Entrevistas

A dualidade de Gabriel

“Drag, pra mim, é algo que faço por gostar, e por amar”

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arte artista drag queen performance
Gabriel montado de Dakota

Gabriel montado de Dakota

 

Gabriel Dutra é Dakota Overdoze, e Dakota é Gabriel. São duas personalidades em uma só, um rapaz que representa uma drag e que é apaixonado por artes cênicas e lipsync (técnica de dublagem). Gabriel tem 20 anos e há cerca de 3 também atende pelo nome de Dakota nas noites brasilienses. Morador da Samambaia Sul, Gabriel, em entrevista para o Portal de Jornalismo do Iesb, falou um pouco sobre suas personalidades e sobre a dificuldade de conciliar a vida dupla.

Como surgiu seu interesse em performar como drag queen?

Há cerca de 2 a 3 anos. Eu sempre fui bem interessado no lado cênico, no performático. Tinha 10 anos e já fazia lipsync no banheiro sem nem saber o que era exatamente. Foi quando descobri o mundo drag atual. Minha mente só explodiu e eu lembro de pensar “eu quero fazer isso” porque eu me identifiquei de uma maneira, que enquanto fui fazendo e descobrindo mais coisas, mais eu me confirmava que nasci pra isso.

Como é conciliar a drag com a vida do Gabriel?

É bem complicado conciliar drag com o restante da minha rotina. Tenho trabalhado o dia todo, aula a noite toda, chego em casa, durmo algumas horas e repito tudo de novo.

O que ser drag representa na sua vida?

Drag é algo que leva um investimento muito grande, de tempo, dinheiro e dedicação. Eu, por exemplo, gosto de parar para customizar a peruca, fazer um look, planejar uma performance, todos os detalhes. Drag vai muito além do momento de close ali bonita, sabe? Tem todo um mundo por trás e eu sou muito apaixonado por isso.

O que te motiva nesse meio que agora está em ascensão em Brasília?

Minha motivação é bem diferente, ao menos eu sinto isso. Eu gosto de estar lá, de fazer, de chocar, de todo mundo olhar pra mim quando eu passo, de parar e conversar com alguém, mudar a mente dela em relação aquilo. E outra, eu ando de ônibus montada, de metrô, o que precisar eu estou indo e dando a cara a tapa.

Onde você se apresenta? Já consegue ganhar dinheiro com as performances?

Não sou residente em nenhuma boate. Performo em eventos que dão espaço para isso por vezes mesmo sem cachê, porque eu procuro primeiro o palco e depois o cachê. Esse é um universo bem difícil de se sustentar somente com ele, então tenho que trabalhar “por fora”. No dia a dia sou assistente administrativo em um hospital, sou responsável pelo atendimento dos pacientes estrangeiros e curso farmácia.

Dakota e uma amiga indo para evento

Dakota e uma amiga indo para evento

Como é a aceitação por parte da sua família, eles sabem o que você faz?

Eu moro com a minha mãe, ela não concorda e nem gosta, mas também não vai contra, e eu respeito isso também. Ela entende que eu tenho uma vida fora de casa, que escondi por muito tempo dela. Mesmo não gostando, ela não tenta me impedir em nada. Mas por outro lado, eu construí uma família de amigos, tenho muito apoio deles, nos tratamos como mães e filhos, pais e filhos. Sem o apoio dos meus amigos seria bem complicado.

 

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