou aplicativo de transporte individuais

Com aumentos quase diários no preço da gasolina, desde que a Petrobras adotou nova política de preços, o consumidor do Distrito Federal foi forçado a usar a criatividade e rever hábitos para encaixar essas despesas extras no orçamento mensal.

Deixar o automóvel em casa e trocar o meio de transporte por outro mais em conta, como o transporte público é uma das estratégias.

Deixar o automóvel em casa e trocar o meio de transporte por outro mais em conta, como o transporte público é uma das estratégias para economizar

Deixar o automóvel em casa e trocar o meio de transporte por outro mais em conta, como o transporte público e aplicativos de transporte individuais, são algumas das estratégias utilizadas pelo motorista da Capital.

O valor médio da gasolina vendido nos postos brasileiros subiu em 13 Estados e no Distrito Federal no começo do mês de abril, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em outras 13 unidades da Federação houve queda nos preços médios do combustível de petróleo.

O economista da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, de 71 anos, conta que o aumento está pesando no bolso do brasiliense. “ O consumidor, às vezes, perde o controle desses aumentos e das variações. O brasileiro está pagando mais caro pelo combustível e, aqui na capital, a realidade não é diferente. Esse aumento está pesando no bolso da família. O ideal é usar o carro uma vez por semana para economizar. Mas é difícil abrir mão desse conformo por conta do sistema de transporte público de má qualidade”, ressalta o economista.

Com os sucessivos aumentos, o analista financeiro, Alex Nascimento, há três mês deixa o carro em casa e usa o transporte público. Os gastos do analista financeiro usando o transporte coletivo chegam a R$ 120 mensais. Se estivesse usando o carro, Alex estaria gastando cerca de R$ 250. “Comecei a usar o transporte público depois que percebi que o aumento da gasolina estava pesando no bolso. Indo ao trabalho de ônibus economizo R$ 130. Posso usar esse dinheiro para outras despesas e utilizo o carro apenas aos finais de semana”, conta Alex.

Assim como Alex, o servidor público, Roberto Oliveira, de 44 anos, morador da Asa Norte, aderiu ao uso do transporte público com os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis. Quando não usa ônibus para ir ao trabalho, que fica no Setor de Autarquias Sul, ele prefere usar o transporte individual do que ir de carro ao trabalho, tudo em nome de uma boa economia. “Não só percebi, mas também senti no bolso a economia que estou fazendo. Gastava quase R$300 por mês abastecendo o carro e, hoje, gasto pouco mais da metade com essas duas alternativas”, lembra o servidor público.

Liberdade sobre os preços

Os aumentos mais frequentes no preço dos combustíveis começaram a valer em julho do ano passado, como parte da nova política de reajustes da Petrobras. A empresa, agora, pode reajustar para mais ou menos o preço da gasolina e diesel, de acordo com cotação do mercado internacional. O presidente do Sindicombustíveis – Sindicatos do Comércio Varejista de Combustíveis do DF, Daniel Costa, afirma que os donos dos postos são livres para aumentar ou diminuir os preços cobrados pelos combustíveis.

Valor médio da gasolina vendido nos postos brasileiros subiu em 13 Estados e no Distrito Federal, segundo dados da ANP.

Valor médio da gasolina vendido nos postos brasileiros subiu em 13 Estados e no Distrito Federal, segundo dados da ANP

“Cada posto revendedor pode praticar o preço que achar necessário, assim como cada investidor ou empresário pode entrar ou sair do mercado a qualquer momento. Os preços são definidos, individualmente, por cada posto de acordo com a sua política de preços interna”, explica o presidente do Sindicombustíveis.

Informações públicas

Desde o dia 19 de fevereiro, a Petrobras decidiu tornar públicas as informações sobre a composição de preço dos combustíveis. As planilhas disponíveis mostram que os impostos são os maiores responsáveis por manter o produto em alta.

Cerca de 45% do valor final da gasolina são referentes a encargos, sendo 29% deles estaduais – a exemplo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – e 16% federais – como Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

O especialista em economia brasileira, Carlos Eduardo, de 74 anos, explica que essa arrecadação é importante para a economia brasileira. “Esses impostos são necessidades de arrecadação do governo. Cerca de 32% do PIB brasileiro é de carga tributária. O governo tem que arrecadar para a economia girar”, finaliza o especialista.

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