Cidadania

Protetores independentes castram animais abandonados para evitar superpopulação

O objetivo é ajudar cães e gatos de rua, ou em estado de vulnerabilidade

A servidora Yzabella Vieira Pereira, 40 anos, ajuda animais abandonados há cerca de 6 anos. Com oito animais resgatados dentro do apartamento, divide seu tempo entre a vida pessoal e o trabalho de cuidar de cães e gatos em estado de vulnerabilidade.

Segundo a protetora, o que gera um alto índice de animais nas ruas é o abandono e a falta de castração. “Um animal que já teve um lar é indefeso na rua, ele não sabe atravessar uma pista, nem onde conseguir comida. Aquele animal que foi abandonado, provavelmente, foi uma cria indesejada.”

Protetores de animais independentes criam pequenos grupos para castrar, adotar ou resgatar animais abandonados, ou em estado de vulnerabilidade. Yzabella coordena um grupo com 20 integrantes que se comunicam por meio de Whatsapp para fazer a castração dos bichos. Quem pode contribui com um valor mensal para a realização das cirurgias, outras pessoas ajudam com a divulgação, ou transporte dos bichos. Vale todo tipo de colaboração. Segundo a coordenadora, a ideia é frear a reprodução desses animais para minimizar a superpopulação de animais de rua.

Para ajudar esse tipo de ação solidária, alguns veterinários trabalham de forma voluntária cobrando um valor simbólico para fazer a castração. Entre eles, Aruska Carvalho auxilia essa rede de protetores e conta que geralmente os animais antes da operação passam por uma avaliação clínica e exames. A cirurgia de baixo custo cobra apenas os gastos com anestesia, medicação e material cirúrgico.

De acordo com a veterinária, a castração, além de evitar ninhadas indesejadas com o abandono dos filhotes e da cadela, evita a pseudociese (gravidez psicológica), tumor de mama, tumor de próstata, marcação de território, fugas e ainda aumenta a expectativa de vida desses animais.

Para Aruska, esse trabalho serve para conscientizar a população adotante das vantagens de um animal castrado. “O gratificante é ver os animais que antes eram de rua sendo encaminhados com saúde para um lar de amor.”

De acordo com a presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal e da Federação de Proteção Animal do DF, Carolina Mourão, existem em média 600 mil animais abandonados nas ruas do DF, que se multiplicam em progressão geométrica. Em 10 anos, um casal de animais fértil gera, nas ruas, em média 80 mil descendentes, que acabam sofrendo maus-tratos, passando fome, frio e dificuldades. “Brasília ainda está muito atrasada nas políticas públicas em relação ao cuidado com os animais urbanos como cães, gatos e cavalos”, comenta Carolina.

Carolina relata que todo o trabalho em Brasília tem sido feito pelos protetores independentes e pelas organizações não governamentais, que, de acordo com ela, são poucas.  “Existem muitos abrigos informais de pessoas comuns que fazem um belíssimo e importante trabalho de grande impacto sanitário e ambiental.” Ela acrescenta que falta investimento em educação para que as crianças aprendam, ainda na escola, sobre o respeito e o direito dos animais para evitar tais problemas.

 

Histórias com finais felizes

A administradora Adriana Cassino Teixeira, 50 anos, adotou a Molly, cria de uma cadela que estava abandonada na rua no Recanto das Emas. A protetora Yzabella resgatou e cuidou da cadela até ela ter os 12 filhotes. Isso aconteceu há três anos. Molly hoje vive uma vida de princesa no apartamento da família adotante.

Molly recebe carinho da tutora Adriana

A chegada da Molly mudou bastante a rotina da casa, segundo Adriana. Apesar do cansaço, e de algumas almofadas destruídas, ela só consegue sentir amor e alegria. “Nossa vida mudou para melhor porque hoje eu não consigo viver sem a Molly.”

A cadelinha adotada também passou pelo processo de castração aos 4 meses de vida. Para Adriana, essa é uma forma de impedir que existam tantos cachorros perdidos na rua. “Adotar é um diferencial, o cachorro sente um amor muito grande pelo tutor, uma espécie de gratidão”, completa a administradora.

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