Saúde

Informação é essencial para doares de sangue

Confira impeditivos para doações nem sempre conhecidos pela população

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Você já precisou de transfusão de sangue? Se a resposta foi negativa, que bom,  você não faz parte das 3,5 milhões de pessoas que são transfundidas por ano, no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Em Brasília, cerca de 70 mil transfusões acontecem por ano, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS).

Impeditivos na hora de doar, visam a saúde da população

Impeditivos na hora de doar, visam a saúde da população

Para o dado de transfusões em âmbito nacional, esse número equivale a aproximadamente 2% da população total do país. A porcentagem de doadores, em 2017, foi de 1,9% da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que 3% da população devem doar, para que haja compatibilidade entre doadores e pacientes que precisam de transfusão.

Por mais campanhas que os governos estaduais e federais façam para incentivar a doação voluntária, esse número não chega ao ideal. Alguns por medo, outros por não pensarem sobre isso, muitos não fazem por falta de informação.

No Hemocentro de Brasília, o biomédico e gerente do ciclo do doador, João Rogério, informa que em média 250 pessoas por dia se inscrevem para fazer a doação. Destas, aproximadamente 25% estão inaptas para completar todo o ciclo, que vai desde a captação do doador até a coleta do sangue. A inaptidão pode se dar por comportamento de risco, uso de medicações, vacinas ou doenças encontradas nos exames laboratoriais.

Aproximadamente 25% dos doares não completam o ciclo de doação
Aproximadamente 25% dos doares não completam o ciclo de doação

Os exames são sensíveis, mas não específicos. Ou seja, quando há um paciente com gripe, por exemplo, o exame para vírus pode dar positivo. O paciente é chamado para um segundo diagnóstico. Ou seja, o exame é abrangente. Acusa positivo para qualquer vírus encontrado no organismo.

Existem vários impeditivos, mas apenas doenças autoimunes são proibitivos permanentes, como por exemplo, lúpus, diabetes mellitus tipo 1, artrite reumatoide, entre outras. O que ocorre é um tempo determinado para determinada substância. O cigarro, por exemplo, são 30 minutos. O narguilé, um ano. O risco que este instrumento apresenta é por ser de uso compartilhado. A hepatite, por exemplo, é facilmente passada de uma pessoa para outra com o uso de instrumentos compartilhados. A Cannabis Sativa (nome científico da planta popularmente conhecida como maconha), apresenta a mesma justificativa, mas o tempo de impedimento é de apenas 12 horas.

Uma doença que não impede permanentemente, mas que as condições dela sim, é a diabetes. Aqueles que possuem a tipo 1 e necessitam fazer uso da insulina, podem doar, mas não podem interromper o uso da substância que por si só, é impeditiva. Sua origem é muitas vezes porcina (proveniente do porco) e ovina (proveniente de ovelha), características estas que tornam o paciente proibido de doar. “Para doar saúde, você tem que ser saudável”, diz João Rogério.

Se você vai de bicicleta ao Hemocentro, isso também pode impedi-lo de doar. A razão é o esforço físico, que combinado com a retirada

O FhB fica no setor médico hospitalar, quadra 03, Asa Norte, em Brasília

A FHB fica no setor médico hospitalar, quadra 03, Asa Norte, em Brasília

de sangue, pode causar desmaios. Entretanto, não é um impeditivo. O Hemocentro pode emitir um atestado de um dia inteiro de trabalho àqueles que chegam até o fim do ciclo do doador. É possível chegar e aguardar algumas horas para fazer a triagem e posteriormente, a doação. Para àqueles que forem considerados inaptos ainda na triagem, o atestado é de meio período.

Grávidas e lactantes não devem doar, já que a retirada de sangue pode causar aborto e/ou influenciar na quantidade de ferro no corpo da mãe. Substância essa de extrema importância para recuperação pós-parto e amamentação, como alerta Kamila Moraes, chefe do Núcleo de Triagem Clinica: “as condições para doação são uma preocupação do Ministério da Saúde e do Hemocentro para garantir a saúde do doador e o bom produto que será recebido pelo paciente que precisa de transfusão”.

Quanto às questões sexuais, Rogério disse que a portaria (Portaria de Consolidação número 05) não proíbe a doação por homossexuais, e sim por “homens que mantêm relação sexual com outros homens”. Ainda assim, o impeditivo é por 12 meses da última relação. Uma mulher, por exemplo, só estará igualmente inapta se tiver tido relações anais. Em relação vaginal, há menos risco de ter sido exposta aos agravantes de doenças virais, relacionadas a fluidos corporais e sangue.

As perguntas feitas no consultório, fazem parte da triagem de doadores

As perguntas feitas no consultório, fazem parte da triagem de doadores

Pega na mentira

Na triagem, o paciente responde a 42 questões baseadas na cópia da portaria do Ministério da Saúde, pelas quais existem meios de saber se o candidato à doação está mentindo. “Pode passar, da primeira vez, na barreira física aqui. Mas pode cair na barreira biológica, na hora dos exames de laboratório. Ou ele pode cair numa chamada janela imunológica, quando o vírus está encubado e não ativo no organismo ainda. Esse é um risco que a gente corre”, problematiza o biomédico.

Entretanto, ele diz que o processo de triagem do Hemocentro é muito bom e que médicos e enfermeiros encarregados pela triagem são treinados para pegar a mentira. “Às vezes, vem um casal doar. Cada um entra em um consultório. Eles mesmos desmentem a história um do outro. Dá pra saber quando acontece omissão”, conta Rogério, que acrescenta: “É um trabalho investigativo. Devemos seguir a portaria, mas não podemos ser engessados”.

A questão da mentira é importante, pois muitos candidatos estão interessados no atestado dado pelo hemocentro ou até mesmo, nos exames que serão feitos. Há isenção da taxa de inscrição em concursos federais para aqueles que comprovarem serem doadores de sangue, de acordo com a lei número 503/2017. Para os que buscam apenas os resultados de laboratório, funcionários encaminham para os exames gratuitos do governo. O CTA (Centro de Testagem Anônima), por exemplo, é um dos locais e fica na rodoviária do Plano Piloto.

Após as perguntas, a equipe explica ao possível doador  as consequências de doar. Esse esclarecimento é para que o Hemocentro possa se prevenir da última chance de omissão possível. Na entrevista, existe uma pergunta final, para a qual a resposta é anônima. O doador é quem coloca a resposta na tela, sem o conhecimento do profissional que o está atendendo. Se o doador por algum motivo acreditar que pode estar em janela imunológica, ele mesmo pode considerar-se inapto à doação. O nome dado é voto de auto exclusão.

É importante saber que existem medidas legais para quem doar sangue contaminado. Se alguém no hospital recebe uma transfusão e descobre uma doença tardiamente, diagnosticada como procedente da transfusão, o doador é contatado e pode responder legalmente pelo ocorrido.

Márcio Souza tem 43 anos e é professor. Ele possui o sangue O+, um dos mais procurados pelos bancos de sangue por ser doador universal. Já foi barrado uma vez, quando teve suspeita de ter tido no passado Hepatite A. Essa condição o impediria de doar novamente, mas o próprio Ministério da Saúde não torna essa condição proibitiva. Como professor, ele diz que sempre incentiva alunos e familiares. “Vale a pena ajudar o próximo”, diz.

Os doadores podem considerar o próprio sangue inapto para doação, através de resposta sigilosa

Os doadores podem considerar o próprio sangue inapto para doação, através de resposta sigilosa

No caso de Sabrina Rolim, de 19 anos, a doação é uma vontade, mas não uma possibilidade. Ela tem problemas respiratórios e altas doses de sódio e gordura no sangue. Essas são condições hereditárias, mas pelas quais a garota já está em tratamento. “Na minha escola, ano passado, teve uma campanha de doação de sangue. Eles disseram que quem tivesse passado por exame de tomografia nos últimos 3 meses não poderia doar. Eu faço tomografia regularmente, por causa das minhas condições. Quando eu melhorar, vou doar. A agulha só não pode ser muito grande”.

Se você tem vontade de doar ou curiosidade para saber se é ou não um candidato a prestar essa ajuda à sociedade, basta entrar no site do Hemocentro. Lá você tem acesso à uma lista de todas as necessidades e aos impedimentos para doação. Para ganhar tempo, já que a espera pode ser longa, a depender do dia, é possível agendar sua doação através do número 160, opção 2.

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