Cultura

Espetáculo Bubuia encanta bebês

A peça, inspirada em conto de Guimarães Rosa, é dedicada aos pequenos

Inspirado no conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa, com um cenário composto por baldes, balões, e uma trilha sonora ao vivo, Bubuia é um espetáculo pensado para bebês. Antes de iniciar, Tatiana Bittar, uma das três intérpretes, dá um breve aviso de que, diferentemente das peças infantis tradicionais, o choro da criança não incomoda e, caso os pais sintam a necessidade de acalmá-la, podem sair e depois retornar para o espetáculo.

Tatiana também pede para que o olhar da criança não seja guiado. “Às vezes ela está olhando para um lado e tem uma cena acontecendo no outro. Não importa. Pode deixar ele olhar para onde quiser.” Dito isso, as atrizes dispõem os pais com seus filhos sentados no chão, envoltos de muitas almofadas de maneira bastante confortável, alguns sentam em cadeiras quando não há mais espaço no chão.

O espetáculo se inicia com barulho de água corrente. Os bebês menores não tiram os olhos das atrizes, petrificados, curiosos. Rayssa Cerqueira, que levou seu filho de 11 meses para assistir à peca, emocionou-se com a atenção do filho. “Achei a peça bem poética e sensitiva. Aguça muito os sentidos da criança”, conta.

Luana Cortinhas, mão de Rodrigo, de 1 ano e 4 meses, afirma ser bastante difícil encontrar peças destinas a bebês e, quando há alguma em cartaz, são sempre bem concorridas. Ela e o bebê chegaram com uma hora de antecedência e, ainda assim, ficaram na lista de espera. Por fim, conseguiram assistir ao espetáculo. “Ele gostou bastante. Eles imitam esses sons que a criança faz, isso chama muito atenção. Eu gosto bastante de trazer nessas peças para não ficar só naquelas coisas visuais de TV, tablet.”

Concepção

“A gente pegou um conto forte, com um conteúdo denso do pai ausente, e pra passar pros bebês, que é nosso público-alvo, a gente teve que pensar como acessar essas crianças sem ser com texto ou uma forma rebuscada de comunicação”, explica Beatrice Martins, do coletivo Instrumento de ver e uma das diretoras da peça. “Pensamos nos bebês do início ao fim. No processo de criação, na execução da cena, na criação da atmosfera, da ambientação, da luz. O ambiente tem que ser confortável pra eles”, conta Euler Oliveira, músico e sonoplasta da peça.

A atriz Cirila Targhetta explica que, após alguns anos trabalhando com público da primeira infância, foi possível identificar alguns códigos para a comunicação com os bebês. Um dos formatos que funciona é trabalhar com  público reduzido. Bubuia tinha lotação máxima para 60 pessoas. “A proximidade é importante porque cria uma atmosfera, um campo de presença. Nos nossos espetáculos trazemos os bebês para bem pertinho”, explica Cirila. Mas, segundo ela, não existe uma fórmula certa: “Acho que a gente nunca vai conseguir encontrar, quando encontrarmos, talvez deixe de fazer sentido”.

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