Esporte

Você conhece o rugby em cadeira de rodas?

Time brasiliense da modalidade paraolímpica, BSB Quad Rugby, treina atletas para competições nacionais e trabalha ressocialização com cadeirantes

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BSB QUAD RUGBY rugby em cadeira de rodas

O objetivo é simples: passar da linha do gol com as duas rodas da cadeira e a bola no colo. Este é o rugby em cadeira de rodas. Desenvolvido por atletas tetraplégicos ou tetraequivalentes, o esporte nasceu na década de 70, em Winnipeg, no Canadá. Trinta anos depois, em 2000, foi reconhecido como modalidade nas Paraolimpíadas. No Brasil, a instituição responsável por promover o esporte é a Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas, que abre espaço para times nacionais competirem entre si.

Em Brasília, BSB Quad Rugby é um dos dois times oficiais. Fundado em 2011, a equipe visa a prática desportiva do rugby em cadeira de rodas e ocupa, atualmente, a 5ª colocação no ranking nacional. O time pretende formar uma equipe de alto rendimento no esporte, além de divulgar e envolver pessoas com tetraplegias, quadriamputados e congênitos. Os treinos são divididos em três momentos distintos: tático, físico e o jogo propriamente dito.

Antônio Manoel é também técnico auxiliar da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas

Antônio Manoel é também técnico auxiliar da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas

Antônio Manoel, aluno de educação física da Universidade Católica e técnico do time, trabalha com a equipe há sete anos. O atleta conheceu o rugby por meio de jogadores que o convidaram para trabalhar na equipe como treinador físico. “Eu não conhecia nada sobre o esporte”. Depois de acompanhar a equipe em competições, Manuel aceitou o desafio de se tornar técnico. Além de treinar o BSB Quad Rugby, ele também trabalha como técnico auxiliar da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas.

Segundo o treinador, o time brasiliense está em processo de renovação. A equipe que antes ocupava o terceiro lugar da primeira divisão, desceu para a segunda categoria. “Esse ano a gente quer subir para a primeira. Temos que trabalhar muito”. Manuel reforça que o time é aberto a todos, e não existe prova para entrar. “Se tiver muita demanda, a gente vai começar a criar estratégias, como um dia só para rugby recreativo, por exemplo”. No entanto, quem quiser competir tem que ter em mente que terá de “arcar com mais tempo e com mais força de vontade para praticar”.

Regras

São quatro atletas em cada equipe, além de oito como reservas. Todos os times são mistos. As partidas ocorrem em quadras de 15 metros de largura por 28 m de comprimento e são disputadas em quatro períodos de oito minutos.  Para a competição ser justa, há uma avaliação das condições motoras de cada atleta. Assim, é atribuída aos jogadores uma pontuação de 0,5 a 3,5. As notas mais altas são dadas àqueles que têm maior nível funcional e as mais baixas são para os atletas com menor funcionalidade. A somatória dos quatro jogadores em campo não pode ultrapassar oito pontos.

Amanda Ventura se prepara para o treino com ajuda de sua mãe, Ana Paula Ventura

Amanda Ventura e Ana Paula Ventura se preparam para o treino

A estudante de direito Amanda Ventura, 23, conheceu o rugby no Hospital Sarah, onde o esporte era apenas praticado como hobby. Foi o suficiente para despertar o interesse da jovem, que em seguida ingressou no Cetefe, time de rugby localizado na Asa Sul. Lá permaneceu por mais de um ano, quando participou de diversas competições. Mas Amanda queria mais. Foi aí que conheceu o BSB Quad Rugby, que, em sua opinião, concentra mais os treinamentos para competições regionais e nacionais. “Aqui é mais focado, de campeonato, é mais sério. Tem que ter um compromisso”. A jovem é a única menina do time.

A estudante, apaixonada pelo rugby, pretende seguir a carreira de atleta. “Eu nunca gostei tanto de fazer alguma coisa como eu gosto de jogar rugby. Por incrível que pareça, era para acontecer, era para eu conhecer esse esporte”.

Assim como o rugby convencional, as partidas envolvem muito contato físico. Para isso, jogadores utilizam cadeiras específicas ao praticar o esporte. Os atletas que jogam na defesa, por exemplo, usam equipamentos com uma grade na frente dos pés para segurar os adversários, quando se chocam. Já as cadeiras destinadas aos atacantes, não possuem essa grade.

A professora Ana Paula Ventura, mãe de Amanda, ficou em choque a primeira vez que viu a filha treinar. “O primeiro impacto que eu tive foi de pegar ela, sair correndo e falar: você vai dançar balé, filhinha, isso aí não é para você”, brinca. No entanto, a professora não esconde o orgulho de ver Amanda encarar o desafio, sem se intimidar, com garra e coragem. “Ela sempre foi assim, deu um desafio para ela, ela vai vencer”. Segundo Ana Paula, a prática do esporte, não beneficiou apenas o psicológico, mas também proporcionou melhoras físicas. A mãe agora também compõe a staff do time, dando suporte nos treinamentos e competições.

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Serviço

BSB Quad Rugby

Quando: segundas, quartas e sextas, das 18h às 20h

Onde: Centro Olímpico e Paraolímpico do Gama

Contatos: (61) 98542 7426 e 98324-4407 | contato@bsbquad.com.br

Cetefe 

Quando: Terça, quinta (19h às 21h) e sábado (10h às 12h)

Onde: SAIS área especial 2A ed. ENAP Ginásio de Esportes

Contatos: (61) 2020 3435 | esporte@cetefe.org

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