Turismo e Lazer

A troca do lar pelo aprendizado na estrada

Um sonho de muitos e a realidade de poucos: Viajar e trabalhar com diversas coisas, aonde chegar; A realidade, os prazeres e os problemas de mochilar

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Já pensou em largar tudo e sair pelo mundo? Algumas pessoas não só pensaram. Foram. Seja devido às crises econômica e política no Brasil, seja pela vontade de tentar algo novo em outro lugar, há quem troque a estabilidade de uma casa física pela incerteza do novo. Nessa reportagem, será possível entender um pouco melhor as pessoas que resolveram largar tudo, e pode-se entender por tudo: casamento, família, animais, faculdade, emprego e qualquer coisa que não caiba numa mala, a qual será carregada nas costas. Conheça os mochileiros!

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, 500 mil brasileiros estavam fora do Brasil. Entre 2014 e 2016, de acordo com a Receita Federal, foram entregues 55.402 Declarações de Saída Definitiva do País.

A bike como meio de transporte e como lar. Essa é a escolha de "Dallas Kada", hoje no Uruguai

A bike como meio de transporte e como lar. Essa é a escolha de “Dallas Kada”, hoje no Uruguai

Manuela Tretel tem 28 anos e está viajando há dois. Nasceu em São Paulo, foi casada, mas largou tudo e foi em direção ao seu primeiro destino: Florianópolis (SC). Hoje está em Goiás, na cidade Alto Paraíso. Para ela, viajar é vivenciar outras culturas e outros costumes, mas, mais importante, é sair da zona de conforto e conhecer pessoas totalmente diferentes.

Segundo Manuela, essa é a melhor forma de conhecimento, pois é “me conhecer através do espelho do outro”. Sendo mulher, diz sofrer grande desrespeito dos homens, mas ainda assim, considera mochilar a melhor forma de liberdade e de viver intensamente. “Tem que estar o tempo todo vigiando a mente pra não cair na ansiedade e no medo das coisas darem errado”. A viajante também considera importante lembrar sempre que não quer entrar no pensamento comum da sociedade, de sacrificar seu tempo e suas vontades pra ter uma estabilidade financeira e um futuro seguro.

Rafael Veiga, hoje com 36, mochilava quando tinha de 18 a 22 anos. Ele teve a oportunidade de passar 3 meses em Londres. Mas só voltou 3 anos e 9 meses depois, quando percebeu que queria conhecer gente com ideias diferentes e lugares interessantes. Rafael logo arrumou um trabalho e estendeu sua viagem. Ele diz, rindo: “acabou virando 3 anos e 9 meses, muitas viagens e a certeza de que eu não teria uma vida padrão, para a qual minha família havia me educado”.

Ele diz que para qualquer lugar a maior dificuldade que encontrou foi se adaptar aos novos ambientes, climas e pessoas. Mas ainda assim afirma que o maior prazer em viajar é a expansão cultural, mental e espiritual. “Parece que a estrada dá uma consciência do tamanho que o mundo tem”,  diz.

Para Rafael, não é necessária a aceitação da família, apesar de respeitá-los. Ele considera que cada um tem sua própria busca na vida e que vai “atrás da voz guia que existe no universo”. Perguntado sobre sua experiência mais marcante, ele diz, com brilho nos olhos: “foi quando me deixaram entrar no proibido monastério de Tabo, no Tibet, depois de ficar dias fazendo campana na porta. Me deixaram entrar e fiquei meses tendo uma vida monástica com monges budistas tibetanos”.

Isac “Dallas Kada” está atualmente no Uruguai. Saiu de Brasília em sua bicicleta e com tudo que guardou durante a vida: roupas, objetos de higiene pessoal e o inseparável violão. É por meio do instrumento que a viagem é possível. Isac “mangueia” em ônibus e em praças. Em outras palavras, ele toca músicas autorais e covers em troca de dinheiro.

Você vive trabalhando ou trabalha vivendo?

Você vive trabalhando ou trabalha vivendo?

Dallas Kada, como gosta de ser chamado, é um apelido que ganhou quando nem pensava em viajar pelo mundo “de camelo”. Foi casado por um ano, apesar de ainda ter 28 anos. Já pensou em constituir família, mas como ele mesmo diz: “ainda bem que a vida mudou e eu saí pra pedalar no mundo”. Ele não descarta a ideia de ainda constituir uma família: “Eu penso, mas não sei se ela vai ser tradicional. E vai ser depois que eu terminar minha viagem, daqui 10, 20, 30, 40 anos… Sabe Deus…”.

Formado na Universidade de Brasília em História, ele prevê: “Eu gosto de dar aula, gosto das crianças, mas não achava que o que a faculdade me ensinou era útil pra ensinar alguém. Hoje eu estou viajando, realizando. Quando eu voltar a dar aula, eu vou ser um bom professor, já que vou ter muita história pra contar”.

Quando parar?

Quando parar é uma dúvida que pode passar na cabeça dos mochileiros. Manuela responde: “Quando o coração escolhe um lugar pra ficar por mais tempo e a rotina se torna tão deliciosa quanto estar mochilando”. Rafael diz que a única coisa que o fez parar, foi o nascimento de Gael, seu filho, hoje com um ano: “Foi preciso criar uma estabilidade maior”. Isac, por sua vez, brinca: “Malandro não para. Malandro dá um tempo”, em provável alusão ao personagem Cabeleira, do filme brasileiro “Cidade de Deus”, dos diretores Katia Lund e Fernando Meirelles.

E você? Tem coragem? Se você tem entre 15 e 29 anos, o Brasil tem um programa chamado ID Jovem, que prevê uma porcentagem de passagens rodoviárias gratuitas. Por lei, em cada viagem interestadual de ônibus, duas vagas são reservadas para jovens, e se esgotadas, outras duas vagas são oferecidas com 50% de desconto. Saiba mais aqui!

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