Saúde

Remédio que pode prevenir HIV chega para todo o Brasil

Especialistas esclarecem dúvidas: Quem pode tomar? Quando é indicado? Quais são os efeitos colaterais?

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A promessa é simples: um remédio que reduziria em mais de 90% o risco de contrair HIV. Já imaginou? A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), nova aposta do Ministério da Saúde para combater o HIV, começou a ser distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2017 em apenas dez estados e no Distrito Federal. A expectativa é que chegue para todo o Brasil ainda em maio.

A PrEP basicamente bloqueia a multiplicação do vírus ao entrar no corpo e ainda mata as células que já estão infectadas, fazendo com que o HIV seja destruído pelo sistema imunológico. O medicamento preventivo tem que ser ingerido todos os dias. É diferente da Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que já é distribuído pelo SUS há mais de 20 anos. A PEP tem que ser ingerida até 72 horas após qualquer situação em que exista risco de contato com o HIV, tais como: violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha); acidente com instrumentos cortantes ou contato direto com material biológico.

Por enquanto, o público prioritário para PrEP são as populações-chave que concentram a maior prevalência de HIV no país: gays, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, profissionais do sexo, e ainda casais sorodiscordantes — quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra não. As pessoas que estiverem dentro desses critérios deverão fazer exames clínicos e laboratoriais regulares e retirar a medicação a cada três meses na unidade de saúde onde realiza o acompanhamento. Atualmente cerca de 7 mil pessoas já estão fazendo o uso da PrEP.

Usuários do medicamento devem retirar a medicação a cada três meses na unidade de saúde onde realiza o acompanhamento

Usuários devem retirar a medicação a cada três meses na unidade de saúde onde realiza o acompanhamento

No entanto, nem tudo é tão simples. O novo medicamento está envolto em uma polêmica levantada por profissionais da saúde: o uso da PrEP pode criar uma falsa sensação de segurança e desestimular o uso da camisinha? Para Sérgio d’Ávila, gerente de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretária de Saúde, a PrEP surge como mais uma alternativa de prevenção e não substitui as demais. “O preservativo é a estratégia mais eficiente e abrangente do ponto de vista da saúde pública e deve ser complementada pela PrEP, para alcançar as pessoas com maior risco de exposição. Todos estamos sob risco, por isso a camisinha, mas outros estão sob maior risco. Estratégias diferentes para pessoas diferentes garantem acesso igual à prevenção.”

O diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia, José David Brito, destaca que o fato de o SUS estar dando destaque a políticas de prevenção e trazendo para dentro dos consultórios e centros de referência populações absolutamente desprotegidas terá enorme impacto na resposta brasileira ao desafio de eliminação do HIV. “Pela primeira vez estaremos trabalhando individualmente com as populações vulneráveis. A cada atendimento esse indivíduo terá oportunidade de ser orientado sobre riscos sexuais e, sobretudo, haverá um acolhimento profissional para pessoas que tradicionalmente não são ouvidas. Essa é a grande novidade desse medicamento”, afirma o infectologista.

Welton Trindade, coordenador do projeto Plurais, que oferece informação sobre HIV e cidadania LGBT, diz que a ideia de que as pessoas vão parar de usar camisinha é totalmente equivocada. “As pessoas que tomam o medicamento passam por um acompanhamento e são orientadas de forma contínua que a camisinha ainda é importante. Portanto, essa ideia errônea vem de quem não toma a PrEP não sabe do trabalho feito pelo serviço de saúde.”

Para ele, apesar do medicamento não ser oferecido a toda comunidade LGBT, é um progresso significativo. “É um avanço científico pela superação da epidemia de HIV e todo avanço é mais que bem-vindo.”

Efeitos colaterais

Segundo estudos divulgados pelo Ministério da Saúde, o medicamento apresentou efeitos colaterais leves, como dores cabeça, de estômago ou perda de apetite, além de náuseas e desconforto gastrintestinal.

A PrEP basicamente bloqueia a multiplicação do vírus ao entrar no corpo e ainda mata as células que já estão infectadas

A PrEP basicamente bloqueia a multiplicação do vírus ao entrar no corpo e ainda mata as células que já estão infectadas

Ao longo de meses de uso, pode ocorrer diminuição da função renal e da densidade da matriz óssea. “Não foram observados outros efeitos adversos graves. Por isso, quem inicia a PrEP deve realizar consultas periódicas e informar a seu médico se sentir esses ou outros sintomas de forma grave ou não se eles não passarem”, informa a secretária de Saúde.

Serviço

Saiba mais: http://www.aids.gov.br/

Projeto Plurais oferece informação pelo Whatsapp sobre HIV e cidadania LGBT (61) 99371-4879

Serviços de Saúde que oferecem a PrEP: CLIQUE AQUI

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