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Prática de esportes na gravidez é saudável

Especialistas recomendam a continuidade de exercícios, desde que com acompanhamento e com respeito aos limites do corpo

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Em busca de uma gestação saudável, muitas esportistas vivem o dilema dos limites do corpo frente à nova realidade, sejam elas atletas de alta intensidade ou praticantes moderadas. Segundo o ginecologista e obstetra Guaraci Lélis, a prática do exercício é ótima, desde que não exista contraindicação. “Melhora a circulação da gestante, proporciona o ganho de peso adequado, serve como prevenção de diabetes e de hipertensão na gravidez”, diz o médico.

Antes de começar um programa de exercícios, no entanto, é recomendável o aconselhamento médico. Nos primeiros três meses, a dica é fazer caminhadas leves, sem muito esforço físico. Após o primeiro trimestre, a paciente é liberada para atividades físicas como: natação, hidroginástica, caminhada e yôga. Pilates e crossfit só devem ser feitos com profissionais capacitados para lidar com as exigências de uma gestação. O importante, segundo o médico, é não exagerar em atividades que possam aumentar muito a pressão abdominal e cardiovascular.

A educadora física e perinatal especializada em atividade física para gestante, Daniela Rico, desenvolve programas especializados há 17 anos em quatro academias de Brasília. “Os profissionais que trabalham com gestantes têm que estudar fisiologia, anatomia, mudanças posturais e cinesiológicas para entender melhor esse público e saber adaptar de forma segura e eficiente um programa para grávidas”,explica Daniela. Ela reforça que questões como a psicologia, as patologias sérias, como pré-eclampsia, diabetes, trombose devem ser levadas em consideração. “Não é só exercício que envolve a gestação, temos que se programar para um universo multidisciplinar”, completa.

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As atividades não devem exceder cinco vezes por semana em atletas e, nas praticantes mais sedentárias, três vezes por semana. Guaraci reforça que esportes muito extenuantes, que ultrapassem os limites físicos, podem ocasionar uma ameaça de parto prematuro e sangramentos transvaginais. Em caso de desconforto ou alterações, a prática deve ser suspensa. É importante vestir roupas leves, usar tênis confortáveis, alimentar-se adequadamente e hidratar-se sempre.

No final da gravidez, a mulher fica mais cansada e com a barriga maior. O natural, lembra o médico, é que alguns movimentos fiquem limitados. Este é o momento de baixar a intensidade, mas sem impedira continuidade até o final do período de gestação .

Já as grávidas sedentárias devem começar devagar. A Educadora física lembra que a caminhada, que parece inocente, é uma atividade que tem fator gravitacional. “Há uma compressão da veia cava, que diminui a circulação para os membros inferiores”. No final ela está mais inchada do que quando começou. Em outras atividades, como as aquáticas, ela pode ter melhor retorno venoso.

Os médicos e profissionais de educação física podem ser vínculos importantes durante esse período. É preciso também contar com o bom senso da gestante. Elas devem perceber a necessidade de interromper algumas atividades ou de intensificá-las. É o caso da aluna Jéssica Corrêa, que praticou crossfit até os últimos dias da gestação. “Meu obstetra liberou para praticar, já que eu tenho hábitos esportivos regulares há muitos anos. Então intercalei meu treino com outras atividades de fortalecimento, isso tudo me ajudou a ter um parto normal, com ótima recuperação e ainda melhorou a minha consciência corporal”, diz Jéssica.

A servidora pública Carolina Berezowski pratica esportes regularmente desde 2002. Ela é adepta do crossfit e da natação. Grávida de sete meses da segunda filha, diz que embora esse esporte seja controverso na gravidez, confia no treinador dela, Guilherne Salles. Segundo ele, a aluna é uma esportista, e as atividades de salto e impacto foram substituídas por outras que demandem menos esforço e não ofereçam risco de quedas. “Os exercícios são discutidos diariamente para que ela faça os movimentos de força, trabalhando um lado de cada vez para não diminuir o equilíbrio e cuidamos da frequência cardíaca para não haver picos acima de 140 batimentos por minuto”,finaliza Guilherme.

A especialista Daniela Rico sugere algumas modalidades esportivas adequadas para o período de gestação:

Natação: Ajuda no fortalecimento muscular em vários grupos, principalmente trabalhando vícios posturais recém adquiridos. Tem baixo impacto, com menor risco de lesões, aumenta e mantém a capacidade cardiopulmonar contribuindo para a diminuição de peso. O recomendado é nadar crawl e costas com cuidado na correção postural, para não deixar o quadril ficar muito abaixo da linha da água para evitar sobrecarga lombar, evitar saídas de blocos e viradas olímpicas. Movimentos bruscos podem causar lesão e diástase abdominal. O nado peito não é recomendado para não forçar a região lombar e articulação do joelho.

Treinamento funcional: É considerado perfeito para a gestante, mas com baixa complexidade e exercícios que não ofereçam riscos de queda e com tempo de descansos. O centro de gravidade fica alterado, então os exercícios não podem desestabilizar a grávida. O ideal é não fazer excessos de agachamentos e evitar exercícios que apoiem cargas nos ombros para não aumentar a compressão da coluna. A intensidade tem que ser controlada em cerca de 124 batimentos por minuto.

Letícia Dias, a feminilidade reforçada na gestação

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Corrida: É uma atividade intensa e, com as mudanças do centro de gravidade da gestante, o equilíbrio fica prejudicado, podendo haver riscos de queda. Por isso, deve ser feito com acompanhamento profissional. Na gravidez, a placenta produz um hormônio chamado relaxina, responsável por proporcionar maior mobilidade dos ligamentos. Com isso, as articulações ficam mais frágeis e há maior frouxidão. Um dos fatores de risco é a disfunção do assoalho pélvico nessas atividades físicas de impacto, que prejudicam o tônus muscular, causando incontinência urinária.

Dança: É uma atividade motivadora, mexe com a sensualidade, a feminilidade e é bem indicada. Mas com ritmos e sem mudanças bruscas de direção. As atividades em grupo são fontes de troca entre gestantes que estão passando pelas mesmas mudanças, têm as mesmas dúvidas e isso dá um suporte afetivo e social.

Yoga e pilates: São benéficos com as devidas adaptações e algumas restrições de movimentos, como deitar de barriga para cima, que podem diminuir o fluxo sanguíneo entre mãe e bebê. Deve-se elevar o tronco com alguma almofada ou travesseiro para facilitar a circulação.

O ideal é que cada um dos programas seja revisto a cada trimestre, pois há mudanças de peso e as gestantes devem ter um novo direcionamento e maior segurança em exercícios com os alongamentos. O trabalho deve incluir a parte física , emocional e social da mulher grávida.

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