Educação

Ensinar crianças a se relacionar com dinheiro vira brincadeira

Especialistas destacam importância de educação financeira começar cedo e garantir aprendizagem para a vida toda

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A educação financeira é a forma de melhorar a compreensão sobre os conceitos e a aplicação de valores na vida de pessoas e na sociedade. A disciplina passa a fazer parte da grade curricular em 2019. Apesar de um decreto presidencial prever a modalidade de ensino há oito anos, a iniciativa saiu do papel apenas no Tocantins, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Ceará, como programa de impacto para 25 mil alunos.

Elvira Cruvinel e João Evangelista do Banco Central

Elvira Cruvinel e João Evangelista, do Banco Central

A chefe do departamento de Educação Financeira no Banco Central, Elvira Cruvinel, explica que o tema é um processo de aprendizagem para a vida toda. O coordenador técnico e analista, também do Banco Central, João Evangelista complementa que, “para que a educação financeira seja eficiente, é preciso que se tenha programas para internalização dessa informação”. O programa foi dividido em dois grupos e depois foram avaliados na aquisição de conhecimento, atitudes e comportamento. Nas três dimensões, os resultados foram positivos”.

Pequenos economistas

Algumas escolas do Distrito Federal já oferecem projetos próprios para os alunos desde 2012, como é o caso da Escola Classe 11 de Sobradinho. A diretora do colégio, Kátia Costa, conta que a iniciativa surgiu com uma professora da 3ª série do ensino fundamental e deu resultado. Nos anos seguintes, incluíram o tema para as demais turmas, de forma lúdica e com o envolvimento da família.

O projeto “Pequenos Economistas” é coletivo e cada sala recebe um cofre para, semanalmente,os alunos depositarem uma quantia. “A ideia é a colaboração e a inclusão. Não importa o valor que cada criança contribui, o importante é que ela participe dos desdobramentos”, explica Kátia. Com isso, iniciam atividades de registro, elaboração e resolução de situações-problema, confecção de tabelas e gráficos, muitos relatos orais, produções de textos individuais e coletivos, formas de pagamentos, juros, planejamento e ordenação de registros decimais.

 Ítalo Calisto e Pedro Lucas, em atividade da aula de Educação Financeira


Ítalo Calisto e Pedro Lucas, em atividade da aula de Educação Financeira

As crianças trabalham um objetivo comum: o passeio de fim de ano, que elas pagam com os valores arrecadados. “O resultado é que os estudantes conseguem apresentar um comportamento crítico nas relações com a educação financeira”, conclui a diretora. Davi Rodrigues, estudante do 1º ano, fez o planejamento e o objetivo dele é aprender a economizar.

Rendas e despesas

Fazer com que as crianças entendam valores não é uma tarefa considerada simples. A empresária Camila Santos, mãe de Luan, conta que, quando ele tinha 7 anos, não conseguia fazê-lo entender a importância de economizar em casa. Fizeram um trato: ele receberia, na época, uma mesada de R$ 500, mas ficaria responsável pela conta de luz da casa, que dava em torno de R$ 380. A necessidade de economia era um dos principais pontos de atrito entre os dois. “Com o trato, ele não só começou a apagar as luzes como também virou o fiscal da casa. A avó, que usava secador de cabelos todos os dias, também teve que se enquadrar. Quando essa despesa saiu da mesada dele, o comportamento mudou” , diz Camila.

A Escola Classe da 304 Norte também adotou estratégias para ensinar os alunos. A coordenadora pedagógica, Valéria Ramos, conta que o programa “Poupança Solidária” é realizada na aula de matemática e o trabalho com sistema monetário ajuda estudantes a planejarem as atividades de fim de ano. “Eles fazem pesquisa de mercado, analisam contratos, fazem planilhas, conferem notas e esse avanço é refletido em casa. Eles ganham muito em autonomia”.

Operações financeiras 1º ano do fundamental

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin) aponta que 100% dos alunos que têm educação financeira na grade curricular apresentam mudança de comportamento em relação ao uso do dinheiro, reagem melhor à negativa de compras e entendem a situação financeira da família.

Autores de Brasília sobre Educação Financeira

Autores de Brasília sobre Educação Financeira

Regulamentação

O Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef) é instância responsável pela direção, supervisão, e pelo fomento da Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef). Os órgãos reguladores que fazem parte da estratégia educacional são: Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários, Superintendência Nacional de Previdência Complementar, Superintendência de Seguros Privados, Ministério da Educação e outros.

O programa, constituído no decreto presidencial 7.397/2010, são guiados pelo Plano Diretor e documentos que consolidam a atuação da Estratégia Nacional de Educação Financeira. As ações são compostas pelos programas transversais e setoriais, coordenados de forma centralizada, mas executados de modo descentralizado.

A meta é oferecer a matéria nas escolas, e abrange três públicos-alvo: crianças, jovens e adultos. O desenvolvimento sob a orientação do Ministério da Educação (MEC) e conta com a colaboração das secretarias de educação estaduais e municipais para chegar às crianças e jovens pelas escolas de ensino fundamental e médio.

Serviço

No site www.vidaedinheiro.gov.br estão disponíveis os materiais didáticos para os alunos e a metodologia para os professores gratuitamente.

A escola Classe 11 de Sobradinho utiliza materiais paradidáticos de autores de Brasília, como Alvaro Modernell, Eduardo Coelho Pacheco, Itamar Rabelo e outros.

Já o Banco Central disponibiliza no site uma série de livros educativos para download. “O pagamento mágico”, “O que é um Banco Central”, “O fantasma da inflação”, “O que é o dinheiro” e “O que são os bancos” que podem ser acessados em Cadernos BC – Série Educativa.

O Banco também promove visitas monitoradas de escolas ao Museu de Valores, em que são desenvolvidas atividades lúdico-pedagógicas adequadas à faixa etária e ao nível de escolaridade da turma. E também possui duas publicações dirigidas ao público jovem: Dinheiro no Brasil e Dinheiro Custa Dinheiro.

Contato

Tel.: (61) 3414 2093

Fax: (61) 3414 1331 e 3414 1898

museudevalores@bcb.gov.br

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