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Gente que ama Águas Claras

A distância do Plano Piloto não é páreo para o sentimento de quem curte chamar a cidade de lar

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Águas Claras plano piloto

Mas morar Águas Claras? Sim, Águas Claras. Com todos os comentários contrários, especialmente sobre o quesito distância do Plano Piloto – onde está a maioria dos empregos -, há quem ame o local. Muitos mudam-se para a cidade atraídos pela chance de ter seu imóvel próprio, ou em busca de mais espaço, e tornam-se moradores satisfeitos. Alguns deles contam nesta reportagem porque a cidade é especial.

Messias e Keide são quase pioneiros na cidade.

Messias e Keide são quase pioneiros na cidade.

No princípio era barro. “Quando o carro não atolava de poeira, atolava de lama. Somos quase pioneiros”, conta Messias de Jesus. Bancário aposentado, ele e a esposa mudaram-se para Águas Claras em 1997. “Não tinha ônibus, não tinha nada”, recorda Keide, esposa de Messias. O casal, ele baiano e ela goiana, já havia morado na Asa Norte. Tinha um imóvel próprio que estava alugado e morava em outro, de aluguel. Mas o apartamento era pequeno, e adquirir um em Águas Claras significaria a chance de ter mais espaço. Messias diz que, então, eles decidiram deixar o apartamento do Plano – “vender, e depois comprar esse aqui”. Foi difícil no começo. Keide é promotora de vendas e conta: “tinha que passar no Guará para trazer o pão”. Mas não se arrependem. Para Messias, hoje “não falta nada. Aqui tem toda a infraestrutura para se morar”. Keide ressalta que para ela é muito melhor por causa do relacionamento interpessoal. “Quando a gente morava na Asa Norte eu não conheci ninguém. Era bom dia e boa tarde. Aqui a gente desce, conversa, faz amizade, você sai junto”.

 

Maísa não reclama do trânsito para o Plano Piloto

Maísa não reclama do trânsito para o Plano Piloto

Maísa Scauri é gerente de TI e mora em Águas Claras há cinco anos. Paulista de São Roque, está em no DF há 13 e antes residia no Cruzeiro. Mudou-se “porque eu comprei. Lá eu morava de aluguel. E Águas Claras era um valor acessível pra mim”. Está satisfeita com a opção. “Gosto muito. Águas Claras tem muito mais infraestrutura que o Cruzeiro. Restaurantes, padarias, farmácias… Não precisa sair daqui pra nada. É uma cidade independente”. Mora com seus filhotes Jack e Su, e com o filho, que está de mudança para outro imóvel, também em Águas Claras. A cidade lembra o lar de onde veio, “é familiar essa coisa: prédio, muita gente. Essa estrutura pra gente tem uma coisa de casa, da nossa origem”. Sobre a distância e o trânsito para o Plano Piloto, queixa comum quando se fala de morar local, Maísa diz não se incomodar. “Dezenove quilômetros? Eu não acho distante. E não acho o trânsito isso tudo. E acho que ainda estou no lucro pelo que eu tinha lá em São Paulo”.

 

 

Águas Claras dá tranquilidade ao casal Cristiane e Rogério, que tem filhos menores

Águas Claras dá tranquilidade a Cristiane e Rogério, que têm filhos menores

Quem tem filhos menores também gosta da cidade. Cristiane e Rogério Cardoso são pais de duas adolescentes e de um pequeno de sete. Ela sente-se mais segura que nos outros locais que morava. “As meninas gostam de ir ao parque, eu tenho tranquilidade de deixar elas irem. Vão a pé e voltam”, afirma a mãe. O marido tem a mesma sensação e acrescenta que Águas Claras “tem uma vida noturna tranquila. Você pode andar pelas ruas à noite, diferente de outras cidades. Você não vê isso no Plano Piloto, você não vê isso em Taguatinga… é uma cidade que tem uma rotina muito bacana”. Brasilienses, depois de casados moraram também em Valparaíso e na L Norte. Como pendência, o casal reclama da falta de uma escola pública. Os filhos estudam em Taguatinga Sul.

 

Sentimento declarado em fotos

 

Edite Mafra publica compartilha suas fotos no Facebook com os vizinhos
Edite Mafra  compartilha suas fotos no Facebook com os vizinhos

Tudo começou com a intenção de dar um belo bom dia. Edite Mafra é pedagoga aposentada, e costuma postar fotos do amanhecer e do entardecer de Águas Claras na AMAAC (Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras), grupo do Facebook com mais de 50 mil integrantes. Ela antes tirava as fotos para enviar para a família, mas, entre tantos posts polêmicos, ela pensou: “eu vou postar só colocando o dia, a hora. Aí ninguém vai ter o criticar, né?”. Deu certo. As fotos são muito curtidas e comentadas. Os vizinhos que a encontram no condomínio e na praça também elogiam e pedem que ela continue a publicá-las. E a vista é a da janela do quarto dela! “Eu tive um privilégio danado de morar nesse apartamento, tenho uma vista maravilhosa”. Nascida em Florianópolis (SC), veio para Brasília há 50 anos. Já morou em vários endereços do Plano Piloto, no Guará, no Lago Sul… Mas “uma vez eu passando ali na EPTG eu olhei e disse: nossa, sabe que eu gostaria de morar aqui em Águas Claras?”. Isso foi em 2000. Hoje ela afirma: “adoro Águas Claras”.

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