Ciência e Tecnologia

Pesquisadoras da UnB usam a ciência para combater o tráfico de animais silvestres

Trabalho auxilia na identificação de rotas e na devolução de animais presos em cativeiro

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Eliane Freitas e Gislaine Fernandes trabalham juntas realizando o mapeamento genético de aves.

Eliane Freitas e Gislaine Fernandes trabalham juntas realizando o mapeamento genético de aves

Você sabia que são traficados cerca de 38 milhões de animais silvestres no Brasil todos os anos? Os dados são do 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre da Recntas, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). E o que fazer com os animais apreendidos? As alunas de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Universidade de Brasília (UnB) Eliane Freitas e Gislaine Fernandes apresentaram um trabalho importante na hora de achar a casa de cada um deles.

Os animais apreendidos por conta do tráfico no Brasil são regularmente direcionados para os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Os bichos passam por diversos cuidados, como a identificação, avaliação e reabilitação para voltar à vida normal. Mas podemos soltá-los em qualquer lugar? A resposta é não. Além de fatores como a inexistência de animais em certos ecossistemas, há ainda a diferenciação genética entre os da mesma espécie. Quando soltos em locais de onde não vieram, podem causar problemas genéticos às populações receptoras.

Quem explica isso melhor é Gislaine, com seu projeto de doutorado baseado em mapeamento genético do canário e do papagaio. Ela dá um exemplo sobre o periquito Jandaia, encontrado em várias regiões do Brasil, podendo ter uma diferenciação genética que deve ser levada em conta na hora da soltura. “Primeiro a gente faz o mapeamento genético. Então a gente tenta descobrir se tem uma diferença. Se geneticamente o Jandaia que é da Amazônia for diferente do que se encontra no cerrado, você tem que propor medidas de mitigação [intervenção humana com o intuito de reduzir ou remediar um determinado impacto ambiental nocivo] diferentes para cada população animal. Se soltar todos em um local discriminadamente, você pode estar levando danos para aquela população local”, explica.

A maior parte do trabalho é realizada nos laboratórios do Instituto de Biologia, na Universidade de Brasília.

A maior parte do trabalho é realizada nos laboratórios do Instituto de Biologia, na Universidade de Brasília

O mapeamento genético inclui vários passos. Tudo começa com a coleta de dados genéticos dos animais em habitat original. Depois da coleta dos dados, passam por um processo chamado de sequenciamento genético. Após esse processo, os marcados genéticos são comparados entre dados de vários bichos em uma mesma espécie. O Cetas de Goiás foi um dos centros que já pediu auxílio das doutorandas para identificar a região dos animais que estavam presos em cativeiro. Alguns peritos da Polícia Federal também conhecem a pesquisa e colaboram com o projeto.

Eliane e Gislaine explicam que os usos dos marcadoress genéticos podem servir para fazer teste de paternidade em animais de cativeiros legalizados. A prática ajuda a identificar se todos os filhos são mesmo dos animais que vivem no cativeiro, ou se o dono usa o espaço para mascarar o tráfico de animais

O Tráfico de animais silvestres

De acordo com os dados da ONG Renctas de 2017, o Brasil é um dos principais alvos dos traficantes da fauna silvestre devido a sua imensa biodiversidade. O tráfico de animais é considerado a terceira maior atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. No Brasil são traficados cerca de 38 milhões de animais por ano, que correspondem a cerca de 900 milhões de dólares movimentados pela atividade ilegal. De cada 10 animais traficados, 9 morrem antes de chegar ao seu destino final. A maioria dos animais capturados não tem destino por conta da ausência de informações sobre o seu habitat de origem.

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