Educação

Tecnologia deve ser usada com limites

Especialistas alertam que atividade tecnológica não pode substituir brinquedos e outras atividades lúdicas tradicionais

A tecnologia está muito presente no dia a dia, inclusive na educação de crianças. No entanto, pode causar problemas. A pedagoga Roni Alves explica que a criança em vez de desenhar, pegar giz ou tinta, por exemplo, que ajudam na coordenação motora, pega um tablet. “A gente já não gosta muito porque a coordenação motora fica comprometida. A criança não tem a noção de trabalhar a coordenação motora assim, que nessa faixa etária, na educação infantil, é muito importante”.

Orientadora pedagógica, Roni observa que alguns pais têm deixado as crianças mais de lado com o tablet na mão, achando que é uma forma interativa, e vai fazer suas obrigações particulares, sem se dar conta que a atitude pode acarretar vários problemas. “Eu falo por experiência própria. Por exemplo, um dia, eu atendi uma criança na escola onde ela não interagia, nem falava direito e todas as vezes que a professora mostrava algo interessante, ela levantava, saía.. Nós chamamos a família. Conversamos, perguntamos como era a vida em casa, pedimos para procurar um psicólogo e aí a gente ficou sabendo nos relatos que era uma família extremamente ocupada.” A orientação da escola foi de que ela retirasse o tablet, deixando apenas alguns dias da semana para a atividade tecnológica.

A advogada Vanessa Barth, de 35 anos, aponta os cuidados que têm que ser tomados: “A gente não tem como negar e excluir a tecnologia, fingir que ela não existe. Ao meu ver, ela pode ajudar sim. Quando meu filho estava em fase de alfabetização, os professores da escola indicavam alguns aplicativos que tinham joguinhos de palavras. Então, levando para o lado lúdico da alfabetização, a tecnologia pode ajudar, pode ser útil nesse processo para que a criança veja aquilo de uma forma mais gostosa e mostre mais interesse”. A advogada defende que a atividade seja dosada, para que a parte escrita da alfabetização não seja prejudicada. Por outro lado, observa que é importante o aprendizado tecnológico para que a criança não fique excluída.

A mãe de João ainda comenta a importância em fazer as crianças se interessarem por outras coisas, e não só pelos aparelhos: “O que eu acho importante é sempre dosar, sempre ter um tempo limite para o uso da tecnologia. Eu acredito que não tem como excluir da vida da criança, mas tem que ser dosada porque como qualquer outro vício também causa dependência”. Para ela, os pais têm que impor limites para evitar doenças e vícios. “Tem que brincar, experimentar as coisas, viver no mundo real, ler livros, gibis. Você tem que fomentar o interesse da criança com outras coisas”.

A bancária Letícia Coêlho também destaca a necessidade de impor limites: “Criança não pode ficar o dia inteiro usando tecnologia. Eu acho que ela tem que ter tempo de prestar atenção em outras coisas, em ler, aproveitar os outros meios que  tem”. Na casa dela, a atividade só pode ocorrer depois de os deveres de casa estarem prontos. “Conheço gente que passa o tempo todo mexendo em aparelhos tecnológicos e acaba não fazendo o que tem que ser feito para escola, atrapalha no sono”, conclui.

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