Cultura

Batalha de rimas movimenta cena cultural do Paranoá

O evento incentiva jovens a formarem grupos musicais e leva cultura para a comunidade

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#batalhaderima #rima Cultura Paranoá rap

Tudo começou há cerca de um ano, quando três colegas fizeram uma pequena batalha de rimas na praça central do Paranoá. A prática ganhou força e hoje acontece em três lugares da cidade, com mais de 24 MCs. No fim de abril, o torneio contou até com premiação em dinheiro, patrocinado pelos comerciantes locais e pelo Festival de Cinema do Paranoá.

As batalhas – que ocorrem em um bar temático no Itapoã, em uma praça no Paranoá Parque e na Praça Central do Paranoá – têm um público que admira o trabalho. O estudante Weslley Silva já assistiu diversas rimas e fala da importância cultural para a cidade: “O rap é natural da periferia e é um dos melhores movimentos para cativar os jovens. Eles ficam envolvidos em produção de letras, de beats, pesquisam e toda sexta à noite se comprometem em comparecer na batalha”.

A batalha é coordenada por Boxer* desde o início. Ele explica algumas regras, como não ofender a família nas rimas, com punição de perder o round, e o tempo de cada verso, funcionando em um sistema bate e volta. As chaves são fechadas sempre em 16 MCs em sorteio, no qual sempre existe um campeão no final da edição.

O coordenador conta que atualmente muitos se interessam pelo evento e tentam até profissões em cima da rima. “Temos muitos jovens com estilo de vida diferentes, alguns saíram do crime e estão no movimento. Alguns buscam viver de música, ser produtores, mas acho que em todos a paixão pela música se manifesta.” Ele fala também sobre como a batalha pode mudar vidas. “Não só a batalha, mas todo evento cultural é bom para a cidade em vários aspectos Jovens que têm a mente cheia de aprendizado têm menos chances de ir para o caminho errado”, comenta.

Boxer* coordena o tempo das rimas e realiza o sorteio antes das batalhas.

Boxer* coordena o tempo das rimas e realiza o sorteio antes das batalhas

Boxer fala do apoio local e o preconceito: “Muitas pessoas apoiam e vêem com bons olhos. O preconceito acontece sempre quando se trata da cultura hip hop e movimentos negros, mas já provamos que a resistência é mais forte e esse preconceito vem diminuindo”.

Um desses rimadores talentosos é o estudante Airton Reis, que se inspirou assistindo às batalhas que acontecem no Museu Nacional, em Brasília; São Gonçalo, no Rio de Janeiro; e a batalha da Aldeia, em São Paulo, tudo pelo Youtube. “Eu vi uma postagem no Facebook que tinha uma batalha de rima na praça do Paranoá mais ou menos uns 8 meses atrás. Fui na semana seguinte, batalhei a primeira vez e sai campeão da edição, foi aí que vi que tinha jeito pra coisa”, comenta o estudante de arquitetura.

Airton concilia seus estudos com a noite do evento. Por falta de tempo, geralmente treina suas rimas nos percursos dentro do ônibus: “Eu coloco uma batida no fone e mentalmente vou rimando com o nome dos carros que passam, nome de lojas, parece engraçado, mas ajuda bastante”. Ele também lê sobre acontecimentos sociais, esporte, política e guerras, assuntos que geralmente podem cair na hora da rima.

A presença feminina também faz parte da batalha

A presença feminina também faz parte da batalha

O estudante conta que começou fazendo rima por lazer, mas agora se vê como um agente social, pois considera que o evento tenha papel fundamental no desenvolvimento cultural da cidade, além do entretenimento nas noites de rima. Os amigos e a família o apoiam. “Na minha família, não há preconceito! Sempre que volto das batalhas me perguntam como foi, se ganhei, meus sobrinhos se espelham muito em mim, vejo eles brincando de rimar na garagem de casa.”

Airton criou um grupo de Rap chamado Damasus, em parceria com dois amigos, e conta até com canal no Youtube. Pretende ganhar dinheiro com as rimas, além de fazer um trabalho social. Já Boxer, tem o plano de unificar as batalhas pelo Distrito Federal, com mais incentivos e premiações aos MCs e mais apresentações pela cidade.

Batalha de Rimas do Paranoá.

- Batalha do Paul Jack, segunda-feira, às 20h, no Bar Paul Jack, Itapoã

- Batalha do PP, quinta-feira, às 20h, no Paranoá Parque

- Batalha Principal, sexta-feira, às 20h, na Praça Central do Paranoá

 

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