Comportamento

Só depois do casamento

Solteiros , namorados e noivos esperam até o “sim” no altar para terem relações sexuais

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#casamento #sexo
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Engana-se quem pensa que não existem mais pessoas que decidem esperar o “sim” no altar para realmente ter a  tradicional noite de núpcias. O nome do grupo que reúne perfis desse tipo já diz tudo: Escolhei Esperar. Seus adeptos, de fato, aguardam  até o casamento para ter, enfim, relações sexuais.

O estudante de direito João Vitor Lima, 20 anos, conta que viver esse estilo de vida não é fácil. “Nós somos pessoas que temos hormônios, sentimentos e desejos. Eu decidi esperar pelo âmbito espiritual. Biblicamente falando, o sexo foi guardado de maneira lícita para aqueles que casados”,  conta João.

O casal de namorados Ester Pedrosa, 18 anos, e Gabriel Resende, 21 anos, não abre mão de viver uma vida conforme aquilo que acreditam ser determinado pela Bíblia. Ester, que afirma ser virgem, conta o que fez, de fato, ela escolher ter relações sexuais apenas após o matrimônio: “Eu escolhi esperar como uma oportunidade de conhecer um sentimento verdadeiro, que a pessoa tem no namoro um pelo outro”. Para a jovem, isso é muito decisivo para escolher a pessoa com a qual ela formará um família, não apenas pelo desejo carnal, e, sim, por um propósito.

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Gabriel e Ester são namorados e escolheram esperar

Gabriel se orgulha de esperar o casamento para praticar sexo. Segundo ele, seus amigos de faculdade brincam com a sua decisão, mas ele não liga e diz que vive o que as escrituras sagradas dizem. “Eu me sinto feliz em fazer não a minha vontade, mas o que a palavra de Deus me determina. A Bíblia é meu manual de vida, se é preciso esperar, eu espero.”

Os noivos Sabrina Barbosa, 24 anos, e Evandro Rodrigues, 25 anos, estão juntos há quase dois anos. Antes de ser tornarem cristãos, viviam como a maioria dos namorados nos dias de hoje: tinham relações sexuais frequentemente. Depois de conheceram esse modelo de vida, abriram mão das vontades e mudaram completamente suas rotinas. Sabrina deixou de dormir na casa do noivo, não ficam mais sozinhos em seu carro, quando Evandro vai em sua casa, só permanecem na sala. E nada de porta fechada no quarto.  Na visão de Evandro, tudo isso é para evitar situações propícias ao que ele chama de “tentação”. “Nós transávamos antes, e agora é muito difícil segurar. Por isso a gente tem que vigiar, é difícil, mas vai valer a pena”, conta Evandro.

Para Sabrina, escolher esperar é fazer a vontade de Deus. Segundo ela, o sexo nos dias de hoje se tornou algo banal e comum, ninguém pensa mais em construir uma família . “Eu decidi esperar porque Deus me mostrou como é bom o querer dele. E diante de várias frustrações e decepções com pessoas sem propósito e objetivo, decidi viver o que a Bíblia diz. Eu sonho em ter um lar abençoado, então eu decidi esperar por isso”, afirma Sabrina.

Os recém-casados João Paulo e Dalila Buffon são mais um dos muitos casais que vivem esse estilo de vida. Há 4 meses, subiram no altar e prometeram viver na alegria ou na tristeza, na doença ou na saúde. O casal, que em 2015 se conheceu pelo aplicativo Tinder, acredita que, se não fosse pela escolha de esperar, hoje não estariam juntos. “A gente transava como qualquer casal de namorados, mas depois que nos se convertemos evangélicos, comecei a me incomodar”, diz Dalila.

Não foi fácil para o casal se privar de ter relações. Contam que tiveram muito apoio dos seus líderes da igreja e, aos poucos, tomaram a decisão. Ficaram mais de um ano sem relações sexuais até o casamento. “Hoje eu transo com minha esposa sem aquele peso, a consciência ruim. Foi a melhor escolha que a gente fez. Claro que não foi nada fácil, de começo pensei que seria impossível, mas o propósito foi maior e deu certo”,  conta João Paulo.

Segundo o professor de Antropologia do Centro Universitário IESB, Cláudio Bull , é difícil tentar explicar o que leva as pessoas a ter esse tipo de comportamento. Na visão do professor, tornar-se celibatário até o casamento por um princípio religioso é uma questão de crença. “Se estar no ambiente da fé, é normal. A fé não se racionaliza. Então eu acredito que, se a pessoa se sente bem, está dentro do âmbito das escolhas”, afirma Cláudio

João Paulo e Dalila Buffon estão casados há 4 meses

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