Comportamento

A moda do consumo consciente

Movimento puxado por jornalista mapeia costureiras “sustentáveis” da cidade

A estilista Giovana Dashi é uma das incentivadoras do consumo consciente na moda

A estilista Giovana Dashi, que costura em seu próprio atelier, é uma das incentivadoras do consumo consciente na moda

Editado dia 13/06/2018, às 8h33
Imagine abolir de vez a compra de roupas em shoppings da cidade. E, mais do que isso, propor um modelo alternativo de compra, voltado diretamente para costureiras locais e, muitas, especializadas em sustentabilidade. A ideia, que pode parecer radical à primeira vista, tem atraído brasilienses por meio do movimento Consumo Consciente, que reúne moradores preocupados com o consumo desenfreado da indústria da moda.
A estilista Gia (Giovana) Dachi, de 31 anos, uma das incentivadoras do “Consumo Consciente”, aponta que essa mudança tem ocorrido a partir da preocupação com o meio ambiente. “As pessoas não se dão conta de quantos litros de água se usa para uma lavagem de jeans, por exemplo, e como isso tem impacto direto em nosso planeta. É uma quantidade absurda de recursos naturais usados na indústria moda, a chamada fast fashion. Quando essa conscientização começa, é o primeiro passo para rever o consumo na grande indústria.”
Gia costura peças novas utilizando os retalhos que seriam descartáveis. É o caso também da costureira brasiliense Mariane Adelir, adepta da produção sustentável. Ela explica que o processo de criação na moda consciente pode ser feito de diversas formas. “Muitas camisas, saias e calças conseguimos criar adaptando de outras roupas, reutilizando tecidos de decoração e criando com lã ecológica, que não foi colorida com produtos químicos e, sim, com plantas.”
Mariane, que conta com uma lista de ao menos 170 clientes, explica que esse comportamento é maior entre adultos jovens: “Minha cartela é, majoritariamente, de mulheres entre 25 e 35 anos. E o boca a boca e a vontade de ter um consumo mais equilibrado têm atraído mais gente pro meu atelier. Acho formidável!”
É o que endossa a estudante de Direito, Priscila Figueiredo, 20 anos. “A população do planeta não para de crescer e o avanço do consumo desenfreado aponta para o esgotamento de nossos recursos limitados. É nossa responsabilidade repensarmos nossas ações e fazermos nossa parte. A mudança de cada pessoa pode fazer uma grande diferença, mesmo nos pequenos atos do nosso dia a dia, ou numa simples compra de roupa.”
Mapa para consumo local
A jornalista e blogueira Iara Vidal iniciou um mapeamento inédito de costureiras de Brasília para fomentar o consumo dessas produtoras. “O ato de comprar é, definitivamente, um ato político. E isso se dá na moda também. Me dei conta que, em vez dar dinheiro para grandes empresas transnacionais, podia estimular trabalhadoras locais. E nesse ciclo, ajuda-las a pagar suas contas e educar seus filhos.” Ainda segundo a jornalista, o mapeamento das costureiras começou durante a Semana Fashion Revolution de Brasília, no fim de abril.

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