Comportamento

Paixão por algo marcante leva pessoas a colecionar objetos

A vontade de ter um objeto raro, gostar de algum objeto ou querer lembrar momentos da vida move a vontade dos colecionadores

É bem provável que você conheça um colecionar ou uma colecionadora. O desejo de ter objetos raros, ou guardar momentos, é natural do ser humano, mas existem aqueles que colocam em prática essa vontade. A avaliação é da psicóloga Elida Alves.

Os objetos colecionáveis são inúmeros. Os mais comuns são camisetas de time, moedas, bonecas ou brinquedos de uma época específica. “O ser humano está propício a colecionar algo. A partir do momento que a pessoa gosta de tal coisa, ela sente o desejo de eternizá-la em uma estante, como muitos fazem,” justifica Elida Alves.

A vontade de lembrar todos os momentos levou o estudante de Educação Física Gustavo Sena a colecionar pulseiras de eventos. Ao entrar em uma festa, congressos ou até mesmo em um hospital, a pessoa ganha uma pulseira e no término é automático tirar e jogar fora. Isso não acontece com o jovem. O morador de Ceilândia (DF) começou a colar suas pulseiras na porta do quarto quando tinha apenas 12 anos; hoje com 19 já tem cerca de 50 braceletes. “Escolhi colar na porta do meu quarto com o objetivo delas ficarem expostas mesmo, acredito que se estivessem guardadas em uma caixa não teria tanta graça assim”, completa Gustavo.

Gustavo Sena gosta de colecionar momentos, seja bons ou ruins. A melhor maneira que ele achou foi colando braceletes de eventos na porta do seu quarto.

Gustavo Sena gosta de colecionar momentos, sejam bons ou ruins. A melhor maneira que ele achou foi colando braceletes de eventos na porta do seu quarto

“Cada pulseira tem uma história, e ao olhar pra elas lembro automaticamente de alguns momentos daquele dia”, diz. Quando Gustavo fala de momentos, se refere aos bons e aos ruins. Uma das pulseiras é de quando ele foi ao hospital por ter quebrado o braço.

A coleção dele já virou assunto sério e até a mãe ajuda com esses momentos. “De início eu achei loucura ele fazer isso, mas depois começou a ficar divertido e até eu comecei a colar minhas pulseiras na porta dele”, declara a mãe de Gustavo, Keli Sena.

Na porta existe pulseiras de eventos, hospital, clube e shows.

Na porta de Gustavo existe pulseiras de eventos, hospital, clube e shows

Já Leandro Carvalho, 33, se achou no amor de colecionar flauta doce. A coleção tem cerca de 60 instrumentos e é dividida em dois baldes: os meninos e as meninas, como ele costuma falar. Cada flauta tem nome. “Quando ganho ou compro uma flauta eu coloco um nome nela, algumas têm nomes de pessoas que gosto muito e outras eu invento”, afirma. Leandro conta que não lembra como começou a coleção, mas que sempre gostou do objeto. “Achava bonito o som dela e as várias cores que elas podem ter e depois disso comecei a colecionar”, justifica.

Leandro coleciona flauta doce, sua coleção já tem certa de 60 flautas.

Leandro coleciona flauta doce; a coleção já tem certa de 60 flautas

A psicóloga Elida Alves afirma que colecionar objetos é saudável até o ponto que não interfira na vida social, financeira ou familiar. “A partir do momento em que a pessoa passa viver para aquilo, esquece vivências básicas da vida, não se trata mais de um colecionador e sim um acumulador. Quando o hobby vira obsessão e começa ser válvula de escape para algum problema é aconselhado procurar atendimento com um especialista”, afirma a profissional.

Mas a psicóloga explica que a maioria dos colecionadores tem uma relação saudável com os objetivos. “Quando se gosta de algo e tem o desejo de ter não há impedimentos para que possa tornar um colecionador, colecionar este ligado ao sentimento de amor e lembranças, e nada melhor do que guardar essas recordações”, conclui Elida Alves.

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