Educação

Projeto incentiva leitura em escolas de ensino infantil

Marandubinha ensina técnicas que deixam a leitura mais atraente para crianças

O Projeto Marandubinha, desenvolvido pela educadora Adriana Bertolucci, 27 anos, tem como objetivo incentivar nas crianças de 4 a 11 anos o hábito da leitura. “Fui coordenadora de uma biblioteca infantil na Ceilândia, chamada Roedores de Livros, e lá aprendi sobre mediação de leitura.” Formada em Letras, Adriana é também promotora de leitura.

“Eu pensei nesse projeto porque ele alcança todo mundo que eu acredito que faz parte da formação de leitores.” De início, Marandubinha era apenas um blog na internet com dicas de leitura e, após ganhar patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), conseguiu ser concretizado. Adriana ensina aos professores métodos para tornar a leitura mais interessante, incentivando os pequenos. “São técnicas de como ler, a forma certa de segurar o livro, a forma certa de falar, de mostrar as imagens. A disposição das crianças, a disposição dos livros dentro de sala de aula. As professoras deixam os livros dentro do armário, escondidos e a ideia é justamente o oposto, porque se eu quero formar um leitor, eu preciso aproximar a criança e o livro.”

O curso atende atualmente cinco escolas. Uma delas é da Escola Classe 22 da Ceilândia. “Receber o projeto foi oxigenador. A Adriana é didática ao trazer como se faz mediação para a formação de novos leitores, com por exemplo, deixar as crianças pegarem no livro no momento da leitura. Deixar que elas perguntem e a necessidade de recontar a mesma história em outros dias”, conta a professora do 3º ano do ensino fundamental Janaina Segatto. Ela afirma que mudou a forma de contar história e percebe diferença no comportamento dos alunos: “Estão mais participativos, pegam no livro e mudam de lugar comigo, passando a serem leitoras. Elas são iguais umas ‘esponjinhas’, ansiosas para terminarem as atividades para ler.”

A professora Adriana Dias Ulhoa, da Escola Classe Natureza, localizada na Zona Rural do Paranoá, relata que o Marandubinha tem contribuído para que os alunos fiquem aguçados, querendo ler literatura infantil. “Eles participam. A gente vê que eles começaram a ter emoção com leitura, a ver o livro de uma forma mais carinhosa.” A professora conta que, para ela, também houve mudança na forma de perceber o livro: “É uma obra de arte, fez a gente ver o livro como um todo. As ilustrações, todo o trabalho de capa, o cuidado com a diagramação. Não é só uma história, é toda uma dimensão que o livro envolve”.

Além de professores e alunos, o projeto visa contemplar os pais. No entanto,  Adriana Bertolucci enfrenta dificuldades, pois eles não têm tempo de ir à escola por causa do trabalho. No caso da zona rural, não chegam nem a levar as crianças, que vão com um ônibus do governo. “É a parte mais difícil. Até agora só consegui fazer a roda com os pais em uma escola. Eu falo um pouco sobre a importância de inserir o livro na cultura da criança, divido um pouco da minha experiência como mãe de uma criança leitora.” O material usado por Adriana é do Pacto Nacional Pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). São livros disponíveis em todas escolas públicas do pais, mas que os pais não têm conhecimento.

Marandubinha

Adriana explica a origem do nome do projeto. Em um livro do antropólogo Câmara Cascudo, ele relata que fazer a maranduba, em determinada tribo tupi, é o ato de encontrar-se no final do dia, com as pessoas da sua família, pra fazer a contação de história de como foi o seu dia. “Só quando eu fui pesquisar, fazer a maranduba também pode ser fazer relatos de guerra. Pra não ficar na dúvida, ainda mais que é pra criança, botei marandubinha.”

 

 

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