Cultura

Carreira artística que nasceu na escola

Professor de teatro Getúlio Cruz criou o grupo teatral Cutucart, há 10 anos, com alunos do Centro Educacional 1 do Cruzeiro

Formado no Centro Educacional 1 do Cruzeiro, o grupo teatral Cutucart  nasceu há mais de 10 anos, nas aulas de teatro do professor Getúlio Cruz. Alguns alunos desenvolveram empatia pelas artes cênicas e então decidiram seguir carreira profissional.

Mais de 10 mil alunos já tiveram aulas de teatro com Getúlio por escolas da rede pública do DF, nos 23 anos em que ele trabalha na rede de ensino. “Muitos desses estudantes desenvolveram o interessa pela arte de atuar”, conta o diretor.

Grupo Cutucart em ensaio do espetáculo Naquela Estação

Foto: Dênio Simões. Grupo Cutucart em ensaio do espetáculo Naquela Estação

Entre os alunos, Bianca de Oliveira, 24 anos, que começou sua carreira artística no ensino fundamental, nas aulas do professor, e hoje dá aulas para 400 alunos na mesma escola em que estudou. “Essa experiencia definiu a minha carreira profissional”, destaca.

Bianca é professora temporária da Secretaria de Educação, mas já foi aprovada no concurso da pasta, em 2013, e espera ser chamada para ocupar um cargo efetivo. Ela ocupa a vaga que já foi de Getúlio, que atualmente é diretor da escola.

O grupo Cutucart possui 12 espetáculos encenados e já foi contemplado em cinco editais do FAC (Fundo de Apoio à Cultura) da Secretaria de Cultura do DF. Neste mês, o grupo fez uma circulação pelas unidades do Sesc Ceilândia, Taguatinga e Gama com o espetáculo Naquela Estação.

O teatro como transformação

Para o ator do grupo Iury Persan, que também trabalha como professor, o fato de ter vindo de escola pública o aproxima de seus alunos e os encoraja a tentar caminhos como este. “Quando eles se dão conta que têm um professor que passou a vida em escola pública e mora numa comunidade do DF como a Estrutural, acreditam que também são capazes.”

Iury conta que antes de ser ator tentou ser jogador de futebol, mas quando o teatro entrou em sua vida tudo mudou. “Transformei meu pensamento político, ideológico e social, passei a ter um senso de coletivo e a ver o mundo de outra forma.”

Esmerinda Maria Sousa, 50 anos, mãe do ator e diretor do grupo Wanderson de Sousa, foi pela primeira vez ao teatro para assisti-lo. “Meu filho é artista”, comenta Esmerinda, cheia de orgulho. Wanderson explica que foi o primeiro passo para a família ir a espaços culturais.

Dos sete integrantes do grupo, três se formaram em Artes Cênicas na Universidade de Brasília, entre eles o ator Lucas Isacksson. Para ele, a ideia de fazer faculdade sempre foi distante, pois é o primeiro membro da família a ter curso superior. Quando os primeiros integrantes do grupo Cutucart começaram a fazer vestibular, despertou em Lucas a vontade de ter uma graduação.

“Depois que entrei pro Cutucart, a presença da minha família nesses centros culturais começou a se multiplicar”, conta o ator, que diz ter influenciado a família a assistir espetáculos. Lucas também se orgulha de ter servido de exemplo para a irmã Maria Vitoria Isacksson, 16 anos, que pensa em fazer um curso superior. “Modificou a minha vida, eu levei um estímulo pra casa”, completa Lucas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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